Exercite-se para viver melhor

Data de publicação: 30/11/2017

Por Sara Vasconcelos

Um minuto só, mas aproveite-o para se dedicar a uma atividade física, e o benefício não será apenas para o corpo, mas proporcionará bem-estar geral,  priorizando a saúde.

O seu cotidiano segue o pique de escritório, reuniões, compromissos pessoais e faculdade? Depois de um dia difícil, você ainda tem que encarar o trânsito, chuva e tarefas domésticas? Se você se identificou, provavelmente dirá que, ao final dessa maratona toda, não sobra tempo para se exercitar. E pior, seu corpo já começa a dar sinais de não ter mais o fôlego de antes. Fato é que o estilo de vida contemporâneo empurra as pessoas para o sedentarismo.  Mas mudanças de hábitos e até saber aproveitar as brechas que surgem, entre tantas atividades, podem melhorar a qualidade de vida.
Para o fisiatra e médico do esporte Roberto Vital, a tão habitual falta de tempo não passa de falácia. Dedicar tempo para se exercitar deve ter o significado de priorizar a saúde. Isso porque as atividades físicas trazem benefício não apenas para o corpo, mas proporciona bem-estar geral. Além de melhorar a flexibilidade e resistência, o organismo, ao ser exercitado, libera substâncias que melhoram a autoestima e a imunidade. “O exercício físico é quase uma vacina”, observa o médico.
E, como todo “medicamento”, também é preciso uma avaliação médica antes de começar a se movimentar. Marque uma consulta com um médico do esporte, cardiologista, ortopedista ou fisiologista. Os exames irão mostrar se você está apto para a prática de atividades físicas, doenças cardiovasculares e genéticas, além de analisar o condicionamento físico. O segundo passo é a orientação de um profissional de Educação Física.
Durante a atividade, é preciso repor líquido. Não se esqueça de usar roupas e tênis adequados, de ingerir algo leve antes dos exercícios e, depois da malhação, comer normalmente. “Sem cuidar de uma dieta balanceada, não há resultados”, ressalta dr. Roberto Vital.
Em geral, qualquer atividade física pode ocasionar lesões. Os exercícios de grande esforço, que oferecem resultados em menor tempo, apresentam maior risco. Muitas lesões ocorrem por esforços repetitivos. Alongue antes de iniciar e faça intervalos entre uma série e outra. A dor é o sinal de alerta de que você ultrapassou o limite do seu corpo e não está no ritmo certo. “É como um remédio. Se você toma demais, pode ter intoxicação. Se a dosagem for mínima, não faz efeito. É preciso respeitar a dosagem certa”, ilustra o fisiatra.
O tipo de atividade também deve considerar a faixa etária. Para crianças e adolescentes, não é recomendado atividade de musculação em academia. Como o corpo está em crescimento, explica dr. Roberto Vital, “exercícios de força e aeróbios, como natação, que favoreçam a parte óssea, são mais indicados”. Os de maior rendimento físico, como musculação e corrida, que trabalham força, resistência e flexibilidade, são aconselhados para adultos e idosos.
Mas não se engane: ritmo não tem a ver com idade, mas com condicionamento físico. Se você só agora resolveu tirar a poeira do tênis e caminhar no parque ou ruas próximos onde mora, não tente disputar com aquele casal de terceira idade, que cumpre religiosamente o ritual.

Mexa-se! − Em qualquer atividade, o ideal é manter a regularidade de três vezes por semana, até 40 minutos por vez. E se é pedir demais, fracione o tempo. Separe 15 minutos pela manhã, à tarde e à noite para mexer o corpo. “Qualquer atividade é melhor que nenhuma”, lembra o personal trainer Luzielson Baracho Ribeiro.
Caminhar é a forma mais fácil, pois não exige habilidade, é barato, pode ser feito a qualquer hora do dia e não tem restrição de idade. É importante manter um ritmo constante por tempo determinado e ir aumentando com o passar do tempo. “Isso melhora a circulação sanguínea, fortalece ossos e queima calorias”, diz Luzielson Ribeiro.
O problema ainda é tempo? Na ida ao trabalho, desça do ônibus ou estacione o carro algumas quadras antes e caminhe um pouco. Se for próximo a sua casa, vá de bicicleta. Abandonar o elevador e subir alguns lances de escada pode contribuir de forma benéfica em diversas frentes. “Esses exercícios fortalecem a musculatura das coxas, pernas e glúteos e auxiliam no sistema cardiorrespiratório”, destaca.
No congestionamento, ao invés de deixar os braços estendidos sobre a direção, tentar flexionar os cotovelos, girar os pulsos, contrair as mãos e mesmo alongar o pescoço ajuda a aliviar a tensão. Até para quem precisa ficar muito tempo em frente ao computador existe saída. Alongar o pescoço ou fazer movimentos circulares com os ombros e pulsos, a cada hora, evitam lesões. Mesmo sentado, dá para trabalhar os músculos da barriga e glúteos. É só contrair por alguns segundos e em seguida soltar.
 Na sala de espera, aproveite para ficar na ponta dos pés e volte ao normal. Repita o exercício dez vezes, faça pausa e retome. Além de trabalhar a panturrilha, melhora a circulação sanguínea e a sensação de cansaço no fim do dia.
Exercícios ao ar livre, como yoga, tai chi chuan ou mesmo pilates, podem ser boas alternativas. Em muitos parques e praças, profissionais especializados dão aulas gratuitas. “Muitas pessoas acham que é relaxamento, mas também trabalha força, contração muscular, respiração e requer boa concentração”, observa Luzielsen Ribeiro. É importante escolher fazer algo que se goste e contar com um bom profissional. “Isso facilita a continuidade”, acrescenta.

Mais qualidade de vida − Com a dificuldade para acordar muito cedo e o cansaço de ir para a academia depois do trabalho e do mestrado, o horário de almoço foi a solução para o administrador de empresas Diego Freire, de 28 anos. O intervalo é usado para cuidar não só da saúde e deixar o estresse no saco de pancadas. “Tive que fabricar tempo. O importante é se cuidar”, afirma. 
O sedentarismo, os maus hábitos alimentares e o tabagismo renderam um susto à estudante Débora Bessa, de 21 anos. “Procurei o médico e ele disse que ou eu mudava ou teria um infarto.” Voltando para a casa, após a jornada de faculdade e estágio, ela aproveita para se mexer na praça. “Eu alterno para não enjoar. Não tenho paciência para academia. Dias eu corro, outros só caminho e quando trago os patins, aí vira festa”, conta. Uma dieta equilibrada e sem cigarros completa a receita. “Antes ao menor esforço me sentia cansada”, afirma.
Em algumas empresas, a ginástica laboral já é uma realidade que traz benefícios para os funcionários e melhora o rendimento. “Chega uma hora que isso reflete na concentração, na vista, além do corpo estar moído. Então, você faz uma pausa para exercícios simples, de alongamentos e respiração, e se sente bem melhor”, observa Ana Cláudia Silveira, 23 anos, que trabalha na indústria de confecção. 




Fonte: FC edição 915- março 2012
Postado por: Família Cristã




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