Sem desculpas para se mexer

Data de publicação: 10/05/2018

A prática de atividade física na terceira idade traz benefícios físicos, mas também psicológicos e sociais

O corpo humano não foi feito para ficar parado, e movimentar-se é a melhor forma de manter a saúde em dia, e não apenas a saúde física. Benefícios psicológicos e mentais também são sentidos ao iniciar a prática da atividade física, como melhora no sono, da memória, humor, diminuição da ansiedade, estresse, depressão, entre outros, liberando hormônios e substâncias no organismo que aumentam nosso bem estar. Estudo da Universidade de Lisboa, em Portugal, com crianças, mostra que as que praticavam atividade física regularmente tinham desempenho melhor na escola, mais aprendizado e menor déficit de atenção do que as crianças sedentárias. A boa notícia é que esses benefícios não são sentidos apenas durante a infância, mas em todas as etapas da vida, incluindo a terceira idade.
Ao ar livre – Pensando em estimularem a prática de atividade física na melhor idade, diversas prefeituras do Brasil instalaram equipamentos de ginástica em praças e parques. São aparelhos simples, com uso gratuito, que oferecem exercícios leves e de baixa intensidade: um convite a abandonar o sedentarismo. “O uso do equipamento é a porta de entrada para ficar ativo. É também um convite para que a pessoa procure novas atividades e novos desafios”, afirma Mauro Ferreira, 53 anos, coordenador de Atividade Física e Saúde da Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação de São Paulo. Cada aparelho propicia o treino de um movimento corporal importante, com a utilização de diferentes grupos musculares e articulações do corpo. Instalados ao ar livre e em locais públicos, também propiciam o contato com a natureza e com outras pessoas, incentivando a socialização e benefícios psicossociais.
Os especialistas da Secretaria Municipal, responsável pela instalação dessas “academias da melhor idade”, lembram que é muito importante que cada pessoa respeite seus limites. Nos locais estão disponíveis placas informativas com orientações sobre a maneira adequada de utilizar os aparelhos e também sobre como se alongar. Essa, aliás, é uma importante preocupação: “Vejo muitos idosos usando os aparelhos de maneira errada. Os quadros com as explicações muitas vezes são ignorados ou não favorecem a prática correta por leigos. Dessa forma, sua utilização tende a trazer riscos de lesões e prejuízos corporais e não qualidade de vida, que é seu principal objetivo”, alerta Raphael Cutis, professor de educação física e personal trainer. Porém, se os movimentos forem realizados de forma correta, Raphael considera uma ótima e acessível forma para a prática de atividades físicas. Ele ensina que normalmente são aparelhos multiarticulares, ou seja, “incentivam a movimentação de todo o corpo e exploram o desenvolvimento da resistência aeróbia, da força e flexibilidade”.
Raphael reforça que ser ativo fisicamente é a chave para uma vida melhor na terceira idade: “Praticar atividade física regularmente é essencial na vida de qualquer pessoa, e, para o idoso, essa importância se multiplica e está diretamente atrelada à manutenção da qualidade de vida”. E lista os benefícios: diminuição do peso corporal, reduzindo os riscos de doenças relacionadas, como diabetes e hipertensão; ganho de massa muscular, facilitando as atividades diárias e contribuindo para uma maior autonomia e segurança para o idoso; ganho de flexibilidade, diminuindo o risco de quedas tão temidas nessa idade. “Além dos inúmeros benefícios psicológicos, sociais e cognitivos que são aspectos fundamentais no estilo de vida e na promoção de um envelhecimento mais saudável”, completa o educador físico.
Bem-estar – São benefícios como esses que Izabel Santos Souza, 79 anos, percebeu nos últimos meses. “Eu fiz por muito tempo hidroginástica. Depois tive que parar por 14 anos, para cuidar do meu marido que está com problemas de saúde. Mas como tem uma academia aqui perto de casa, achei interessante voltar porque me dei muito bem.” Com esse desejo e mais a ajuda da família, desde setembro ela voltou para a hidroginástica. Izabel afirma que começou com a atividade por recomendação médica: “Tinha pressão alta, dores no corpo, ia ao médico e ele falava que faria muito bem a mim. E gostei muito, fiz amizade, conversava, era uma ótima distração”.
Nessa nova etapa, desde setembro, ela notou diferença: “Já emagreci! E nessa idade a gente sempre engorda, né?”, diz, com simpatia. “Eu tinha muita dor no braço e na coluna. Logo que recomecei a hidroginástica parou de doer, cada vez que vou me sinto melhor.” Só não vai todo dia porque depende dos netos e filha para poder levá-la até a academia: “Deixa a gente mais alegre também. Quando alguém faz aniversário, a gente faz festa, e ficar só em casa não é bom. Se pudesse eu iria os cinco dias da semana, mas não dá pra sair sempre, vou de duas a três vezes por semana”.
Para um idoso totalmente sedentário, Raphael Cutis recomenda começar com uma passada no médico, para saber como está a saúde. “Uma vez autorizado pelo médico, o recomendado é procurar atividades leves, em grupo, e que lhe tragam satisfação: dança, hidroginástica, alongamento, esportes coletivos adaptados são algumas atividades que podem trazer ótimos resultados. Agora, se o idoso prefere atividades individuais, pode optar, por exemplo, pela caminhada, pilates, natação, que têm graduações nos treinos e não exigem mais do que o corpo pode ofertar.”
 Os afazeres do dia a dia também ajudam: “Cuidados com a casa, compras de supermercado, passeio com o cachorro, visita aos amigos, entre outros, também são boas propostas para se livrar do sedentarismo”. Melhora do humor, da memória, prevenção de doenças físicas e psicológicas: não há motivo para não tirar proveito da atividade física. “Dou a maior força. É muito bom, as pessoas deviam praticar mais exercícios”, incentiva Izabel.

A atividade física, se bem supervisionada, pode ser realizada em qualquer idade. É o que prova o francês Robert Marchand, que estabeleceu um novo recorde no ciclismo em janeiro. Ele pedalou um total de 22 quilômetros no velódromo nacional da França, como a maior distância já percorrida por um atleta com mais de 100 anos no período de uma hora. É isso mesmo. Robert tem 105 anos de idade! “Eu não estou aqui para ser campeão. Estou aqui para provar que aos 105 anos você ainda pode andar de bicicleta”, afirmou em entrevista à BBC Brasil.
Marchand foi prisioneiro de guerra na Segunda Guerra Mundial, trabalhou como plantador de cana na Venezuela e como lenhador no Canadá. Além do ciclismo, já competiu nacionalmente como ginasta e também foi boxeador.

Por, Nathan Xavier




Fonte: FC edição 974, fevereiro de 2017
Postado por: Família Cristã




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