Um ritual a serviço da cura

Data de publicação: 04/12/2017

Por Frei Luiz S. Turra, ofm cap. *


Desde a Constituição Apostólica sobre o Sacramento da Unção dos Enfermos, de Paulo VI, a Igreja dispõe de um ritual com oito formas adequadas às diversas circunstâncias.


Os rituais da Igreja Católica que respondem aos apelos de renovação do Concílio Vaticano II não partem de uma tendência ritualista. Fundamentam-se em bases bíblicas e cristológicas na tradição apostólica e no magistério da Igreja, sempre buscando responder aos desafios pastorais de cada tempo. Pela sua riqueza e amplidão, o ritual da unção dos enfermos se constitui em um verdadeiro manual de Pastoral dos Enfermos. A Igreja tem consciência de que, ao cuidar dos doentes, está prestando um serviço ao próprio Cristo “que assumiu nossas dores”, pois dele somos os seus membros. A exemplo de Jesus, que “passou pelo mundo fazendo o bem e curando a todos” (At 10,38), também somos chamados a obedecer ao mandamento de cuidar dos enfermos de nosso tempo (Cf. Mc 16,18).
O antigo ritual previa duas formas de celebração para o sacramento da unção dos enfermos: a ordinária e a breve. Desde a Constituição Apostólica sobre o Sacramento da Unção dos Enfermos, de Paulo VI, no entanto, dispomos de um novo ritual, que começou ser usado a partir de 1º. de janeiro de 1974. Este traz oito formas propostas e adequadas às diversas circunstâncias: celebração da unção sem missa; da unção durante a Missa; da unção numa grande assembleia reunida sem missa; da unção numa grande assembleia com missa; rito integrando a celebração da penitência, unção e viático; celebração da unção sem viático; com um único enfermo; e com muitos enfermos. Nesta nova prática da Igreja há uma intenção declarada de que a palavra de Deus ressoe como força de vida no meio da fragilização humana e sua luz ajude a vivenciar o mistério pascal na cruz do sofrimento humano. Evidentemente não pode faltar a ênfase à unção afetuosa com o óleo consagrado.

Antes do rito – Bem sabemos o grau de sensibilidade que envolve o cenário do sofrimento humano. É sempre maior quanto mais grave vai se tornando a fragilidade. Além do mais, não podemos imaginar todos os ambientes iguais nem todos os modos de crer aproximados aos critérios da oficialidade eclesiástica. É verdade que a graça de Deus age mesmo sem nossa adesão, mas não podemos começar uma celebração da unção sem levar em conta o momento, o ambiente e a situação humana que nos cerca.
A porta favorável ou desfavorável para bem começar, ou mal começar, a celebração ritual abre-se pela relação humana que parte do coração. Quem chega para presidir, com ou sem a equipe que acompanha, necessita começar sintonizando com o clima que está vivendo o doente e quem o cerca. Não pode faltar o otimismo da esperança, mesmo que a situação seja terminal. A cordialidade solidária com que se chega para celebrar e como se trata as pessoas vai perpassar toda a celebração. O doente e quem cuida dele precisam de luz, conforto e coragem. A frieza de quem ministra poderá dificultar até mesmo a acolhida da graça que o sacramento oferece. Em nossos dias, quando parece diminuir a procura dos recursos da fé cristã, sentem-se cada vez mais a carência e a necessidade de se abrir portas a partir do lado humano para possibilitar a atuação de Deus no coração das pessoas.

Solidariedade da Igreja – A comunidade cristã pode cultivar um recurso imenso de ajuda para a vida saudável das pessoas, para dar sentido aos sofrimentos, enfermidades, à morte e ao luto. Se soubermos exercitar o que há de melhor em nossa missão pela caridade, o serviço, a justiça, as relações fraternas, a compreensão e a acolhida, o momento celebrativo do sacramento se tornará bem mais acreditável e eficaz. “Quando a Igreja luta pela saúde, alivia as penas de quem sofre, compartilha sua dor e atende suas necessidades, então pode dizer que continua a ação salvadora de Cristo com os enfermos. Então se faz sacrifício e oferenda que recorda e atualiza a grande oferenda de Cristo”, como nos diz o catedrático de liturgia e sacramentologia Dionisio Borobio em Celebrar para viver (p. 451).
O sacramento não é um rito isolado e ocasional. Começa e termina na vida. É a vida que lhe garante o contexto de compreensão, mas esta vida necessita se expressar e ser celebrada num sinal forte e importante. O rito sacramental da unção dos enfermos, mesmo que aconteça num momento breve, necessita ser vivido liturgicamente com toda a sua nobreza merecida.

Perguntas
1.    O que enriquece o ritual da unção dos enfermos?
2.    Para que servem as diversas formas do novo ritual da unção?
3.    Qual a importância do “antes” na administração do sacramento da unção?

*Frei Luiz S. Turra pertence à Ordem dos Frades Menores Capuchinhos.




Fonte: FC edição 957- setembro, 2015
Postado por: Família Cristã




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