como nossos pais

Data de publicação: 28/08/2017

Por Fernando Geronazzo   


O seguimento da fé dos pais por parte dos jovens depende mais do testemunho do que da imposição de um caminho a seguir

Os irmãos Caio Vinícius Coppoli Perez Sanchez, ator, 22 anos, e Débora Coppoli Perez Sanchez, recepcionista bilíngue, 19 anos, moram com os pais, José Perez Sanchez Filho, advogado, 55 anos, e Heloisa Maria Coppoli Perez Sanchez, secretária, 53 anos, em São Paulo, capital.
Como os pais, os jovens foram educados na fé católica e sempre que possível os acompanham nas celebrações e atividades da Igreja. Mas se um dia os irmãos chegassem para José e Heloisa e dissessem que já eram adultos e decidiram não seguir mais a mesma caminhada de fé que os pais? “Reagiríamos de modo natural, respeitando seu livre-arbítrio e poder de escolha. É preciso, antes de tudo, respeitar o que os filhos pensam”, responde José. “Nossos filhos têm e sempre tiveram a liberdade de escolher a religião que desejarem, o que não nos impede de envidar esforços para fazê-los seguir a religião católica”, completa Heloísa.
Como a família Sanchez, muitas outras famílias estão sujeitas a essa liberdade dos jovens. Como lidar com isso?  A base e, principalmente, a vivência, nas quais foi alicerçada a fé dos filhos dentro da família, são essenciais para enfrentar serenamente esse desafio. 

Testemunho – Padre Antonio Francisco Lelo, doutor em Liturgia e autor de vários livros sobre Liturgia e Catequese, ressalta que a educação na fé dos filhos depende muito do clima geral da casa. “Um clima de respeito, diálogo, busca de superação de limites, reconhecimentos deles e superação de limites, menos autoritário e mais familiar.” Ele também afirma que o testemunho dos pais é muito importante. “Os pais são os primeiros a valorizarem a fé como elemento de educação pessoal, entrega e testemunho da prática do Evangelho”.
“Fomos educados em famílias muito religiosas, católicos de muita fé, e nos ensinaram a sermos bons cristãos de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo Evangelho. E foi dessa maneira que desde muito cedo abordamos com nossos filhos a nossa fé em Deus e na Igreja Católica”, conta José.
“Se os filhos já vivenciam os valores da fé de uma maneira informal dentro de casa, o passo seguinte é formalizarem essa proposta de fé na medida em que naquela casa se respeitam os valores mínimos da fé antes de qualquer prática religiosa”, orienta padre Lelo. “Depois desses passos básicos, vem a explicitação desses valores de uma forma religiosa, seja através da prática de atos religiosos na Igreja, como também as práticas religiosas dentro da família”, acrescenta. “O tema da fé é o centro das conversas em família sempre que a necessidade se faz presente, conversamos e debatemos, respeitando sempre a individualidade de opinião de cada um”, relata José. Tanto Caio quanto Débora afirmam: “Nossos pais nos inspiram na vivência da fé”.
Mas, mesmo com uma base sólida, pode ser que o jovem chegue a uma fase que não queira mais seguir a fé dos pais. “Não se pode desesperar”, diz padre Lelo. “Na fase da juventude, todas as decisões são importantes, mas não são finais. Nossa vida toda é uma ocasião de opções. Não quer dizer que se um jovem opta hoje por determinados valores ele os levará até o fim da vida.”  Para o padre, a fé tem os seus momentos e aquilo que foi cultivado de maneira verdadeira, livre, segundo o Evangelho, “essa é a rocha firme, isso permanece mesmo que a pessoa faça outras opões”.

Valores básicos – Mesmo que os jovens não tenham as opções de fé tais como as dos pais, os valores devem permanecer. “É importante dialogar com os filhos para que determinados valores sejam mantidos. Justiça, honestidade, não fazer do outro objeto, crescer na responsabilidade, valorizar a dignidade humana são questões que ficam na pauta de toda a nossa vida e, seja qual for a idade, precisamos considerar”, reforça o padre.
“Certo dia, nosso filho, Caio, ainda bem pequeno, me telefonou no trabalho dizendo que uma pessoa necessitada bateu em nossa porta pedindo comida. Ele indagou se essa pessoa tinha onde cozinhar, e, diante da resposta afirmativa, deu-lhe um saco contendo vários mantimentos, prática esta que fazíamos com os pedintes que batiam em nossa porta. Entendemos assim que o nosso exemplo de solidariedade e preocupação com o próximo foi de grande valia, sendo assimilado por ele”, conta José. “Hoje, nosso filho ajuda diariamente os moradores de rua, próximo do local onde estuda”, completa.
Padre Lelo também lembra que, diante dos vários modelos de estruturação familiar que existem hoje, “a atitude mais evangélica é a de sabermos que não somos donos da verdade, mas que vamos acolher todas as realidades que se nos apresentam numa comunidade de fé”. 
Os pais também não podem querer para os filhos aquilo que eles não têm. “Se eu quero que meu filho tenha fé, eu, como pai ou como mãe, sou o primeiro a demonstrar a importância da fé na minha vida. Não de uma maneira estritamente devocional, mas numa prática de fé consistente que se ampare na leitura da Palavra de Deus, na oração, na vivência comunitária, no diálogo e nas atitudes do dia a dia”, alerta padre Lelo.
Quando tiver filhos, Caio pretende seguir o caminho da liberdade com eles. “Com as experiências familiares adquiridas, quero mostrar aos meus filhos as diferentes realidades religiosas para que eles possam ter discernimento em escolher.” Já Débora quer seguir o caminho vivido com os pais quando for mãe. “Espero conseguir passar para eles toda a religiosidade e os valores que aprendi.”




Fonte: FC edição 940- abril 2014
Postado por: Família Cristã




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