Lugares incomuns

Data de publicação: 11/10/2017

Por César Vicente


Na contramão do turismo de massa, estrangeiros vêm ao País em busca do que temos de melhor: o povo brasileiro

Se o melhor da festa é esperar por ela, o Rio de Janeiro (RJ) já vive o clima olímpico. Particularmente o setor hoteleiro. A expectativa do Ministério do Turismo é que ao menos 500 mil turistas visitem a Cidade Maravilhosa durante os Jogos Olímpicos, que irão de 5 a 21 de agosto. O otimismo é avalizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que, em maio, discordou de especialistas de saúde de diversos países que publicaram uma carta solicitando que a Olimpíada fosse adiada ou retirada do Rio devido ao risco de uma epidemia de zika. O Hotel Copacabana Palace, por exemplo, já tem todos os seus 239 aposentos reservados. Ali, apenas a equipe da tevê NBC, dos Estados Unidos, hospedará 450 profissionais entre jornalistas e equipe técnica que trabalharão na disputa. “Vai ser um período movimentado. E o fato de o Rio concentrar todas as competições será ótimo”, afirma Andréa Natal, diretora-geral da maior referência da hotelaria carioca.
As opções de hospedagem, porém, não se restringem a estabelecimentos cinco estrelas. Como já ocorre há décadas no Hemisfério Norte, principalmente na Europa, o Brasil oferece alternativas que contemplam um público, na maioria composto por estrangeiros, que busca experiências que o aproxime mais da cultura e das cores locais. E este não é desprezível. Segundo o Ministério do Turismo, dos 5,8 milhões de visitantes internacionais que estiveram no Brasil em 2013, 26,4% optaram por ficar na casa de amigos e parentes, 11,2% em casas alugadas e 5% foram para albergues e campings, índice que chegou a 10,6% em 2014, durante a Copa do Mundo. Outra opção de pousada que, no Brasil, desponta na preferência de turistas estrangeiros e domésticos é a do tipo cama e café, ou internacionalmente conhecida como bed and breakfast – veja o boxe à Pag. De preços mais acessíveis, os serviços são oferecidos por casas de família que, mediante certas regras, fazem as vezes de hospedarias informais.

Hospitalidade – Bastante procurados em eventos internacionais como Copas do Mundo, Jogos Olímpicos e a Jornada Mundial da Juventude, os bed and breakfast são reconhecidos pelo Ministério do Turismo por atenderem a uma demanda específica, ampliarem a oferta de leitos a preços acessíveis e promoverem uma interação dos turistas com a cultura local. “A diferença de um hostel, ou albergue, para um bed and breakfast é que o segundo é pessoa física. Ele se caracteriza por ser um imóvel em que seu proprietário aluga até três quartos para viajantes e ali reside, respondendo pela entrada e saída deles, ou o check-in e o check-out, troca de roupa de cama e serviço de café da manhã. Mais do que isso já vira albergue e é preciso alvará de funcionamento como hospedagem”, explica Carla Lee Burnet, secretária da Associação de Cama & Café e Albergues do Estado do Rio de Janeiro (ACCARJ), que reúne 48 estabelecimentos entre albergues e bed and breakfasts, em um total de 1.400 leitos, 97,5% dos quais já reservados para a época da Olimpíada.
É bom não confundir bed and breakfast com alguém que aluga o quarto dos fundos. “É preciso ser um bom hoster, ter hospitalidade, e receber as pessoas com um serviço de qualidade”, esclarece Carla. “Esse procedimento precisa fazer parte do nosso dia a dia se quisermos nos estabelecer”, concorda Obi Basílio, estudante do curso de Turismo e Hotelaria da Faculdade Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e gerente do Rocinha Guest House, o primeiro bed and breakfast a se instalar na maior favela do Rio de Janeiro, em 2014, como resultado da chegada ali, em 2012, da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). “Em nossas vidas não houve muita diferença com as UPPs, mas as pessoas de fora se sentiram mais seguras para virem aqui, o que favoreceu certos empreendimentos e aumentou a renda local”, diz Obi, que toca o negócio ao lado da mãe, Neusa Basílio, responsável pela cozinha e arrumação dos três quartos e nove leitos. Antes, a família mantinha em casa uma pequena cozinha industrial servindo refeições para empresas.

De volta – Em seus dois anos, o Rocinha Guest House já acolheu turistas alemães, ingleses, italianos, japoneses, australianos e até brasileiros. “Os estrangeiros nos procuram mais porque têm a mente aberta, são menos medrosos e não se deixam levar tanto pela propaganda da grande mídia daqui que põe a violência das comunidades cariocas em primeiro plano. Aos poucos, porém, os brasileiros vêm entendendo nossa proposta de apresentar uma interação com a cultura da comunidade ou, como muitos que moram aqui preferem falar, favela mesmo”, avalia Obi. Nos pacotes oferecidos por ele constam festas, bares, shows, passeios a pontos turísticos da Rocinha e tudo mais que uma comunidade carioca pode oferecer e foge dos lugares comuns que o turismo de massa elege como preferidos. “O que mais os encantam é a expansividade do brasileiro e o fato de as pessoas se importarem com eles. E deve ser realmente verdade, pois se não fosse eles não voltariam, como muitos já fizeram”, garante. 

Box
Vivendo em família
O modelo bed and breakfast de hospedagem surgiu na Irlanda em 1945 e aos poucos se espalhou pela Europa e o resto do mundo, consolidando-se como um meio familiar de oferecer pousada a viajantes. Oficialmente, ele chegou à cidade do Rio de Janeiro (RJ) em 2004, quando foi reconhecido pela prefeitura local. Em 2010, foi regulamentado pelo Ministério do Turismo como uma prática nacional.
Para estudantes interessados em fazer intercâmbio cultural em outros países, o bed and breakfast pode ser a melhor opção – além de mais barata –, pois a convivência em casas de família estrangeiras os ajuda na fluência do idioma local, a ter mais informações sobre a cultura nativa e a se integrarem a um lar. Para pesquisar e ter acesso a informações em mais de 190 países, você pode acessar os sites especializados www.airbnb.com.br e www.wimdu.com.br, inclusive se estiver interessado em se tornar hospedeiro.





Fonte: FC edição 967- julho 2016
Postado por: Família Cristã




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