Síndrome das pernas inquietas

Data de publicação: 13/04/2018


                 
Por, Carmen Maria Pulga
Síndrome das pernas inquietas: já ouviu falar?

Reconhecida oficialmente há cerca de dez anos,  essa síndrome  –  nem um pouco rara ou agradável – felizmente começa a ser desvendada
Você sente a necessidade imperiosa de mexer as pernas ao descansar depois de um dia de atividades intensas ou quando você começa a descontrair e a deslizar suavemente para o sono? Esteja atenta! Ao deitar, suas pernas começam a formigar; você sente uma vontade incontrolável de mexê-las e as move involuntariamente? Passa a noite sem conseguir pregar os olhos? Não consegue ir ao cinema ou ao teatro, ver televisão, participar de uma reunião ou fazer viagens mais longas? Se estes e outros momentos de repouso forem muito desconfortáveis, voltamos ao alerta. Esteja atenta!
Embora comum, a síndrome das pernas inquietas é pouco diagnosticada, seja porque os próprios pacientes acreditam ser uma condição inerente a eles e sem solução – e assim não se queixam aos seus clínicos–, seja porque é pouco conhecida entre os profissionais da saúde. Veja, estamos falando de uma perturbação neurológica; um conjunto de sensações desagradáveis e incômodas que obrigam a mexer as pernas sobretudo à noite ou em repouso; não estamos falando de uma doença das pernas.
Os critérios internacionais para diagnosticar essa patologia foram definidos oficialmente há uma década, apenas a síndrome das pernas inquietas ou síndrome de Ekbom foi descrita pela primeira vez pelo neurologista sueco Karl-Axel Ekbom. Mas os primeiros relatos são de autoria do médico britânico Thomas Willis. Daí que, apesar de o seu antigo nome ser bastante sugestivo, o novo nome científico dado hoje a esta síndrome é doença de Willis- Ekbom.
 Caracteriza-se por alterações da sensibilidade e desconforto nos membros inferiores, mas que podem acometer também os braços, e melhoram quando a pessoa se movimenta. Acredita-se que esse problema afeta cerca de 11% da população e é mais comum em mulheres e pessoas de meia idade, segundo o neurologista Rodrigo Massaud, do Hospital Israelita Albert Einstein. Algumas pessoas confundem o nome com certos movimentos rítmicos repetitivos das pernas, que aparecem quando se está distraído ou tenso, mas eles nada têm a ver com a síndrome, explica o neurologista.

Causas e diagnóstico – Não se sabe ao certo qual é a causa dessa síndrome, alguns especialistas suspeitam que esteja relacionada com um possível desequilíbrio da dopamina no cérebro, que manda as mensagens que controlam os movimentos musculares do corpo. O dr. Drauzio Varella e o neurologista do Hospital Israelita estão de acordo quanto às causas. Numa entrevista em seu site https://drauziovarella.com.br/doencas-e-sintomas/sindrome-das-pernas-inquietas/, o dr. Drauzio diz: “A causa da síndrome não é bem conhecida. Sabe-se que, além da predisposição genética, a deficiência de dopamina e de ferro em áreas motoras do cérebro está associada à ocorrência de movimentos involuntários e repetitivos característicos da síndrome”. O dr. Rodrigo Massaud diz a mesma coisa em outros termos: “Em alguns casos, a síndrome das pernas inquietas parece ser transmitida de forma familiar. Em outros, a condição pode estar ligada a problemas médicos, como a anemia ferropriva, em que há muito pouco ferro no sangue. Outras condições que aumentam o risco da síndrome incluem insuficiência renal, diabetes e gravidez”.
Segundo o dr. Drauzio, o diagnóstico é predominantemente clínico, fundamentado na descrição dos sintomas. Embora raramente essa doença tenha como causa uma polineuropatia, é indispensável avaliar os reflexos, a sensibilidade ao toque e a intensidade da dor. A polissonografia e a dosagem dos teores de ferritina e transferrina, substâncias que transportam o ferro no sangue periférico, são exames laboratoriais que ajudam a confirmar o diagnóstico.
Tratamento e prevenção – Nos casos mais leves, recomenda-se o uso de benzodiazepínicos. Segundo dr. Drauzio, nos casos mais graves pode-se recorrer a medicamentos, como o pramipexole e o ropinele, que estimulam os receptores de dopamina no cérebro sem aumentar seu nível no sangue periférico. Mas, antes de procurar por remédios fortes, com inúmeros efeitos colaterais, que tal apostar em saídas caseiras? Banho quente, massagens nas pernas, aplicação de calor, bolsa de gelo, analgésicos, exercícios físicos, técnicas de relaxamento, como meditação ou ioga.
Com essas dicas é possível, sim, aliviar o problema e ter suas horas de sono bem-dormidas! Acupuntura e outros recursos homeopáticos, fitoterápicos, também são recomendáveis, sobretudo para a prevenção. Mas, lembre sempre: caso os sintomas persistam, procure um médico. Ele indicará o tratamento adequado. Lembre também que o consumo de cafeína, álcool e cigarro é absolutamente desaconselhado, pois pode acentuar o problema.

Consequências – No caso de a síndrome se manifestar predominantemente nos momentos de repouso, a qualidade de vida fica comprometida. Depois de uma noite maldormida, o sujeito acometido por esse problema apresenta as suas devidas consequências, sono durante o dia, irritabilidade e baixa imunidade; e pode enfrentar situações constrangedoras em seu cotidiano, inclusive por incomodar outras pessoas. Hábitos saudáveis, bem como se manter ativo, fazer caminhadas rápidas, natação, manter a postura correta, atenção à respiração, manter-se hidratado, diminuir a quantidade de açúcar e os níveis de estresse e até um chá calmante antes de deitar, certamente lhe proporcionarão melhor qualidade de vida. Um segredinho: não se canse com trabalhos pesados e evite o estresse.




Fonte: FC edição 983 Novembro 2017
Postado por: Família Cristã




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