Paisagismos e plantas

Data de publicação: 20/09/2017

Por Assucena Tupiassú *



O uso de plantas medicinais no paisagismo brasileiro e como cultivar e usar na cozinha o funcho

No Brasil, há uma mistura de estilos. No início da colonização, tanto a arquitetura como o paisagismo seguiam estilos europeus (francês, inglês, italiano). Já na segunda metade do século passado, aparece o estilo americano.
Normalmente, o gosto pelas plantas medicinais esteve presente nos jardins, tendo sido um dos principais objetivos da criação do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Queria-se aclimatar as plantas que eram utilizadas para fazer chá. O estilo brasileiro talvez possa ser caracterizado pelos jardins criados pelo grande paisagista Roberto Burle Marx.
E as plantas medicinais são encontradas, geralmentes em jardins feitos no modelo da produção de hortaliças, ou seja, retângulos elevados a 20 centímetros do solo. Porém, há de se questionar por que não fazer um jardim bonito aproveitando a beleza das plantas no paisagismo, que é uma expressão artística. Que tal belíssimos jardins orgânicos, onde a cada curva se pode colocar um elemento especial para presentear os olhos, para se apreciar cada cantinho. Muitas pessoas optam pela utilização de mandala, fazendo a distribuição das ervas medicinais em forma espiralada ou redonda. O plantio em vasos e, na falta de espaço, os jardins verticais, plantados em garrafas PET ou em tubos de PVC, são opções interessantes. O uso dos telhados verdes com medicinais também é uma boa alternativa, pois se pode aproveitar o fato de que várias plantas desse grupo necessitam de muito sol.
Enfim, pode-se fazer um jardim com uso das plantas medicinais em qualquer estilo, porém é necessário dar prioridade às seguintes questões:
1. Quais plantas medicinais serão utilizadas, por gosto ou necessidade – Não adianta plantar determinada espécie, se ela não tiver uso.
2. Quais são as características do ambiente – Quantidade de sol diária; presença de ventos fortes; disponibilidade de água; espaço para a planta se desenvolver, não só a parte aérea, mas as raízes também; clima; declividade; tipo de solo; umidade do ar etc.
3. Qual é a sua relação com as plantas – Gosta de cuidar de plantas? Tem tempo para cuidar do jardim? Que valor será destinado à implantação? É possível contratar um jardineiro com regularidade?
4. Qual é o estilo da casa? E a cor das paredes visíveis do jardim? Há declividade e pode-se utilizá-la como recurso da paisagem? É necessário chamar a atenção ou esconder algum ponto no entorno?
5. De que tamanho ficam essas plantas – As medicinais em geral são plantas de crescimento intenso e, para composição, é importante determinar o espaço que cada espécie irá tomar.
Quando se fala em paisagismo – ou no uso de plantas medicinais em paisagismo –, não se deve esperar por uma regra, pois ela não existe. Paisagismo é obra de arte, e como tal depende do artista. Talvez seja a arte mais complexa, pois mal acaba de ser concluída e já começa a se modificar, e assim segue por toda a sua vida: é uma folha que cai, uma flor que se abre, um galho novo que nasce.
É preciso pensar em como esse jardim estará daqui a 10, 20 ou 50 anos, como as plantas se desenvolverão, e nunca esquecer que é preciso fazer a manutenção. Qualquer obra de paisagismo começa por um bom planejamento (pesquisa de tudo que se refere ao jardim). Com esses dados, faz-se o projeto e só depois sua implantação. Logo em seguida começa o planejamento para a manutenção, que não para nunca.
A falta de espaço, principalmente em grandes cidades, leva a ativar a criatividade para que os menores ambientes fiquem bonitos e bem utilizados. Para se alcançar esse objetivo não há regras, mas sim algumas questões que devem ser observadas. Desde pequena a pessoa é acostumada a ler e escrever da esquerda para a direita. Ao se olhar um jardim, isto também acontece, a leitura é feita da esquerda para a direita e completando um círculo. Quando se coloca elementos pesados em algum ponto específico do jardim, é certo que os olhares se fixem naquele ponto. Então, cuidado para não fazer essas paradas indiscriminadamente. O jardim muitas vezes fica sem sintonia ou ritmo e se torna pesado. Como o som de uma música, o jardim deve fluir.
O que diferencia as plantas são os elementos mais pesados ou diferentes, por exemplo:
• As cores das plantas, não só das flores, mas também das folhas ou tronco – Plantas que produzem cores amarelas, vermelhas e alaranjadas, cores quentes, chamam mais atenção.
• Tamanho das plantas – Para que se tenha uma visão total do jardim, utiliza-se as plantas maiores atrás e as menores na frente, embora se possa distribuir irregularmente e usar uma planta alta perto de várias pequenas, pois assim esta será diferente e chamará muito mais atenção que as outras.
• As texturas variadas também têm um peso a mais, chamando atenção. Enfim, tudo que se implanta em um jardim tem um peso e de alguma forma chamará atenção. E isso fará com que os olhos parem naquele ponto. Mas o que se deve considerar com mais cuidado na distribuição são as necessidades das plantas, ou seja:
Distribuição por necessidade de luz: quantas horas a planta precisa de sol por dia?
Que tipo de solo é mais apropriado para seu bom desenvolvimento?
Qual a quantidade de água necessária?
Tipo de adubação ou nutriente mais requisitado. Não esquecer que as plantas medicinais são utilizadas para consumo e, quanto mais se emprega adubação orgânica, melhor.


* Conteúdo cedido gentilmente pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SP).

Funcho – Foeniculum vulgare Mill.
Erva aromática nativa da Europa, das regiões próximas ao Mediterrâneo, e cultivada em todo o Brasil. Atinge de 40 a 90 centímetros de altura, possui folhas pinadas com folíolos reduzidos a filamentos e flores pequenas, amarelas, reunidas em umbelas.
Família botânica: Apiaceae (Umbelliferae)
Nomes populares: erva-doce, funcho-doce, erva-doce-de-cabeça, finochio, erva-doce-brasileira, falsa erva-doce, falso-anis, fiolho-de-florena, fiolho-doce, funcho-bastardo, funcho-comum, funcho-vulgar, funcho-italiano, pinochio etc.
Partes usadas: frutos e ocasionalmente a base do pecíolo da folha fresca.
Principais componentes químicos: óleo essencial (anetol), ácidos, cumarinas, flavonoides e esteroides.
Uso e propriedades: infusão dos frutos secos: digestivo, estomáquico, carminativo, antiespasmódico suave (para cólicas infantis), expectorante e também estimulante da lactação. Culinária (raiz aperitiva): salada da base do pecíolo das folhas (aromático, digestivo e carminativo); frutos como condimento e aromatizante de alimentos. Óleo essencial dos frutos: sabor e odor a medicamentos, licores e guloseimas. O óleo essencial tem efeito estimulante (para massagens).
Precauções, toxicidade e contra indicação: o modelo experimental utilizado nas pesquisas do Programa de Pesquisas de Plantas Medicinais da Central de Medicamentos (PPPM-Ceme) detectou toxicidade e não verificou ação sedativa, hipnótica, ansiolítica, anticonvulsivante e/ou neuroléptica.

O cultivo
As sementes podem ser plantadas diretamente no local definitivo da horta ou em sementeiras e transplantadas quando têm de 10 a 15 centímetros de altura. Ao escolher o local de plantio, levar em conta que a planta é perene e costuma sobreviver por vários anos, podendo atingir até 2 metros de altura.
Por outro lado, é melhor que as sementes do funcho-de-florença ou da erva-doce-de-cabeça (Foeniculum vulgare Grupo Azoricum) sejam plantadas diretamente no local definitivo, pois esse grupo de cultivares não suporta bem o transplante. Se plantada em sementeiras, faça o transplante com a planta bem jovem, quando as mudas têm no máximo quatro folhas. O espaçamento recomendado para o funcho-de-florença é de 25 a 30 centímetros entre as plantas.
O plantio em vasos e jardineiras não é recomendado, pois o funcho tem um sistema radicular que atinge uma grande profundidade, mas ainda assim é possível cultivá-lo em vasos grandes, com pelo menos 30 centímetros de profundidade. Não cultivar próximo a aneto ou endro (Anethum graveolens), pois essas espécies intercruzam, e as plantas resultantes desse cruzamento normalmente não são consideradas satisfatórias em termos de produtividade ou de sabor e aroma.

Na cozinha
Funcho assado
Ingredientes
3 cabeças grandes de funcho (erva-doce)
2 dentes de alho, fatiados finamente
1 colher (sopa) cheia de manteiga
2 colheres (sopa) de azeite extra-virgem
2 taças de vinho branco seco ou vermute
Sal, a gosto
Pimenta-do-reino moída na hora, a gosto
Papel-manteiga previamente amolecido com água fria (pode esmagá-lo sob a água)

Modo de preparar    
Retire as folhas do funcho, corte a cabeça em quatro partes, no sentido longitudinal. Disponha os pedaços em uma assadeira de vidro. Despeje o alho, a manteiga em pedacinhos e o vinho por cima de tudo. Salpique sal e pimenta-do-reino. Cubra o funcho com o papel-manteiga, cuidando para colocar as pontas para dentro da assadeira. Isso vai assar e cozinhar o funcho no vapor ao mesmo tempo. Leve ao forno pré-aquecido por 20 minutos, à temperatura de 220 graus. Polvilhe com as folhas de funcho antes de servir. Acompanhe esse prato com pão ciabata quentinho e crocante.




Fonte: FC edição 968- agosto 2016
Postado por: Família Cristã




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