Mudando a tela

Data de publicação: 20/03/2018

 
Com a pouca programação de qualidade na TV tradicional, o mundo on-line rouba cada vez mais a audiência, com programas profissionais de entretenimento e educativos
Cada vez que uma nova mídia surge, alguns fixam uma data de morte para a mídia antiga. Aconteceu assim com a imprensa escrita, o rádio, o telefone fixo e, agora, a TV. É verdade que às vezes os que preveem o apocalipse midiático acertam. O número de telefones fixos e os orelhões, por exemplo, cai cada vez mais. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Antael), de 2016 para 2017 o País perdeu mais de 1 milhão de telefones fixos. Quando a internet foi lançada, muitos previram a morte da televisão. Mas, de forma semelhante ao que acontece com a telecomunicação, a TV parece estar com os dias contados, ao menos no formato que conhecemos hoje. A turbulência começou de fato em 2005 quando Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim criaram o YouTube, um site que facilitou o compartilhamento e a divulgação de vídeos na internet, que, até então, era um processo caro e complicado. Em 2006, a revista norte-americana Time elegeu a plataforma de vídeos a melhor invenção do ano e, alguns meses depois, o YouTube seria comprado pela gigante Google por 1,65 bilhão de dólares.

Popularidade – Hoje, quando se fala de YouTube, as cifras são astronômicas. A plataforma tem mais de 1 bilhão de usuários, vendo bilhões de horas de vídeos, diariamente. É o terceiro site mais visitado (atrás de Google e Facebook), e detém 40% de todo o tráfego móvel da internet. A cada minuto são enviadas 48 horas de vídeos e, para se ter uma ideia do que isso representa, a cada mês o YouTube recebe mais horas de conteúdo do que todas as redes americanas de televisão produziram nos últimos 60 anos. Mas vídeos bobos e sem sentido à parte, há muito conteúdo sério, educacional e divertido, produzido de forma profissional, que coloca o site como um dos divulgadores de conteúdos mais interessantes da atualidade. Não é para menos que muitos canais do YouTube atraem cada vez mais público e, para sorte de seus criadores, anunciantes.
Os programas postados na plataforma também possuem duas grandes vantagens em relação à TV convencional: podem ser assistidos na hora que quiser e a interação quase imediata com os criadores. Ao invés de parecerem personalidades distantes, como os astros da TV, os chamados youtubers são pessoas comuns, como eu e você, que respondem aos seus comentários sobre os vídeos como se estivessem na sala da sua casa. Em sua maior parte, os youtubers são grandes formadores de opinião, e, por isso, também muito procurados por marcas que querem expor seus produtos. Exatamente como acontece na TV, é assim que eles ganham dinheiro. Felipe Neto é um dos mais conhecidos. Seu canal tem mais de 18 milhões de inscritos e fala sobre assuntos gerais, emitindo suas opiniões. No entanto, também toca em assuntos importantes e sérios, como quando falou sobre a depressão e o jogo da Baleia Azul, alertando seu público, formado em sua maioria por jovens e pré-adolescentes. O vídeo, que incentiva as pessoas a procurarem ajuda, foi assistido por mais de 7 milhões de pessoas e, nos comentários, são muitos os que agradecem a abordagem.
Mas nem só de opiniões vive os canais do YouTube. Caso do segundo maior canal de ciências da plataforma, o brasileiro Manual do Mundo. Iberê Thenório, dono do canal, explica que no início achava que não teria muita audiência. “Lembro que falava para meu pai que 50 mil inscritos seria nosso limite, que não tinha tanta gente interessada no que íamos falar.”  Hoje recebem esse número de inscrições por mês! Mari Fulfaro, sua esposa e ajudante, completa: “Chega um monte de mensagem de gente que acertou questão no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) ou em vestibular por causa do Manual do Mundo”.

Incentivos – Todos os canais mantêm estúdios próprios para as transmissões semanais de conteúdo e formam equipes que chegam a empregar até 20 pessoas. Mas a gigante da internet também procura incentivar mais pessoas a criarem e manterem os canais. É o caso do YouTube Spaces, um espaço físico para workshops, com estúdios e equipamentos, disponível gratuitamente e presente em nove países, dentre eles, o Brasil. Localizado no Rio de Janeiro, ao lado do Museu do Amanhã, é considerado o mais tecnológico da empresa. Com 3 mil metros quadrados, oferece oficinas e ferramentas profissionais de edição, câmeras sofisticadas, além de cenários que mudam com um toque no botão. Tudo gratuitamente.
A empresa também investe em conteúdo próprio, caso da Orquestra Sinfônica do YouTube. Músicos de diversos países são selecionados através de vídeos postados na plataforma. Após a seleção, treinam juntos e se apresentam. Na segunda edição, ocorrida em 2011, 101 músicos de 29 países foram escolhidos, apresentando-se na famosa Casa de Ópera de Sydney, na Austrália. A transmissão ao vivo do espetáculo pelo YouTube, com 2 horas e 20 minutos de duração, juntava imagens projetadas na parte interna e externa da Casa de Ópera com a música clássica e obteve mais de 33 milhões de visualizações.
Músicos entre 14 e 49 anos se apresentaram e, entre eles, os brasileiros: Assen Anguelov, Vasken Fermanian e Paulo Calligopoulos. “Foi surreal viajar até Sidney, conhecer a cidade, a cultura local, ter contato pessoal com um maestro como Michael Tilson Thomas, além de vários músicos da Filarmônica de Berlim e talentos musicais do mundo inteiro, foi realmente um sonho”, nos contou nos contou Paulo sobre a experiência. Era possível se inscrever como músico de orquestra ou solista, e Paulo passou nos dois: como violinista para a orquestra e solista na guitarra. Formado em piano pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e mestrado em violino pela Musik und Kunst Privatuniversität der Stadt Wien (Áustria), espera ansioso pela próxima edição, ainda sem data. “Essa iniciativa é genial, mas infelizmente ainda não a reprisaram. Eu utilizo o YouTube desde sua criação para a veiculação de meus vídeos.” Hoje Paulo utiliza a internet para dar aulas de música, e pessoas do mundo todo podem marcar aulas com ele. A linguagem musical é mesmo universal.
Há também muitos veteranos da TV com seus próprios canais. Caso de Marcelo Tas, que ficou conhecido por seus trabalhos infantis na TV Cultura e Cartoon Network. A jornalista Leda Nagle, que passou pela antiga TV Manchete, SBT e apresentava o programa Sem Censura, na TV Brasil, também tem seu canal de entrevistas. Grandes emissoras de TV tentam correr atrás do público que estão perdendo e, algumas, além de transmitirem ao vivo pelo YouTube, disponibilizam seu conteúdo na plataforma. É o que faz Record, SBT, TV Cultura e os católicos Rede Vida e Canção Nova. A Rede Globo entrou no mundo on-line, mas com uma plataforma própria, a Globo Play, também disponível como aplicativo para celulares. Tudo por influência do YouTube. Como assistiremos  à TV num futuro próximo, não sabemos exatamente. Mas temos certeza de já estar no meio de uma revolução na telinha.



Por, Nathan Xavier





Fonte: FC edição 986 Fevereiro 2018
Postado por: Família Cristã




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