Dia Mundial dos Pobres

Data de publicação: 16/11/2017

Por Moisés Sbardelotto

Na Evangelii Gaudium, retomando uma frase de Bento XVI, o papa reitera que “hoje e sempre, os pobres são os destinatários privilegiados do Evangelho”

Neste dia 19 de novembro, celebra-se uma data histórica, o 1º Dia Mundial dos Pobres, convocado pelo papa Francisco. A celebração foi instituída pelo pontífice na conclusão do Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, em 2016, a ser lembrada sempre no 33º Domingo do Tempo Comum do Ano Litúrgico, o domingo anterior à solenidade de Cristo Rei. Na carta apostólica de encerramento do Jubileu, Francisco explicou que a nova festa “será a mais digna preparação para bem viver a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, que se identificou com os mais pequenos e os pobres e nos há de julgar sobre as obras de misericórdia. Será um dia que vai ajudar as comunidades e cada batizado a refletir sobre como a pobreza está no âmago do Evangelho e a tomar consciência de que não poderá haver justiça nem paz social enquanto Lázaro jazer à porta da nossa casa”.
A primeira mensagem para esse dia traz o título “Não amemos com palavras, mas com obras”, trecho da Primeira Carta de São João (1Jo 3,18). Retomando os primórdios da Igreja, Francisco lembra que um dos primeiros sinais com os quais a comunidade cristã se apresentou ao mundo foi justamente o serviço aos mais pobres. Embora tenha havido desvios ao longo da História, quando alguns cristãos se deixaram “contagiar pela mentalidade mundana”, houve também vários homens e mulheres que ofereceram a sua vida ao serviço dos pobres. E, como ícone desse 1º Dia Mundial dos Pobres, o papa destaca o exemplo de Francisco de Assis, cujo testemunho “mostra a força transformadora da caridade e o estilo de vida dos cristãos”.

Obras concretas – Para o pontífice, os pobres são “a carne de Cristo”: “Se realmente queremos encontrar Cristo, é preciso que toquemos o seu corpo no corpo chagado dos pobres, como resposta à comunhão sacramental recebida na Eucaristia. O Corpo de Cristo, partido na sagrada liturgia, deixa-se encontrar pela caridade partilhada no rosto e na pessoa dos irmãos e irmãs mais frágeis”. E cita uma pungente frase do bispo São João Crisóstomo: “Queres honrar o corpo de Cristo? Não permitas que seja desprezado nos seus membros, isto é, nos pobres que não têm o que vestir, nem o honres aqui no tempo com vestes de seda, enquanto lá fora o abandonas ao frio e à nudez”.
Em vários momentos de seu papado, Francisco destacou a importância dos pobres e da pobreza para a experiência cristã. Na Evangelii Gaudium, retomando uma frase de Bento XVI, o papa reitera que “hoje e sempre, os pobres são os destinatários privilegiados do Evangelho”. E frisa: “Há que se afirmar sem rodeios que existe um vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres” (n. 48). “No coração de Deus” – continua o papa –, “os pobres ocupam um lugar preferencial, tanto que até Ele mesmo ‘se fez pobre’. Todo o caminho da nossa redenção está assinalado pelos pobres” (n. 197). Por isso, conclui com um pedido, que simboliza todo o seu pontificado: “Desejo uma Igreja pobre para os pobres” (n. 198).
Na sua mensagem, Francisco lembra ainda que, para os discípulos de Cristo, a pobreza é, antes de mais nada, “uma vocação a seguir Jesus pobre. É um caminho atrás d’Ele e com Ele”. Por isso, ressalta que é preciso “contrapor as palavras vazias, que frequentemente se encontram na nossa boca, às obras concretas, as únicas capazes de medir verdadeiramente o que valemos”. Quem pretende amar como Jesus amou, explica, “deve assumir o seu exemplo”, pois a predileção de Jesus pelos pobres é “um elemento requintadamente evangélico”.
Nesta nova celebração, a Igreja é chamada pelo papa “a estender a mão aos pobres, a encontrá-los, fixá-los nos olhos, abraçá-los, para lhes fazer sentir o calor do amor que rompe o círculo da solidão”. Para festejar esse dia, Francisco sugere algumas obras concretas. Por exemplo, que “as comunidades cristãs se empenhem na criação de muitos momentos de encontro e amizade, de solidariedade e ajuda concreta” aos pobres. Que elas os convidem para “participarem, juntos, na Eucaristia desse domingo, de modo que, no domingo seguinte, a celebração da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo resulte ainda mais autêntica”. Aproximar-se dos pobres do nosso bairro e da nossa comunidade, segundo o papa, é “um momento propício para encontrar o Deus que buscamos”. Ao acolhê-los “como hóspedes privilegiados à nossa mesa”, eles “poderão ser mestres que nos ajudam a viver de maneira mais coerente a fé”.

Consciência de fé – Recentemente, Francisco também fez diversos gestos para expressar essa “opção fundamental pelos pobres”. O primeiro deles foi em sua viagem a Bolonha, na Itália, no início de outubro, onde promoveu um almoço de solidariedade com os pobres, os refugiados e os detentos. Mas o que chamou a atenção foi o local escolhido para essa refeição: o próprio interior da Catedral de São Petrônio, símbolo dessa cidade italiana.
Em seu discurso de acolhida, Francisco afirmou: “Que alegria vê-los tão numerosos nesta casa! É precisamente como a casa da nossa Mãe, a casa da misericórdia, a Igreja que a todos acolhe, especialmente aqueles que precisam de um lugar. Vocês estão no centro desta casa. A Igreja quer vocês no centro. Ela não prepara um lugar qualquer ou diferente: no centro e juntos. A Igreja é de todos, particularmente dos pobres. (…) Nesta casa, normalmente, celebra-se o mistério da Eucaristia, a mesa sobre a qual depositam-se o pão e o vinho, que se tornam o Corpo e o Sangue de Jesus, partido e derramado pela multidão de homens por Ele amados. Que estranha a matemática de Deus: só se multiplica quando se divide! Preparemos sempre uma mesa de amor para aqueles que precisam!”.
Outro gesto muito significativo envolveu os pobres de uma periferia ao mesmo tempo geográfica, existencial e social da Igreja no Brasil. Foi no dia 15 de outubro passado, quando Francisco convocou uma assembleia geral do Sínodo dos Bispos especialmente dedicada à Região Pan-Amazônica, a ser realizada em outubro de 2019. O principal objetivo, afirmou o papa, será “identificar novos caminhos para a evangelização dessa porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, muitas vezes esquecidos e sem a perspectiva de um futuro sereno, também por causa da crise da Floresta Amazônica, pulmão de grande importância para o nosso planeta”.
Em suma, como afirma o pontífice em sua mensagem, este novo Dia Mundial dos Pobres é um forte apelo à nossa consciência de fé, na convicção de que “partilhar com os pobres permite-nos compreender o Evangelho na sua verdade mais profunda”.




Fonte: FC edição 983- novembro 2017
Postado por: Família Cristã




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