Emoções no dia a dia familiar

Data de publicação: 13/04/2018

As emoções no dia a dia familiar

Por, Thewes Cleusa e Alvício

As emoções negativas são, muitas vezes, doloridas. A família é um laboratório de sentimentos. É nela que as crianças manifestam, desde tenra idade, suas emoções positivas e negativas
Emoção é qualquer tipo de sentimento que produz algum movimento (reação) na mente, podendo ser positivo, negativo, ou neutro. Nossa qualidade de vida, em família ou no relacionamento social, depende de como lidamos com as emoções. 

Bel e João – Vivem juntos há apenas um ano. Nesse período já se separaram inúmeras vezes. João tem a guarda de uma filha pequena de casamento anterior. Nas brigas do casal, que são frequentes, a menina se apavora, chora e pede por sua mãe. Instável emocionalmente, Bel é impulsiva, desconfiada, inflexível. Ela nunca soube lidar bem com suas emoções, às quais somou a dificuldade de lidar com o casamento desfeito de João e com a filha que ele trouxe para criar. Ela quer controlar e coordenar a vida do companheiro, ditando e impondo regras no relacionamento dele com a ex-mulher e com a própria filha. 
Quando Bel cobra observância às suas regras sob pressão, João perde o controle emocional. Desorientado e furioso, ele coloca o dedo no nariz dela e ameaça ir embora.  Bel enlouquece e cai de tapas sobre ele, que revida com safanões. Mais tarde, quando ela se distrai nos afazeres da casa, ele foge. Ela vai atrás dele e implora por sua volta.  Ele cede e a dança do vaivém se repete, outra vez. Esta é, em resumo, a dinâmica relacional do casal.
Ivo e Jane – Bem diferente é a dinâmica familiar de Ivo e Jane, casados há 25 anos e pais de Giovana, de 23 anos) e Pablo, 21. Embora todos tenham personalidade forte e determinada, a família prioriza o diálogo, a harmonia, a flexibilidade, proporcionando um clima familiar de afeto e confiança. Ivo e Jane, calmos e sensatos, lidam bem com suas emoções. Pablo também já aprendeu a se controlar. O pavio mais curto é o de Giovana. Às vezes ela arma uma tempestade, mas se molha sozinha, pois os pais e o mano não se colocam sob a chuva dela.  Depois ela acolhe a ajuda familiar, aprendendo, aos poucos, a controlar seus impulsos. Então os pais aproveitam a ocasião, fazem uma roda de chimarrão, como bons gaúchos, e discorrem sobre alternativas que podem amenizar frustrações e vencer desafios. E os filhos agradecem, é claro.

Emoções equilibradas – As emoções negativas são, muitas vezes, doloridas. A família é um laboratório de sentimentos. É nela que as crianças manifestam, desde tenra idade, suas emoções positivas e negativas. O bebê de poucos meses já mostra sua indignação e, quando maiorzinho, surpreende os pais com ataques primários de fúria, atirando a chupeta para longe, lançando o corpinho para trás ao ser repreendido, ou lhe ser recusado, simplesmente, um desejo. Na família, os sentimentos explodem escancarados e descontrolados. O esposo reclama incansavelmente, impotente e frustrado; a esposa grita e chora inconsolada, meio vítima do cenário; o adolescente enfurece e bate as portas; a avó briga com a solidão e os esquecimentos...
Quando o descontrole lidera, a memória apaga alternativas e a inflexibilidade domina, inviabilizando a criatividade. Diante da falta de perspectivas de ultrapassar o labirinto das emoções negativas e vencer o desconforto e as brigas que causam, a família paralisa, traumatiza e sofre. Daí a necessidade da família treinar o olhar emocional, a fim de identificar os sentimentos negativos que nutrem sua dinâmica. As emoções doentias criam descontroles e impulsos que adoecem a convivência e impedem a aproximação. Se não são tratadas bloqueiam o fluxo de oxigênio emocional puro e saudável, asfixiando a mente. É o que ocorre com Bel e João. Seria importante buscarem acompanhamento terapêutico para aprenderem a lidar com as emoções, sobretudo com as negativas. Isso lhes proporcionaria crescimento emocional e os tornaria aptos ao convívio.
Ninguém consegue controlar suas emoções de forma eficaz. Contudo, algumas técnicas podem ajudar. Estamos falando do que costumamos chamar de funções executivas.  São três: memória, autocontrole e flexibilidade. Na memória, devemos buscar um princípio importante, qual seja pensar antes de agir. Isso, por si só, já evita muitas dores de cabeça. Se pensarmos antes de agir, assumiremos o autocontrole, a capacidade de compreender sentimentos e limitar impulsos, como raiva, destruição, agressividade, evitando danos a nós mesmos e aos outros. A flexibilidade, como ferramenta de adaptação e criação de novas alternativas e possibilidades na solução de problemas, é indispensável ao bom convívio. Bel e João com certeza desconhecem essas funções. Jane e Ivo agem dentro dos padrões estabelecidos e estão de bem com a família e a vida.





Fonte: Fc edição 976, Abril de 2017
Postado por: Família Cristã




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