Uma visita sagrada

Data de publicação: 16/03/2018

Uma visita sagrada

A Basílica de Sacré Coeur, em Paris, recebe cerca de 2 milhões de peregrinos anualmente e há 132 anos promove a adoração à Eucaristia ininterruptamente
Caminhar por Paris (França) é como sorver a história em pedaços, em bons pedaços. É apreciar a arte e a arquitetura com os olhos e senti-la sob os pés. É encher a alma daquilo que o humano é capaz de criar de bom, de belo, de sagrado. Prova disso está na colina de Montmartre, no bairro de mesmo nome, o de número 18, ao norte de Paris.
Em uma tradução livre, Montmartre significa monte dos mártires, e recebeu este nome por ter sido o lugar do martírio de São Denis, o primeiro bispo de Paris, no século 3º. Foi em Montmartre também que a Companhia de Jesus foi fundada por Santo Inácio de Loyola, São Francisco Xavier e seus companheiros, em 1534.
E lá, a 129 metros acima do nível do mar, está a Basílica de Sacré Coeur, um dos templos sagrados mais visitados no mundo, que recebe cerca de 2 milhões de peregrinos por ano.
Contam os historiadores que desde o início dos tempos Montmartre foi um lugar de culto. Primeiro os druidas gauleses, os romanos, com os templos dedicados a Marte e Mercúrio, e só depois, por volta do ano 475, Santa Genoveva (homenageada com imagens no templo) decidiu construir na colina uma capela para o povo parisiense rezar no local onde São Denis teria sido martirizado. 
Para chegar até este lugar sagrado de beleza e contextos históricos únicos, é preciso dar bons passos em um caminho bonito e multicultural. Ladeiras de paralelepípedo, ruas estreitas apinhadas de artistas locais, pinturas, lojas de alimentos artesanais, produtos típicos, além da invasão dos artigos chineses e lojas de roupas vão serpenteando o percurso.

Sob um enorme mosaico - Casas de espetáculo, bares, cafés, museus, apartamentos decorados com flores em seus parapeitos das janelas acentuam o clima boêmio e peregrino do famoso bairro da Basílica de Sacré Coeur, que mistura como poucos locais gente de fé e turistas.
O acesso até a igreja pode ser feito também por escadas ou de funicular (bonde) e, ao longe, já é possível observar a construção de mármore travertino branco que destila constantemente calcita, o que permite que o edifício continue branco apesar do tempo, das chuvas e da poluição.
Esta é uma das características que destacam a basílica dentre os principais monumentos de Paris, sua cor somada a seu estilo, um misto de românico e bizantino, que destoa dos demais de estilo gótico, renascentista ou neoclássico. Os franceses, de modo geral, não gostam muito da igreja. Eles dizem que as suas formas redondas não são elegantes e contrastam com a herança da Idade Média, o estilo gótico da bela Notre Dame de Paris.
As obras da Basílica de Sacré Coeur começaram em 1875 e terminaram apenas em 1914, sendo consagradas apenas em 1919 pelo cardeal Amette, sob a presidência do cardeal Vico, legado do papa Bento XV, após o fim da Primeira Guerra Mundial. Seu apelo arquitetônico e turístico é inquestionável, e dali, de onde está encravada a basílica, tem-se um panorama magnífico de toda a cidade francesa.

Ao final da tarde, em suas escadarias, gente de todo o mundo se reúne para saudar o sol, que se põe sob o horizonte da cidade-luz. O barulho da mistura de idiomas, a agitação das filas de peregrinos que passam pela revista de agentes de segurança, como prevenção a ataques terroristas, contrasta com o que se vê ao atravessar as portas da basílica: o verdadeiro sentido da existência daquele templo sagrado. 

Ali, entre as colunas de mármore cinza e obras de arte seculares, adora-se a Eucaristia de modo contínuo e ininterrupto, dia e noite, desde 1885. Peregrinos se espalham pela basílica em silêncio, oração e filas para acender velas, agradecer e adquirir artigos religiosos, lembranças de Montmartre, tudo sob um enorme mosaico, o maior na França, cuja instalação durou de 1900 a 1922.

O mosaico, com 475 metros quadrados, retrata a ressurreição de Cristo e, ao seu redor, há a representação de vários adoradores, incluindo os santos que protegem a França, como a Virgem Maria, São Miguel e Joana d’Arc, que foi canonizada em 1920 pelo papa Bento XV, tornando-se a padroeira da França.


Vista panorâmica - Grande parte da arte escultural que decora a igreja é do artista Hippolyte-Jules Lefebvre, incluindo o altar e duas esculturas equestres, no exterior do edifício, que representam o rei Luís IX, mais conhecido como São Luís, e a heroína Joana d’Arc.
Na cripta, estão as grandes estátuas em pedra de São Denis, Santa Genoveva, Santo Inácio e São Francisco Xavier. No meio dela, a capela da Piedade (Pietà), sustentando a nave. Na cripta escura, há também uma estátua da Virgem ao Pé da Cruz, além do túmulo de cardeais, a primeira pedra da basílica (diante do altar, no solo), um monumento à memória dos padres e seminaristas mortos durante as duas guerras mundiais e um Cristo feito de bronze muito venerado na Sexta-Feira Santa.
No mesmo espaço encontra-se a capela de São Pedro, cujas colunas suportam o altar da Basílica. Foi ali que Santa Terezinha foi orar em 1887, consagrando-se ao Sagrado Coração de Jesus com seu pai, o Bem Aventurado Luis Martin, e sua irmã Cecília.
No tesouro da basílica, encontram-se belos ornamentos, entre os quais a chasuble, ou casula, de consagração em lençol dourado, e a capa oferecida por Leão XIII, assim como numerosas oferendas (ex-votos) dos fiéis em sinal de reconhecimento e de graças alcançadas.
O complexo da basílica inclui um jardim com fonte, para meditação, um grande órgão, o sino Savoyard de 19 toneladas com 84 metros de altura, um dos mais pesados do mundo, um mosaico Christ em Gloire, criado por Luc-Olivier Merson, que está também entre os maiores do mundo, e um domo aberto à visitação, de onde se tem uma vista panorâmica da cidade.
O acesso ao domo se faz pelo exterior da basílica e para alcançá-lo é necessário fôlego. São mais de 300 degraus, sem elevador, mas a recompensa vale a pena. Do alto dos 200 metros, o ponto mais elevado de Paris, depois da Torre Eiffel, deslumbra-se uma paisagem que se estende por um raio de 50 quilômetros. Uma visita inesquecível em todos os sentidos.




Fonte: FC edição 974, fevereiro de 2017
Postado por: Família Cristã




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