Suavidade no paladar

Data de publicação: 04/08/2017

Por Nathan Xavier
Meio alho, meio cebola, conheça o tempero que está cada vez mais presente na mesa dos brasileiros


Na era da gourmetização, o alho-poró já foi considerado uma cebola gourmet por raramente ser usado pela dificuldade de encontrar o vegetal. Porém, cada vez mais querido nas cozinhas de todo o País, vem se tornando mais popular. Consumido há milênios por gregos e egípcios, o alimento era recomendado para melhorar a voz, na Antiguidade. Utilizado geralmente como tempero, esse vegetal pertence à mesma família do alho e da cebola, tendo um sabor que lembra muito esses alimentos, porém mais suave, agradando a maior parte das pessoas.
Mas, afinal, é poró ou porro? Segundo o Novo Aurélio – O Dicionário da Língua Portuguesa, são corretas as formas alho-porro e alho-poró, embora a grafia do primeiro seja mais usada em Portugal. O “poró” seria um abrasileiramento da forma europeia. O vegetal, muito consumido na França e Inglaterra, tem folhas compridas e relativamente largas, que sobrepõem umas às outras para formar um caule cilíndrico, chamado de talo ou pseudocaule. Ele chega a ter de 10 a 20 centímetros de comprimento e 3 a 6 centímetros de diâmetro. Gosta de temperatura mais fria, entre 13ºC e 24ºC, por isso, se aclimata melhor na Região Sul do Brasil.
Na questão nutricional, a notícia é ótima: possui nutrientes como ácido fólico, vitaminas A, C (32% a cada 100 gramas, o que é bastante elevado) e do complexo B. Minerais essenciais também são encontrados, bem como magnésio, manganês, zinco, cálcio, potássio, ferro e fósforo. De baixo teor de gordura, vasodilatador e diurético, o alho-poró é indicado para prevenir a eclampsia, doença desencadeada em gestantes com dificuldade de controlar a pressão arterial e equilibrar os níveis de colesterol. É também uma das melhores fontes de fibra dietética, tipo distinto de carboidratos, que auxilia nas funções digestivas e no metabolismo. A quantidade de fibras também é responsável pela sensação de saciedade ao se consumir o vegetal.
A maior propriedade desse alimento, porém, está na substância chamada alicina, que tem ação anti-inflamatória, colaborando com o bom funcionamento do sistema imunológico, além de auxiliar na circulação do sangue.
Escolher o alho-poró é fácil, basta procurar um bem branco, firme, com a parte superior com folhas verdes e frescas. Para lavar, é preciso cortar primeiro e depois mergulha-lo já picado numa tigela com água, pois, como as folhas são bem juntinhas, é fácil acumular terra entre elas. Apesar de ser mais indicado o consumo cru, porque conserva melhor as propriedades nutricionais, esse alimento é versátil, e isso permite fazê-lo cozido, assado, inteiro, em rodelas ou desfiado, mas é importante respeitar o ponto al dente, ou perde-se a textura, sabor e até ajuda a liberar um forte odor de enxofre. Pode ser consumido também como tempero ou utilizado em recheios para tortas, risotos, saladas e suflês.
Mesmo sendo inteiramente comestível, do alho-poró a maioria das pessoas prefere aproveitar apenas a parte branca da base e as macias folhas internas, descartando as folhas mais escuras e amargas do topo, porém essa parte pode ser guardada para fazer sopas, por exemplo.
Uma das maiores regiões produtoras fica em Piedade, interior do estado de São Paulo. O cultivo esteve em alta no ano passado, quando a produção bateu quase 700 toneladas. Por causa da quantidade de produtores, o preço caiu para o consumidor final, e a maior parte da produção é colhida agora no inverno, o que também ajuda no valor encontrado nas prateleiras dos supermercados no mês de julho. Os produtores gostam do cultivo desse vegetal pela alta rentabilidade, mesmo com o preço menor em relação há alguns anos, já que o retorno financeiro de todo o investimento em preparação do solo, adubos, compra de sementes, entre outros, se dá ainda na primeira safra, que costuma acontecer oito meses após o plantio.




Fonte: FC edição 955 - Julho 2015
Postado por: Família Cristã




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