A persistirem os sintomas

Data de publicação: 28/08/2017

 Por Fernando Geronazzo       


Na tentativa de combater uma simples dor, o uso de um medicamento sem prescrição médica pode retardar o diagnóstico de sérios problemas de saúde
 
Quem nunca tomou ou deu ao filho algum medicamento sem prescrição médica após uma dor de cabeça ou febre? Ou pediu opinião a uma amiga ou vizinha sobre qual remédio ingerir em determinadas ocasiões? A automedicação, muitas vezes vista como uma solução para o alívio imediato de alguns sintomas, pode trazer consequências mais graves do que se imagina.
A médica Ada Rubia Pereira Lopes explica que um sintoma como uma simples dor de cabeça, por exemplo, pode ter diversos fatores. “A cefaleia costuma ser causada por estresse, uma enxaqueca, mas também pode ser algum problema mais grave.”
Mesmo diante dos riscos, a automedicação é praticada por 76,4% dos brasileiros, segundo levantamento feito pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), que entrevistou 1.480 pessoas de 12 capitais brasileiras.
Entre os que adotam esse hábito, 32% costumam aumentar as doses dos medicamentos prescritos por médicos, com o objetivo de “potencializar os efeitos terapêuticos”, o que também é considerado uma forma de automedicação.

Consulte um médico – De acordo com a médica, cada indivíduo tem a sua especificidade, e as doses variam de acordo com fatores como peso e idade. “Por isso é importante sempre consultar um médico para que ele faça avaliação específica dos sintomas e indique o medicamento e a dose adequados.”
Ainda no grupo dos que tomam remédio por conta própria, 72% afirmaram que confiam na indicação de medicamentos feita pela família, 42,4% confiam na de amigos, 17,5% confiam na de colegas de trabalho ou estudo e 13,7% confiam na de vizinhos.
O estudo afirma ainda que 61,4% das pessoas que se automedicam estão conscientes sobre os riscos. Segundo os dados coletados pelo ICTQ, existe uma tendência de diminuição do consumo irregular de medicamentos controlados desde que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passou a exigir a retenção da segunda via da receita dessa categoria de remédios.

Agravar doenças – O uso de medicamentos de forma incorreta pode acarretar o agravamento de uma doença, uma vez que a utilização inadequada esconde determinados sintomas. Se o remédio for antibiótico, a atenção deve ser sempre redobrada. “O uso abusivo desses produtos pode facilitar o aumento da resistência de micro-organismos, o que compromete a eficácia dos tratamentos”, frisa dra. Ada Rubia.
O uso indiscriminado de remédios fica pior quando a pessoa passa a misturar medicamentos na tentativa de combater seus diferentes efeitos colaterais. “Todo medicamento possui as chamadas reações adversas, como efeitos colaterais e alérgicos. Por isso é fundamental que sejam administrados por um médico, pois este orientará como lidar com tais efeitos e se o medicamento realmente é indicado para esse paciente”, reforça a médica. De acordo com o Ministério da Saúde, só nos últimos cinco anos houve quase 60 mil internações por intoxicação medicamentosa.
Por isso, também é importante que o paciente informe o médico sobre os medicamentos que já utiliza, bem como alergias e doenças crônicas, pois a combinação de determinados medicamentos pode ser nociva para a saúde.  
Esses medicamentos, se tomados em doses altas e num prazo maior de três dias, passam a ser perigosos. Para pessoas com gastrite avançada, há o risco de desenvolver uma úlcera, por exemplo. Qualquer medicação feita a longo prazo precisa ser acompanhada por um médico. O que parece ser uma gripe comum pode se tratar, na verdade, de uma pneumonia.

Origem da dor – A dor é um mecanismo de proteção e alerta quando algo nocivo está acontecendo com o corpo. Por isso, é importante que ela seja checada, para saber sua origem e a melhor forma de tratamento e medicação. “Quanto antes for descoberta a patologia em curso, mais eficaz será o seu tratamento”, afirma a médica.
Para incentivar o uso racional de medicamentos, a Anvisa também desenvolve ações na área de farmacovigilância. Um exemplo é o programa Rede de Hospitais Sentinela, que reúne um conjunto de hospitais e unidades de todo o País. Cada hospital integrante da rede possui um responsável por notificar efeitos adversos ou quaisquer problemas relacionados a medicamentos. Mais informações sobre essa rede no endereço eletrônico portal.anvisa.gov.br.


[BOX]
Tipos de uso irracional de medicamentos

• Uso abusivo de medicamentos (polimedicação);
• Uso inadequado de medicamentos antimicrobianos, frequentemente em doses incorretas ou para infecções não bacterianas;
• Uso excessivo de injetáveis nos casos em que seriam mais adequadas formas farmacêuticas orais;
• Prescrição em desacordo com as diretrizes clínicas;
• Automedicação inadequada, frequentemente com medicamento que requer prescrição médica.
Fonte: Ministério da Saúde






Fonte: FC edição 943- julho 2014
Postado por: Família Cristã




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