Romantismo ou respeito?

Data de publicação: 06/11/2017

Por Pe. Reginaldo Carreira                             


Paixão! Eis uma palavra com significados diversos e às vezes contraditórios. A paixão de Jesus, que foi seu sofrimento amoroso por nós, sua via crucis, sua entrega cheia de ardor pela salvação da humanidade; o entusiasmo que se tem por algo ou alguém, pelo trabalho ou pelo grupo em que se vive; a paixão que antecede um amor maduro e equilibrado, mas que não precisa ser excluída desse amor: aquela do namoro, da cumplicidade daqueles que se perceberam atraídos e unidos. Esta paixão impulsiona, mas acaba por cegar, se não for acompanhada de maturidade e fé, de forma a se tornar amor de fato.
Paixão, amor, atração, sexo, malícia, carinho, carícia, tudo se tornou “sinônimo” na linguagem popular, mas etimologicamente (e sensatamente!) não significam a mesma coisa. Não estou saindo em defesa do romantismo por si só, mas do respeito, e da maneira humana e cristã de encarar os fatos.
Como alguém “apaixonado” por música, preciso dizer que existe muita coisa boa, mas alguns “sucessos” são desanimadores. A palavra pode até ser pesada, mas virou baixaria, aprovada! Quando ouvia há algum tempo, nas letras de músicas, as mulheres sendo chamadas de éguas e cachorras, achei que havíamos chegado ao extremo e que não poderia ser pior. Mas pode! Em nome do “amor” e da “paixão” tudo pode: sem compromisso, sem culpa, sem responsabilidade, sem futuro. Afinal, dirão: - “este tipo de pensamento é um preceito e regra moral para limitar a liberdade das pessoas e, especialmente das mulheres que sempre foram reprimidas pela sociedade, em sua sexualidade e sensualidade!” Mas o que vemos, após a “paixão passar”, é uma triste estatística (e gradativamente aumentando) de jovens frustrados no amor e na afetividade, inseguros para assumir um relacionamento e infelizes por isso, casais recém-casados se separando, pela simples incapacidade de se sentirem vinculados numa vida a dois.
Evoluir é crescer − Outros ainda podem dizer: − “Isso é conversa da Igreja que quer jovens alienados, pois não aceita que é preciso se atualizar segundo a evolução natural da humanidade, que não está ligada à uma religião!”. Me desculpem, mas evolução é crescimento! Significa que algo está progredindo, enriquecendo, melhorando, e não creio que relacionamentos frágeis, desorientação, instrumentalização do outro sejam sinais de evolução. Muito menos que seja uma questão religiosa, mas sim humana. E entendo que de humanidade, Jesus, aquele que nos “religa” a Deus, conhece bem!
Mas então o mundo está perdido? Não está! Você pode fazer a diferença. Namoro santo, compromisso com Cristo e com o outro, responsabilidade com os sentimentos do outro, fidelidade, honestidade, castidade são valores perenes, possíveis, viáveis e necessários no mundo de hoje. É preciso coragem, e maturidade humana e cristã para assumi-los e testemunhá-los, humildade para recomeçar sempre que necessário, e convicção de fé para manter seus propósitos. Termino com um trecho da Carta aos Hebreus, que tem o objetivo de incentivar os cristãos a serem perseverantes e fiéis diante das perseguições e lutas, e que combina bem com o objetivo desta reflexão: “Não percais esta convicção a que está vinculada uma grande recompensa, pois vos é necessária a perseverança para fazerdes a vontade de Deus, e alcançardes os bens prometidos. Não somos absolutamente de perder o ânimo para nossa ruína; somos de manter a fé, para nossa salvação!” (Hb 10, 35-36.39)

Destaque:

Não somos absolutamente de perder o ânimo para nossa ruína, somos de manter a fé, para nossa salvação




Fonte: FC edição 918- junho 2012
Postado por: Família Cristã




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