Alçando voo

Data de publicação: 04/05/2018

Alçando voo


Por, Nathan Xavier

Jovens empreendedores brasileiros, apesar das dificuldades do País, conseguem se destacar no mercado mundial
Faz alguns anos que o mercado de trabalho mudou, reflexo da mudança de pensamento da sociedade. As empresas precisaram se adaptar às novas gerações, que não se prendem mais somente à qualidade do produto e na posse de algo, mas priorizam experiências e empresas que focam em pessoas. Uma geração mais tolerante, mais otimista do que a de seus pais, e sem medo de enfrentar novos desafios. Que gostam de ambientes compartilhados e extremamente críticos em relação às regras impostas pela sociedade. A geração conhecida como X ou millennials chegou há algum tempo no mercado de trabalho, levando esse comportamento para as grandes companhias. Já foi o tempo que entrar numa empresa aos 18 anos e se aposentar nela era símbolo de sucesso. Os novos trabalhadores consideram isso um atraso de vida e, tanto eles quanto as empresas, focam em pessoas que trabalharam em diferentes lugares: quanto mais experiência em diferentes áreas, melhor. Esse gosto pelo sempre novo e pelo desafio leva muitos jovens a empreenderem. E, nesse quesito, os brasileiros largam na frente em comparação a outros países.
Segundo a Confederação Nacional de Jovens Empresários (Conaje), 35% dos brasileiros começam a empreender entre os 26 e 30 anos. Comparado a países que compõem o Brics (acrônimo que se refere aos países membros fundadores: Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é a nação com a maior taxa de empreendedorismo. O número de brasileiros que já têm uma empresa, ou que estão envolvidos na criação de uma, é superior, também, a países como Estados Unidos (20%) e Reino Unido (17%). “Conhecido por sua criatividade e determinação, o jovem empreendedor brasileiro é atento à evolução dos negócios como chave para se destacar no mercado competitivo”, explica Sylvio Gomide, diretor do Comitê de Jovens Empreendedores (CJE), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). “Esta preocupação engloba todas as camadas da sociedade, tanto aquelas guiadas pela necessidade, quanto as que se agarram às oportunidades, e é essa veia empreendedora que está cada vez mais em evidência no mundo dos negócios”.
 A pesquisa da GEM também aponta que a cada 100 brasileiros que começam um negócio próprio no Brasil, 71 são motivados pela oportunidade de negócio e não pela necessidade. “Os números mostram que estamos no caminho para alcançar o objetivo de fomentar o empreendedorismo e, consequentemente, trabalhar para o crescimento do Brasil”, alegra-se Sylvio.
Porém, se em países que estimulam o empreendedorismo abrir e manter um negócio não é tarefa fácil, no Brasil as condições não favorecem. E as dificuldades não se limitam a burocracia e impostos para abrir uma empresa, mas também passam por mão de obra qualificada e acesso fácil a investidores. Lucas Cardoso, da Fundação Lemann, que tem por objetivo apoiar projetos inovadores em educação, lamenta: “A situação real é que, no 9º ano, só 29% dos alunos saem sabendo português e 13% matemática”. Levantamento recente elaborado pela Universidade da
Pensilvânia e a empresa BAV Consulting mostrou o Brasil em 29º melhor país para empreender em todo o mundo, atrás de países como Arábia Saudita, Malásia e Singapura. Já outro estudo elaborado pela startup Expert Market buscou descobrir quais são os países com empreendedores “mais determinados”: aqueles nos quais, a despeito de todas as dificuldades enfrentadas para empreender, apresentaram um alto número de negócios criados em 2016. Dessa vez o Brasil ficou em quinto lugar.
É para aproveitar essa determinação dos jovens, procurar minimizar as barreiras impostas pelas condições desfavoráveis do Brasil e ajudar a criar disciplina para tocar um negócio que muitas organizações não governamentais e institutos promovem workshops, palestras e cursos, a maior parte gratuitos, com o intuito de ajudar jovens a empreender. Empresas juniores de faculdades e universidades também são um campo propício para que novas ideias e negócios surjam. Conheça a seguir alguns jovens de sucesso.

Tallis Gomes
O jovem mineiro de Carangola criou o aplicativo para celular Easy Táxi em 2011, na época com 24 anos. Hoje o serviço está disponível em 30 países. A ideia original surgiu da ineficiência do transporte de táxi que ele tinha vivenciado no Rio de Janeiro, durante um evento. “Eu estava esperando por um táxi por cerca de meia hora em uma noite chuvosa. Naquela época, eu estava planejando criar um aplicativo de monitoramento de ônibus, mas mudei de ideia e decidi investir nesta solução”. Sete anos depois, Tallis já ministrou palestras nas melhores universidades do mundo como Columbia, Duke, Harvard e Yonsei University (Coreia do Sul), sendo apontado como uma das maiores autoridades em inovação do Brasil. Hoje se dedica à Singu, maior marketplace de beleza e bem-estar do Brasil.
 

Davi Braga
Natural de Maceió (AL), tinha 13 anos quando criou sua primeira startup. Com 14 ficou famoso depois que muitos assistiram à sua palestra sobre empreendedorismo na plataforma de ensino TEDx. Hoje, aos 16, sua empresa fatura 600 mil reais anuais. Para 2018, a meta é quase dobrar este valor. Nem Davi nem os irmãos nunca receberam mesada. “Meu pai não gostava da ideia de uma renda fixa”, confessou, em entrevista para o jornal Gazeta do Povo. Sempre que queriam dinheiro tinham de fazer algo por merecer. “Para aprender a importância do dinheiro”. Essas e outras histórias ele conta no recém-lançado Empreender Grande, Desde Pequeno, de sua autoria. Aos dez anos ele já empreendia. Vendia cupcakes e bolos feitos por sua irmã na escola. Com 13 criou a List It. A ideia surgiu depois de ver a mãe tentando buscar os melhores preços dos materiais escolares dos filhos. A ideia é relativamente simples: o site reúne os materiais solicitados pelas escolas e faz parcerias com pequenas lojas de bairro, com preços mais baratos. Basta os pais acessarem o site, colocarem o nome da escola e a série e toda a lista com os preços aparecem na tela. Depois, como uma loja online, o site gerencia a entrega do material na casa do cliente.

Gustavo Caetano
Em 2004, na época com 22 anos, Gustavo passava muito tempo em terminais rodoviários e aeroportos entre Belo Horizonte-Rio-Araguari. Tentou passar o tempo conectando-se na internet para baixar um jogo e não conseguiu. Nesse momento, Gustavo lembrou o que estava aprendendo na faculdade: “Quando se quer alguma coisa que não existe é porque tem demanda e possivelmente um mercado”, relembra. Ao pesquisar o assunto, descobriu que o mercado de jogos móveis (aqueles jogos de celular) também era novidade nos Estados Unidos, porém na Europa já estava mais desenvolvido. Mandou um e-mail para umas das desenvolvedoras de jogos se oferecendo como revendedor local. Para sua surpresa, a empresa respondeu positivamente, convidando-o a participar de uma reunião em Londres (Inglaterra), desde que ele levasse um plano de negócios. No final, deu certo, e assim surgia a Samba Tech, hoje líder em gestão e distribuição de vídeos online na América Latina com clientes como Grupo Abril, SBT, Globo e Samsung.

Marcio Kumruian
Aos 17 anos, o jovem descendente de armênios Marcio Kumruian começou a trabalhar como faz-tudo na loja Clóvis Calçados, no centro de São Paulo (SP). Aos 25, pediu permissão ao tio para usar uma parte do estacionamento na Rua Maria Antônia, para vender sapatos. Em pouco tempo, o negócio que nasceu sem muitas pretensões se transformou em uma rede de dez lojas, com um site para vendas virtuais. Sete anos depois, ao lado de seu sócio e primo Hagop Chabab, apostou todas as fichas no comércio online e vendeu todas as lojas físicas. Hoje a Netshoes é líder em seu segmento, com faturamento anual de 1 bilhão de reais.




Fonte: FC edição 987, Março de 2018
Postado por: Família Cristã




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