Guarda compartilhada

Data de publicação: 05/02/2018


O vínculo conjugal pode se romper, mas o vínculo filial deve continuar para o bem e referência dos filhos, pois, pai e mãe unidos e cooperativos evitam o sofrimento das crianças



Sandra e José

Divorciados, pais de Bruno, 11 anos, e Isabela, 8. Optaram pela guarda compartilhada. Acharam-na a melhor solução, para eles e para os filhos. Contudo, apesar do consenso, o compartilhamento da guarda foi complicado, no princípio. O pai não tinha ideia clara e precisa do que é guarda compartilhada. Achava que podia pegar as crianças a toda hora, conforme sua disponibilidade.  Isso lhes bagunçava a rotina. Elas viviam pra lá e pra cá, sem disciplina, sem horários, ora na casa do pai, ora na da mãe, o uniforme, o material escolar, os temas... Tudo desorganizado. As crianças ficavam atrapalhadas, negligentes, sem combinações, sem referência de lar. Os pais queriam o bem dos filhos. Tinham acordado a guarda compartilhada para isso. Mas, magoados, desestabilizados, em conflito interno por causa do rompimento conjugal, não conseguiam conversar. E não conversando, não podiam, logicamente, se entender.

Jonas e Letícia
Pais de Milena, 10 anos, e de Manoela, 5. Apesar do divórcio, são parceiros na educação das filhas, benefício proporcionado pela guarda compartilhada. As filhas moram dois dias da semana com o pai e o restante com a mãe, alternando os fins de semana entre os genitores.
A rotina das meninas está bem estabelecida e organizada. Pai e mãe as acompanham nas tarefas escolares, atividades extraclasses, passeios, consultas médicas. São pais unidos e cooperativos. O vínculo conjugal se rompeu, mas o vínculo filial continua. Ainda têm objetivos comuns: cuidar da formação e da educação das meninas. A maturidade, o diálogo e a ausência de ressentimentos facilitam o relacionamento dos pais.

Guarda compartilhada
A guarda compartilhada, ao conceder aos pais, de forma equilibrada, a responsabilização e o exercício dos direitos e deveres concernentes ao poder familiar, é a que melhor atende aos interesses dos menores, que melhor os protege do sofrimento da separação dos pais. A família, na atualidade, passa por modificações e transformações. A guarda compartilhada surgiu em meio às adaptações do Direito de Família frente às novas realidades da família, como ferramenta auxiliadora no fortalecimento dos laços familiares, visando proteger os menores. Ela atende melhor aos anseios e necessidades sociasafetivas dos filhos do que a guarda unilateral.
Apenas como de informação, pois não estamos tratando dos aspectos legais desse assunto, lembro que a guarda compartilhada, no Brasil, foi instituída pela Lei nº  11.698, de 13 de junho de 2008, e cabe na ação de divórcio, na dissolução de união estável, ou na cautelar autônoma.

Vantagens
Os filhos do divórcio, ou da dissolução da união estável, têm o direito legal de serem cuidados pelos pais, e estes têm a obrigação de cuidá-los.  Consideremos algumas vantagens da guarda compartilhada: os menores convivem com ambos os genitores; a união e a cooperação dos genitores protegem melhor as crianças dos conflitos conjugais; as crianças sentem-se mais seguras e menos divididas e propícias a escolher com quem desejam ficar, se com a mãe ou o pai; dispensadas de ter que escolher com quem desejam ficar e percebem que tanto o pai quanto a mãe são indispensáveis na sua formação; os próprios genitores, ao dividirem o encargo, se sentem mais responsáveis pelos filhos.
Na guarda compartilhada, a convivência cotidiana e contínua favorece o vínculo, os laços fraternos, a formação sócio psicológica, ambiental, afetiva, espiritual e educacional dos filhos. A flexibilidade do ir e vir, a partilha das necessidades, ansiedades, dificuldades, com o pai, com  a mãe, possibilita, aos menores continua se sentindo amparados, protegidos e  cuidados como foram antes do divórcio dos pais. Mas não é só aos filhos que a guarda compartilhada favorece. Também aos pais, quando realmente assumem o compartilhamento e se comprometem, na divisão de tarefas, nos compromissos financeiros, fica menos pesado a perda do outro cônjuge, a educação e a criação dos filhos.

Desvantagens
O divórcio nunca é a situação ideal, tanto para os pais como para os filhos. Dele sempre decorrem desvantagens, para ambos os lados. Os genitores, por exemplo, terão que ter mais flexibilidade e disponibilidades de horários para conduzirem as crianças. Há crianças que se estressam e apresentam dificuldades de organização. Por estarem ora lá e ora cá, acabam esquecendo material escolar, uniformes, tênis, casacos, bilhetes da escola e até de fazer tarefas escolares. Outra desvantagem é quando os pais se encontram em conflito por não aceitar o fim do relacionamento conjugal e os filhos percebem o relacionamento hostil. A falta de combinações e acordos claros entre os genitores também salta aos olhos dos filhos. A comunicação entre os pais, após o divórcio, tem de ser dinâmica e muitas vezes ocorre só pelo celular, torpedos, internet, por recados escritos através das próprias crianças. Esse procedimento aumenta os conflitos, pois, quando os mesmos não conseguem dialogar, acordar, prejudicam os filhos. Há, ainda, na guarda compartilhada, a desvantagem de as crianças perderem a referência de lar. Isso tem surgido, algumas vezes, no consultório terapêutico. 

Genitores
A ruptura sempre traz dor e sofrimento às crianças.  Para que a guarda compartilhada se efetive, é necessário que os genitores mantenham o respeito mútuo, o diálogo, a capacidade e lucidez de acordar, fazer combinações, visando resguardar os laços familiares e o devido cuidado aos menores.
Mãe Maria, protege as crianças. Amém!

Por Cleusa Thewes, terapeuta familiar
Imagens Pixabay






Fonte: FC - Outubro 2013
Postado por: Família Cristã




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