Fátima, sinal de paz

Data de publicação: 10/05/2018


Por, Fernando Geronazzo

Para entender o fenômeno das aparições em Fátima, é preciso compreender o contexto vivido na época

Em 2017, os católicos celebram os 100 anos da aparição da Virgem Maria a três crianças que apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, em Fátima (Portugal). Os pequenos Lúcia dos Santos, 10 anos, Francisco Marto, 9 anos, e Jacinta Marto, de 7 anos, foram testemunhas de um fenômeno cuja devoção se propagou e se tornous uma das mais populares  do mundo.
Por volta do meio-dia do dia 13 de maio de 1917, depois de rezarem o terço, as crianças viram uma luz brilhante e avistaram, em cima de uma pequena azinheira, uma “Senhora mais brilhante que o sol”.
Segundo relatos da época, a Senhora disse aos três pastorinhos que era necessário rezar muito e que aprendessem a ler. Em seguida, marcou encontro naquele mesmo lugar para o dia 13 de todo mês. Sucederam-se mais cinco aparições, sendo que na última delas, em 13 de outubro,  cerca de 50 mil pessoas lotaram o lugar e foram testemunhas de um fenômeno anunciado: o sol parecia mover-se, como se estivesse para se destacar do céu. Nessa ocasião, a Virgem disse às crianças: “Eu sou a Senhora do Rosário”, e pediu que erguessem ali uma capela em sua honra.

Contexto – Para entender o fenômeno das aparições em Fátima, é preciso compreender o contexto vivido na época. “Em 1917, em plena carnificina da Primeira Guerra Mundial, quando o vilarejo sofre os embates entre a ditadura materialista e a concentração conservadora, algumas crianças, os pequenos entre os pequenos, veem Maria que se manifesta como mãe protetora das vítimas daquela situação, os pequenos e os fracos”, explica o Cônego Antonio Manzatto, professor de Teologia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (SP).

Ainda segundo o teólogo, justamente nesse sentido que “Fátima atualiza a mensagem de salvação de Deus em Jesus, e por isso a devoção àquelas aparições foi aprovada pelo Magistério da Igreja”.
Para o reitor do Santuário de Fátima, em Portugal, padre Carlos Cabecinhas, a mensagem de Maria possui uma enorme atualidade que decorre do fato de ser “uma mensagem de paz num mundo totalmente conturbado, que enfrenta, como o papa Francisco não se cansa de frisar, uma espécie de ‘Terceira Guerra Mundial em etapas’. Mas, também, porque concilia a devoção a Nossa Senhora com a centralidade de Cristo na fé cristã”.

O segredo – Essa devoção mariana também gira em torno do chamado “segredo de Fátima”,  revelado pela Virgem aos três videntes em julho de 1917. As duas primeiras partes foram divulgadas em 1941 num documento escrito por Lúcia. A terceira e foi escrita em 3 de janeiro de 1944 e confiada ao papa, sendo revelada apenas em 2000.
A primeira parte do segredo trata da “visão do inferno”, a segunda está relacionada com a devoção ao Imaculado Coração de Maria e a conversão da Rússia. Já a terceira, fruto de especulações pela demora em ser divugada, diz: “Vimos numa luz imensa, que é Deus, algo semelhante a como se veem as pessoas no espelho, quando passa adiante por elas um bispo vestido de branco. Tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre. Vimos vários outros bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande cruz (...). Chegando ao cimo do monte, prostrado, de joelhos, aos pés da cruz, foi morto por um grupo de soldados que lhe disparavam vários tiros e setas e assim mesmo foram morrendo uns após os outros”.
Ao divulgar a última parte, a Santa Sé explicou que “o segredo consiste numa visão profética, comparável às da Sagrada Escritura, que não descrevem de forma fotográfica os detalhes dos acontecimentos futuros, mas sintetizam e condensam sobre a mesma linha de fundo fatos que se prolongam no tempo numa sucessão e duração não especificadas. Em consequência, a chave de leitura do texto só pode ser de caráter simbólico”.

O centenário – A grande expectativa desse centenário é a presença do papa Francisco, ainda sem data confirmada, mas que manifestou seu desejo de fazer uma “peregrinação mariana” a Fátima.
De acordo com o santuário, em 2015, registraram-se 1.591 peregrinações portuguesas, com 461.300 peregrinos. Foram, ainda, acolhidas 2.799 peregrinações estrangeiras, provenientes de 90 países, com um total de 125.829 peregrinos.  

Brasil – Celebra-se em 2017, o Ano Mariano Nacional pelos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Os brasileiros também têm uma forte ligação com a devocão a Nossa Senhora de Fátima, sendo no mundo o país com maior número de santuários e igrejas dedicadas à padroeira portuguesa.
“Fátima e Aparecida são centros de irradiação de vida cristã em Portugal e no Brasil”, destaca padre Carlos, que considera a devoção mariana como elo entre os dois povos, “unidos por laços históricos, pela mesma fé e pelo mesmo amor a Nossa Senhora”.









Fonte: FC edição 974, fevereiro de 2017
Postado por: Família Cristã




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