Livre para mamar

Data de publicação: 13/10/2017

Por Nathan Xavier

Apesar de todos os benefícios do aleitamento materno, uma lei só recentemente aprovada na cidade de São Paulo garante à mãe o direito a amamentar em público

Toda criança tem o direito ao aleitamento materno, e a mãe, o direito e o dever de fornecer essa amamentação. Por isso, as leis brasileiras garantem a licença-maternidade de 120 dias, no mínimo, para empresas privadas e 180 dias para as trabalhadoras em serviço público. Outras leis garantem creches e momentos para a mãe se ausentar do trabalho para o aleitamento. Porém, apesar da garantia legal sobre o direito mãe-bebê a respeito da amamentação em relação às empresas, o dia a dia traz uma questão que, para algumas pessoas, é um tabu: a exposição do seio em público no momento do aleitamento. Algo que deveria ser natural e simples, mas que causa constrangimento a muitas mães.
O ideal é que a mãe possa amamentar em local calmo e silencioso, por ser mais benéfico ao bebê, mas nem sempre isso é possível. Existem momentos em que a criança chora de fome, tal situação pode ocorrer em um parque, num shopping, ou na rua. É nessa hora que algumas mães ficam com certa apreensão em expor o seio, mas enfrentam a vergonha priorizando, com razão, a fome do filho. Algumas vezes surgem olhares de reprovação. Luciana Volk de Almeida, mãe do Murilo de pouco mais de 1 ano, resume bem a questão: “Às vezes, dependendo do lugar, a gente não fica à vontade. Mas o problema é de quem se sentir incomodado e é problema meu também se eu me sentir incomodada. Vergonha (de amamentar o Murilo em público) nunca tive, mas às vezes você não fica confortável com as pessoas olhando”.

“Mamaço” – Infelizmente, há casos em que a reprovação ultrapassa apenas o olhar e se torna verbal. Foi o que aconteceu com a turismóloga Geovana Cleres e a pequena Sofia, na época de apenas um ano e quatro meses. Geovana estava na unidade Belenzinho do Serviço Social do Comércio (Sesc), de São Paulo (SP), quando abaixou a blusa para amamentar a filha e, imediatamente, foi repreendida por uma monitora do espaço infantil, dizendo que ali não era permitido “comer” e que outras crianças podiam ficar olhando e sentir vontade de mamar também. Dias depois, Geovana e diversas mães organizaram um “mamaço” no local, em protesto. A entidade desculpou-se pelo ocorrido dizendo que foi um problema pontual e que o Serviço Social do Comércio Belenzinho possui área reservada para que as mães amamentem de forma mais confortável, mas que não há problema caso queiram amamentar nos espaços de circulação do público. É preciso ressaltar que vários estabelecimentos possuem esse tipo de espaço reservado, mas nem sempre suficientes em número.
O incidente estimulou a Câmara de Vereadores de São Paulo a aprovar uma lei, sancionada pelo prefeito Fernando Haddad, que multa em 500 reais o estabelecimento que proibir ou constranger uma mulher durante a amamentação. Mesmo porque Geovana não foi a única a sofrer constrangimento. Josiane Ribeiro já passou por problema  parecido. Mãe de dois filhos pequenos, Artur e Júlio, ela relatou ao Portal IG que também estava na mesma unidade do Sesc quando o filho menor quis mamar. Uma funcionária do local apareceu e pediu que Josiane se dirigisse à sala de amamentação, já que ali era proibido “se alimentar”. “Eu bati de frente e não parei de amamentar o Júlio, porque eu sabia que não estava fazendo nada de errado. E não tinha o menor cabimento eu me levantar para ir a essa sala, deixando meu outro filho sozinho no espaço infantil. Uma mãe que ainda não tem consciência desse direito, porém, teria aceitado e ido para a salinha, se sentindo culpada por algo natural”, conta Josiane.

Importância – Os benefícios do aleitamento tanto para a mãe quanto para o bebê já são comprovados por inúmeras pesquisas ao redor do mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o aleitamento materno deve ser exclusivo até os 6 meses de idade do bebê. Isso quer dizer que nem água precisa fornecer à criança. Após esse período, pode-se introduzir água e outros tipos de alimento. Segundo a OMS, o aleitamento materno é recomendável até os 2 anos de idade.
Ana Daniela Izoton de Sadovsky, gastropediatra e professora do Departamento de Pediatria da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), explica que o leite humano possui em sua composição uma série de nutrientes e anticorpos, sendo um alimento completo e suficiente para garantir o crescimento e desenvolvimento saudável do bebê durante os primeiros dois anos de vida. É também de fácil e rápida digestão, completamente assimilado pelo organismo infantil. Os benefícios emocionais também fazem toda a diferença, favorecendo o vínculo mãe-filho e facilitando o desenvolvimento emocional, cognitivo e do sistema nervoso da criança. Ana ressalta ainda a questão da higiene: “O peito sempre tem leite materno na temperatura correta, sem contaminação e limpo! Bem diferente do uso de utensílios como mamadeiras e bicos que precisam de fervura ou esterilização”.




Fonte: FC edição 953- maio 2015
Postado por: Família Cristã




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