Mil dias mudam uma vida

Data de publicação: 25/09/2017

Por Sérgio Esteves

Tudo o que ocorre na nutrição da criança, da gravidez da mãe aos dois anos de idade de um bebê, pode interferir na saúde de um ser humano

Uma campanha lançada em setembro pela agência Paim Comunicação, de Porto Alegre (RS), e encomendada pela Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul chamou a atenção dos internautas pela força de sua mensagem. Estampando fotos de bebês mamando em seios “tatuados” com hambúrgueres, refrigerantes e rosquinhas, o texto da publicidade deu o seguinte recado: “Seu filho é o que você come”. Segundo a presidente da Sociedade de Pediatria daquele estado, Patrícia Miranda do Lago, pediatra intensivista do Hospital das Clínicas de Porto Alegre (HCPA), o objetivo foi sensibilizar as mulheres sobre a importância de uma alimentação saudável durante os períodos de gestação e lactação. “Nossa ideia foi trabalhar a nutrição da criança, da gravidez da mãe até seus dois anos de idade, na fase de amamentação, pois é comprovado que tudo o que ocorre nesses cerca de mil dias interfere na saúde do ser humano”, explica.
Evidências científicas não deixam dúvidas de que os nutrientes recebidos pelo feto e pelo bebê nos primeiros dois anos de formação influenciam seu desenvolvimento e no surgimento de doenças da infância ou vida adulta, como obesidade, problemas cardiovasculares, diabetes, hipertensão e síndromes metabólicas. “É com a criança em formação que podemos interferir e fazer a diferença”, confirma Cristina Targa Ferreira, especializada em Gastroenterologia Pediátrica. Segundo pesquisadores, o ganho excessivo de peso da mãe também concorre para a diabetes gestacional e a eclâmpsia, forma grave de hipertensão arterial que põe em risco a vida da mãe e do bebê. Com uma alimentação adequada, o razoável é que as mulheres ganhem de 9 a 12 quilos durante a gravidez.
Para tanto, a seguir algumas recomendações nutricionais:
•    Aumentar o consumo de frutas e vegetais, cereais integrais, leguminosas, carnes magras, leite e derivados, que são boas fontes de cálcio. Vegetais e frutas vermelhas, amarelas e alaranjadas, além de castanhas e oleaginosas também fornecem antioxidantes.
•    Consumir alimentos com ácido fólico – vitamina B9 –, que, no feto, previnem más-formações como a anencefalia. A substância está no espinafre, aspargo, brócolis, vegetais de folhas verde-escuras de modo geral, fígado, frutas cítricas, gema de ovo, feijão roxo, feijões-manteiga (fava) e carnes magras. Uma nutricionista orientará sobre a melhor forma de consumir tais alimentos, enquanto o ginecologista ou o obstetra indicará a respeito do período mais indicado para o consumo.
•    Consumir peixes com frequência para aumentar a ingestão de ômega três e de vitamina D. Antes, porém, consultar o médico ou a nutricionista, pois alguns tipos de peixes são contraindicados durante a gestação devido ao alto teor de mercúrio.
•    Expor-se ao sol diariamente, mas sem excessos e nas primeiras horas da manhã.
•    Manter o consumo regular de probióticos que fazem bem à flora intestinal, como os iogurtes.
Ao mesmo tempo se deve evitar:
•    Excesso de cafeína, doces, guloseimas, carboidratos refinados, alimentos processados e gorduras de origem animal.
•    Tabagismo.
•    Sal em excesso, que pode aumentar a retenção de líquido no organismo.
•    Adoçantes com fenilalanina.
•    Café, chá verde e refrigerantes.
•    Alimentos muito condimentados.

Energia – Durante a amamentação, a nutrição deve ser  repleta de frutas, cereais integrais, laticínios, legumes e verduras, e evitar alimentos industrializados e muito gordurosos. A regra é vital porque, nessa fase, a nova mãe consome aproximadamente 500 calorias por dia, o que exige uma dieta com 1.800 a 2 mil calorias diárias e atividades física para enxugar de 500 gramas a 1 quilo por semana – ela voltará a ter o peso anterior à gravidez, em média, entre nove meses e um ano após o parto. Outra orientação diz respeito à hidratação. Para suprir a produção do leite e as próprias necessidades, a lactante precisa ingerir cerca de 2 litros de água por dia, além dos líquidos já contidos em frutas, sopas, sucos e na alimentação de modo geral – o total deve girar em torno de 4 litros diários. As demais orientações incluem:
•    Pelo menos três frutas frescas por dia.
•    Legumes e verduras ao almoço e jantar.
•    Peixe bem cozido ou carnes magras em uma das refeições principais, como o jantar.
•    Arroz, massa ou batata nas refeições principais. A porção não deve ir além da metade do prato.
•    Três doses de laticínios por dia, como um copo de leite, uma fatia de queijo minas e um iogurte, por exemplo.
•    Pequenas quantidades de alimentos com carboidratos aos lanches, como 30 gramas de cereais, um pão integral, um pão de centeio ou duas torradas, por exemplo.
•    Chás de camomila, gengibre e alfazema, que ajudam a melhorar as cólicas do bebê.
•    Ter atenção especial com o leite de vaca e outros alimentos com leite – bolos, biscoitos, arroz-doce etc. – que podem causar cólicas no bebê. Nesses casos, a pediatra costuma orientar a lactante a beber leite sem lactose.
Por outro lado, a lactante deve evitar:
•    O excesso de feijão, ervilha, nabo, couve-flor e alimentos que provoquem gases e cólicas no bebê.
•    Chás que podem alterar o gosto do leite, como chá de kava-kava, carqueja, angélica, ginseng, raiz de alcaçuz e de palmeira-anã.
•    Frituras, embutidos, queijos gordos e refrigerantes, devido à grande quantidade de gorduras e açúcares.
•    Tabagismo e bebidas alcoólicas.
•    Café, chá verde, chá preto, chá mate e refrigerantes com cafeína, porque esta substância passa para o leite e o bebê tem dificuldade em eliminá-la, o que provoca insônia no bebê – e nos pais, claro.
•    Bebidas alcoólicas. O álcool passa para o leite materno e o bebê não tem como eliminar a substância do organismo, o que pode prejudicar seus fígado e rins.
•    Adoçantes e alimentos diet ou light. Ainda não há estudos conclusivos que os mesmos sejam inofensivos à saúde do bebê.




Fonte: FC edição 959- novembro 2015
Postado por: Família Cristã




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