O xadrez da fé

Data de publicação: 16/04/2018

Por, Pe. José Fernandes de Oliveira, scj

Quem conhece o jogo de xadrez sabe que a dança das peças é feita no intuito de uma ocupar o lugar da outra e eliminá-la. Às vezes, as religiões e os partidos comportam-se como um jogo de xadrez: um lado elimina o outro. Outras vezes se comportam como um solidário jogo de cartas, onde as cartas diferentes se juntam para formar um jogo e vencer, exatamente porque estão juntas.
Hoje você pode crer ou não em Deus, ninguém o matará por isso, pelo menos em nosso País. O Estado Islâmico não chegou até nós. Mas se você vivesse na Idade Média e decidisse não ser mais católico ou evangélico, é provável que alguém o mandasse para a fogueira, ou para o exílio. Negar Deus naqueles dias era ir contra o Estado, contra a ordem.
Mudar de religião era sair do certíssimo, para entrar no erradíssimo. E as consequências eram drásticas. Então as pessoas, para sobrevivirem, mudavam para a religião dos que estavam no poder. Ou mudavam de país para poderem manter a sua religião; ou fingiam que se convertiam para serem deixadas em paz.
Por outro lado, havia os maldosos que denunciavam o menor deslize do vizinho para prejudicar seus negócios e sua família. E cabia à vítima o ônus de provar a sua inocência; algumas vezes o acusador também era condenado. Mas, de certa forma, para manter a ordem na sociedade, fomentava-se a desordem de denúncias vazias.
Agressões e acusações infundadas faziam parte do cotidiano. Muitas pessoas morreram queimadas na fogueira porque possuíam um livro de outra religião em casa. Os tempos se repetem. E está acontecendo no Oriente, em países africanos e em algumas pseudodemocracias latinas. O ódio é fomentado e disseminado. E através da internet quem ousa questionar certos comportamentos coletivos é execrado. Há católicos e evangélicos chamando os pregadores dos outros e até seus próprios pregadores de comunistas, porque defendem mais justiça social. Bispos, sacerdotes e pastores são execrados porque não defendem um sistema direitista e capitalista. Concluem que somos socialistas ou comunistas. E não somos.

Pai de todos – Mil anos atrás foram tempos difíceis e errados. Continuam errados, já que ninguém tem o direito de matar em nome da fé ou de queimar alguém em nome de Deus. Foi também um tempo de muitos mártires e inocentes e tempos de muita injustiça. Hoje esse processo foi superado em vários países, mas não em todos. O comunismo fez muitas vítimas em nome da revolução dos trabalhadores. As ditaduras fizeram muitas outras, em nome da ordem. 
Infelizmente começa de novo, um fundamentalismo que pode levar outra vez aos métodos da Idade Média. Há, hoje, um fundamentalismo injusto, cego, imaturo e irracional, que leva muita gente a achar que só eles têm a verdade, só eles conhecem Deus, só eles são eleitos, só eles têm a luz. Os outros têm o demônio, são perdedores e inferiores e devem morrer. Por isso falam de partido ou religião vitoriosa. É exatamente esse conceito que levou muita gente à morte ou ao crime em nome da fé. Matam em nome do povo e de Deus. Mas matam porque simplesmente são histéricos e maus. Não são islâmicos. Não se iludam com comunistas e capitalistas radicais: não querem a verdadeira democracia.
Oremos para que não triunfem os intolerantes, fanáticos, os super-hiper eleitos de Deus, que não admitem que Deus ame os outros. Estão querendo convencer o mundo de que só no telescópio deles é que se vê a estrela original.
Deus é Pai de todos, também de muitos que não frequentam nossos templos.
Não diminuamos o tamanho e o poder de Deus!


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Deus é Pai de todos, também de muitos que não frequentam nossos templos.




Fonte: Fc edição 976, Abril de 2017
Postado por: Família Cristã




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