Mexa-se contra a incontinência

Data de publicação: 12/12/2017

Por Karla Maria


A incontinência urinária atinge 10% da população mundial; saiba como preveni-la e combatê-la com exercícios físicos

Você está caminhando pela rua e de repente precisa apertar o passo à procura de um banheiro. Você está em uma roda de amigos ouvindo piadas e uma delas é tão boa, que você solta aquela risada que não sai sozinha. Você pega um objeto pesado e logo começa o constrangimento: a roupa molhada da urina que escapou sem o seu controle. Se você se identificou com alguma destas cenas, saiba que você não está sozinho, pelo contrário.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 10% da população mundial apresenta algum tipo e grau de incontinência urinária. No Brasil, estima-se que são 15 milhões de pessoas com esta disfunção, sendo 9% das mulheres e 4,5% dos homens.
De modo geral e popular, a incontinência é vista como um problema que afeta mulheres mais velhas, embora existam evidências que durante atividades físicas estressantes seja comum entre mulheres jovens, fisicamente ativas, a presença da incontinência, e é fácil entender o motivo, quando observamos as causas e o tipo de incontinência.
Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, as causas da incontinência podem ser genéticas, hormonais, por envelhecimento, por tabagismo, por bexiga hiperativa, lesões medulares ou doenças do sistema nervoso, já que estão divididas em três tipos: incontinência urinária de esforço, de urgência e mista.
A incontinência por esforço é aquela em que há perda de urina ao tossir, rir, fazer exercícios. A de urgência é quando há súbita vontade de urinar e a pessoa não consegue chegar a tempo ao banheiro e a mista é quando há associação dos dois tipos anteriores.
Na incontinência urinária de urgência, o mecanismo neurológico de controle da sensação da bexiga cheia não funciona, como nos bebês. “Neles, por exemplo, isto é automático, encheu a bexiga, os receptores dela captam o volume cheio e liberam (a urina). Isto é um controle reflexo, nevrálgico, neurológico. A incontinência urinária de emergência acontece quando há uma atividade anormal deste mecanismo. A bexiga enche, você não tem o controle voluntário deste músculo e ele simplesmente expulsa”, explica a fisioterapeuta e especialista osteopata Ana Paula Cochar.
Pessoas, portanto, que tenham sofrido um acidente com lesão medular, que têm alguma alteração de coluna, da parte que faz a enervação da bexiga ou qualquer problema de coluna, tipo hérnia de disco, lesão medular, vão ter uma alteração de bexiga e assim uma incontinência urinária associada.
Já a incontinência por esforço - o principal tipo de incontinência entre as mulheres (49%) - acontece por uma debilidade muscular. “A bexiga enche, o esfíncter é débil, fraco, impotente e simplesmente a urina sai. Este caso é muscular, ou seja, a incontinência urinária de esforço acontece por uma debilidade muscular”, aponta Ana.
Nos casos em que tanto a questão muscular quanto o mecanismo neurológico estão débeis, aí se apresenta a incontinência urinária mista.

Raio X da população brasileira – Entre as mulheres que possuem incontinência urinária, 50% são por esforço, por fraqueza muscular; 29% têm incontinência mista e 22% têm de urgência, por alguma disfunção neurológica. Já entre os homens o cenário se inverte: 73% têm incontinência de emergência por disfunção neurológica; 19% mista e apenas 8% por esforço.
“E aí a gente começa a entender por que a debilidade muscular é tão alta entre as mulheres. Falta exercício. Os exercícios de fortalecimento do assoalho pélvico envolvem diretamente o ânus e a vagina, partes do corpo que na mulher são deixadas culturalmente de lado, escondidas”, diz a fisioterapeuta lembrando, que a falta de exercícios de modo geral e específicos estão levando à maior incidência de incontinência.
Relatórios do Ministério da Saúde apontam que 35% das mulheres, após a menopausa, sofrem de incontinência urinária ao fazer algum esforço e 40% das mulheres gestantes vão apresentar um ou mais episódios de incontinência urinária durante a gestação ou logo após o parto.
Já entre os homens, a especialista lembra que há evolução de incontinência urinária após a extração da próstata (prostatectomia radical). Cerca de 5% dos submetidos a esta cirurgia apresentam o problema. Segundo estudo do urologista Cristiano Mendes Gomes, realizado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), 96% dos pacientes que fizeram fisioterapia como tratamento pós-cirúrgico adquiriram, após 12 meses, a continência e aceleraram sua recuperação. Os exercícios de contração da musculatura do assoalho pélvico podem ajudar a reduzir ou até a curar a perda involuntária de urina.
O tratamento fisioterápico, segundo Cristiano e Ana, tem grande importância na reabilitação do assoalho pélvico. O primeiro passo para o tratamento é buscar um médico urologista, ginecologista ou obstetra que vai identificar o tipo de incontinência e dar ferramentas, informações para o trabalho do fisioterapeuta.
“É fundamental que as pessoas procurem ajuda logo que percebam que a incontinência está aparecendo. Os homens são mais práticos e tratam com mais facilidade, já as mulheres escondem e maquiam o problema com absorventes diários”, revelou Ana com base em experiências no seu consultório.
Este é o caso da paulistana Maria*. Aos 51 anos, mãe de três filhos, ela revela o incômodo de sua disfunção. “É uma situação muito desagradável e limitante. Às vezes penso se devo ou não sair de casa”, explicou a autônoma, que sempre leva uma muda de roupa consigo.
Mas Maria não está sozinha. Outra pesquisa, realizada na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM/Unicamp) com 164 mulheres com queixa de incontinência urinária, internadas em clínicas de ginecologia e urologia de dois hospitais-escola da cidade de Campinas (SP), com idades entre 25 e 85 anos, mostrou alterações em seu cotidiano (64%), dificuldades nas relações sexuais (40,9%), sociais (33,5%), domésticas (18,9%) e ocupacionais (15,2%).
“Seu efeito psicossocial (da incontinência urinária) pode ser mais devastador do que as consequências sobre a saúde, com múltiplos e abrangentes efeitos que influenciam as atividades diárias, a interação social e a autopercepção do estado de saúde”, aponta o estudo das pesquisadoras Maria Helena Baena de Moraes Lopes e Rosângela Higa.
“Observou-se que a incontinência urinária provoca sentimentos de baixa autoestima na mulher e interfere na sua vida sexual, restringe o contato social, interfere nas tarefas domésticas e no trabalho. Além disso, acarreta problemas econômicos devido a gastos com absorventes e, por vezes, ao impedir ou dificultar o trabalho remunerado fora de casa”, concluíram.

Boxe
Previna-se, é possível prevenir a incontinência com a realização de exercícios para o fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico. A seguir alguns exercícios para você fazer em casa. Para realizá-los contraia os músculos por dez segundos e depois relaxe-os por outros dez, como nas ilustrações a seguir.  Estes exercícios devem ser repetidos dez vezes, em três sessões semanais. É importante realizar o movimento com consciência.

 
Outras dicas
- Pratique exercícios físicos com regularidade;
- Suba e desça escadas;
- Segure o xixi de vez em quando;
- A dança do ventre é uma dica boa.




Fonte: FC edição 950- fevereiro 2015
Postado por: Família Cristã




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