Jovens em missão

Data de publicação: 04/09/2017

Por Nathan Xavier


Projeto organizado pelas Comissões Episcopais para a Juventude, Amazônia, Ação Missionária, Missão Continental e Pontifícias Obras Missionárias leva jovens para missão na Amazônia

Imagine passar 15 dias fora de sua casa, em missão, sem os amigos de sempre por perto, ou o conforto da sua cama, no contato com uma realidade totalmente diferente da que você está acostumado. Essa foi a escolha de 72 jovens que partiram, de 30 de novembro a 15 de dezembro, para a primeira Missão Jovem na Amazônia. Aproximadamente 2.800 jovens de todo o Brasil,  se inscreveram para participar da missão, que tinha apenas 72 vagas. Um ótimo começo para o projeto inédito da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). E o número só não foi maior porque o prazo final de inscrição se encerrou antecipadamente, devido à grande procura.
A iniciativa levou jovens, de 19 a 35 anos, formados em quatro grupos, a desenvolver um trabalho missionário em quatro regiões da Amazônia: as dioceses de Borba, Coari e Parintins (AM) e a comunidade indígena Raposa Serra do Sol, em Boa Vista (RR). Cada diocese possui uma realidade diferente, e o que vai prevalecer será a troca de experiência entre os jovens missionários e a população local.
Renato Pereira de Souza, de Anápolis (GO), é um dos dez coordenadores da Missão Jovem na Amazônia. Ele explica que a quantidade enorme de inscrições foi uma grata surpresa para todos. A relação candidato-vaga ficou em 46,6. Para se ter uma ideia, na Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), um dos vestibulares mais concorridos do País, o curso de Medicina teve 58,57 candidatos-vaga no ano passado, a Missão Jovem ficou na mesma média que cursos como Psicologia, Engenharia Civil e Jornalismo. “Isso mostra o quanto o jovem brasileiro é fervoroso e atende prontamente o chamado da missão”, conta Renato.
O coordenador afirma que o embrião da ideia surgiu em 2012, mas tudo se consolidou após a Jornada Mundial da Juventude de 2013, no Rio de Janeiro (RJ). São cinco jovens e cinco adultos comandando o projeto nacionalmente. A escolha da Amazônia se deu por ser um lugar ainda carente de presença católica. De fato, segundo o Centro de Estatística e Investigações Sociais (Ceris), entidade brasileira de pesquisa religiosa fundada pela CNBB, a região registra a menor porcentagem de religiosos e religiosas, entre todas do Brasil.
Um dos mais jovens missionários participantes do projeto da CNBB é Henrique Campos Araújo Klein. Aluno de Ciências do Estado, na Universidade Federal de Minas Gerais, ele tem 19 anos e mora em Belo Horizonte. Henrique pertence ao grupo de jovens Fanuel, da Paróquia Nossa Senhora Rainha e, através de uma amiga do grupo, fez a inscrição junto com outros integrantes do Fanuel, mas apenas ele foi chamado. Tinha acabado de sair do grupo de Crisma da paróquia, quando o telefone tocou com um número e DDD desconhecidos. Era o Renato, comunicando que Henrique era uma das 60 pessoas que haviam sido selecionadas para o projeto: “Eu fiquei paralisado, mas a ficha ainda não tinha caído”, conta Henrique. “À medida que eu ia me preparando para a viagem, comprando a passagem, avisando as pessoas, tomando as vacinas obrigatórias, aí então a ficha foi caindo.” 

A representatividade − A triagem dos jovens não foi desafiadora apenas pelo número de vagas diante da quantidade de inscritos, mas também pela qualidade, outra grata surpresa da organização. “A maior parte tinha uma boa formação humana e certa experiência em evangelização”, afirma Renato. E revela quais foram os critérios principais: “Procuramos não repetir dioceses, para que a maior parte fosse contemplada, ter algumas pessoas com certa experiência missionária em cada grupo e dividir igualmente homens e mulheres; a intenção é que houvesse uma boa representatividade”.
Henrique já sabe seu destino: a comunidade indígena Raposa Serra do Sol, na Diocese de Roraima. O lugar fica a seis horas de carro de Boa Vista, no interior do estado. Embarca dia 30 de novembro, às 8 horas da manhã para Manaus e dia 3 de dezembro para Boa Vista, onde ficará dez dias em missão. A ansiedade é grande e não cabe em palavras: “Eu tenho muito a aprender, quero aproveitar ao máximo e trazer essa vivência aos jovens da minha comunidade”. Renato conta que o objetivo da missão é fazer os missionários “conhecerem a realidade local, saber como o Evangelho é vivido lá e anunciar a Palavra de Deus a quem ainda não a conhece”. Um grande desafio!
A maior parte dos amigos não católicos de Henrique achou uma loucura. “Eu mesmo, depois de ter sido chamado, achei uma loucura”, confessa o rapaz, “Vou sair da minha zona de conforto, da minha paróquia, para partilhar a mensagem de Deus em outro lugar muito diferente do que conheço.”
Renato espera que essa vivência renda muitos frutos para todos, tanto para a população, que receberá a missão, quanto para os jovens missionários, e que esse projeto abra caminhos e motive as dioceses no sentido de também organizarem atividades semelhantes. Há a esperança de as edições acontecerem todo ano na Amazônia. Renato, porém, ressalta que o espírito de missão precisa ser exercido por todo católico, no dia a dia: “Deus sabe o tempo e a hora para cada coisa. Somos todos os dias chamados à missão, se não é na Amazônia é no nosso trabalho, em casa, no vizinho ou na cidade ao lado”.

DESTAQUE:
A maior parte dos amigos não católicos de Henrique achou uma loucura. “Eu mesmo, depois de ter sido chamado, achei uma loucura”, confessa o rapaz





Fonte: FC edição 948- dezembro 2014
Postado por: Família Cristã




Comentários


Comente





Compartilhe este conteúdo:


Veja Também

Dai-nos a bênção!
Ainda hoje há quem peça a bênção aos pais, aos tios e aos avós.
Conhecimento para a decisão
Não existe profissão perfeita, o que existe é a profissão que nos deixa felizes e motivados.
Silêncio, o tempo da escuta
Às vezes se ouve no senso comum que entrar em um retiro implica deixar os problemas para fora.
Empreender S/A
“Essas pequenas dicas iniciais podem decidir o futuro do negócio.”
Por que não, à redução
Adolescentes de 16 a 18 anos são responsáveis por 0,9% do total de crimes.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Próximo Final

Termos mais pesquisados

Busca avançada
Copyright © Pia Sociedade Filhas de São Paulo - Brasil - Direitos Reservados