Muitos anos de vida

Data de publicação: 14/09/2017

Por Fernando Geronazzo   

Os maus hábitos da vida moderna, se não corrigidos, podem fazer com que a atual geração de crianças vivam menos que os seus pais

Gianna Maria Samfelippo da Silva Amadio tem 7 anos e  está na 2ª série do Ensino Fundamental. Como toda garota da sua idade, gosta de brincar, correr, ver TV, navegar na internet. Gianna vive as vantagens e as desvantagens da vida moderna. Seus pais, a advogada e funcionária pública Thais Miremis Samfelippo da Silva Amadio, 54 anos, e o engenheiro agrônomo Roberto Fernandes Amadio, 48, não pensam duas vezes em dizer que a vida que Gianna leva hoje nem se compara à que eles viveram. “Na nossa infância sempre morávamos em casa, brincávamos na rua com os pés no chão. Também não havia tanta violência, tomávamos água da torneira e sobreviviamos. Hoje é tudo bem mais difícil, moramos em apartamento, e nossa filha tem pouco espaço para brincar”, aponta Thais.
Ao mesmo tempo em que os avanços da ciência e da tecnologia vêm proporcionado um aumento na expectativa de vida da população mundial, pesquisas têm alertado para o risco decorrente dos maus hábitos e da má qualidade de vida das crianças. Um estudo que analisa dados do Brasil, Estados Unidos, Grã-Bretanha, China e Índia alerta que o crescente sedentarismo nestes países ameaça formar a primeira geração de jovens que viverá menos que seus pais. O trabalho de 2012, que tem o American College of Sports Medicine como coautor, conclui que em 2030 a inatividade física pode abreviar em até cinco anos a expectativa de vida, caso seja mantido o ritmo atual.
Em 2009, uma em cada três crianças de 5 a 9 anos estava acima do peso recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O número de crianças acima do peso dobrou entre 1989 e 2009, passando de 15% para 34%.  Ao mesmo tempo em que avançamos nas questões de prevenção de doenças e mortalidade infantil, surgiram novos vilões como a obesidade e o sedentarismo.

Movimente-se – Se por um lado, as novas tecnologias ajudam no desenvolvimento mental das crianças, não ajudam no desenvolvimento físico. “Hoje as crianças têm uma motricidade fina muito boa, digitam, manipulam os celulares com uma precisão muito grande. Só que não caminham, estão com o colesterol alto, há crianças desenvolvendo diabetes muito cedo”, alerta a pedriatra Maria Salete Moreira.
“O contato com as tecnologias não é ruim. Sabemos que algumas crianças se desenvolvem até por conta disso. Mas é preciso limite. É importante que haja uma regra de uso, mas com ponderação”, reforça a médica. Na casa da Gianna há um tempo determinado para o uso do computador, internet ou televisão. “Nós também estimulamos atividades como leitura, pintura. Agora que está sendo alfabetizada, ela se interessa muito por escrever e por pintar.”
Mas não basta apenas mudar os hábitos da criança, a família toda deve estar disposta a assumir hábitos mais saudáveis e praticar atividades juntos. A pediatra Adriana Rodrigues Pouza orienta que, às vezes, uma caminhada num parque próximo de casa ou até mesmo no condomínio ou vizinhanças já ajuda a mudar o foco da criança do computador ou video game. “Se for difícil sair de casa, tente jogos de video game que movimentem mais o corpo, em que pais e filhos possam participar juntos, ou inventem atividades que liberem mais o corpo, como jogos de mímica. Peça que a criança ajude nas tarefas da casa junto de seus pais.”
 “Todo fim de semana levamos Gianna ao parque”, conta a mãe. Na escola, Gianna pratica educação física, também está retomando a natação e o balé. Mas os pais se preocupam também para não sobrecarregar a filha. “Sempre buscamos orientação do pediatra e, quando preciso, ele orienta a darmos mais tempo para ela descansar e curtir a casa. Não adianta a criança fazer muitas coisas e se cansar para estudar, por exemplo”, explica Thais.

Alimentação – Dra. Salete Moreira explica que hoje há muita alimentação pronta. De um modo geral, os alimentos têm corantes, estabilizantes. “Não que seja ruim comer, mas não se pode viver à base dessa alimentação.”
Uma dica que a dra. Adriana dá é de fazer a criança participar de parte da preparação do alimento ou montagem do prato, o que torna a hora da refeição mais lúdica e atrativa. “Proibir o consumo de alimentos muitas vezes piora o entendimento da criança, o melhor é limitar a quantidade de alimentos gordurosos e com alto teor calórico. Se possível é melhor que filhos e pais façam a refeição juntos, em local calmo, tranquilo e longe de televisão e video games.”

Saúde – Outro cuidado dos pais é em relação ao uso excessivo e muitas vezes indiscriminado de medicamentos. Se isso já não é aconselhado para adultos, imagine para crianças. “Os medicamentos precisam ser utilizados, mas na hora que for preciso. Remédio não dá saúde, ele cura doenças”, explica a dra. Salete.
“O que acontece, por exemplo, é que as crianças ficam deitadas na cama de qualquer jeito com o computador ou telefone, aí sente dor. Ao invés de fazer um exercício de alongamento, uma compensação, toma remédio. Até porque é mais fácil”, completa Dra. Salete “O pediatra da Gianna só receita medicação quando não tem como. Eu não dou nenhum remédio sem orientação médica”, diz Thais.
Apesar dos limites de uma cidade grande e da agitação da vida moderna, a família Amadio faz o possível para minimizar isso e proporcionar para Gianna as boas experiências vividas no passado. “Seja andar descalço ou brincar com o esguicho de água, quando possível, para que ela perceba que há coisas gostosas de se fazer, além do shopping center, video game e televisão. Coisas simples e prazerosas.”






Fonte: FC edição 940- abril 2014
Postado por: Família Cristã




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