Romaria Nacional da Juventude

Data de publicação: 11/06/2018



Por, Gizele Barbosa, fsp

As tendas espalhadas no subsolo do santuário eram como pequenos templos, ambientes preparados para dar voz aos peregrinos, que, como Jesus, queriam mais, queriam respostas, queriam aprender


Romaria: colocar-se a caminho, ir... Imagina-se logo a figura tradicional do romeiro de pés descalços, simples, que, com aquele olhar devoto e generoso, dirigindo-se a determinado Templo, enquanto inconscientemente relembra a tradição judaica de ir ao lugar sagrado para agradecer a Deus e ofertar as primícias da colheita.
Tratando-se de Aparecida (SP), de todas as romarias que vi, a da Juventude é diferente, por vários motivos. Um a ser destacado é que acontece contemporaneamente à Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Ou seja, a Juventude e os Bispos do Brasil reunidos na mesma data na Casa da Mãe Aparecida.
Para melhor compreendermos o diferencial que tem a Romaria Nacional da Juventude das outras que acontecem diariamente em Aparecida, cito a passagem do Evangelho de Lucas (cf. Lc 2,41-51), aquela em que a Família de Nazaré se coloca a caminho e, em peregrinação, vai ao Templo de Jerusalém. No versículo 46, vemos Jesus, no meio dos sábios, ouvindo-os e fazendo perguntas. Imagine esta cena: um jovem comum, sedento de intimidade e aprofundamento, esperançoso, desejoso em aprender, perguntar e crescer em conhecimento... É Jesus este jovem comum que ousa fazer perguntas. Ele, ao sair do convívio familiar e da presença dos pais, por alguns instantes, faz uma experiência profunda e marcante do que significa se aproximar do Pai. Em Aparecida era isso que se via: jovens do Brasil inteiro, de todas as expressões e lugares, sedentos de intimidade, querendo se encontrar com Deus.
Havia tendas ali, verdadeiros espaços de formação. Cada uma preparada para acolher os jovens como e aonde ele se identificasse: pastorais da Juventude, movimentos, novas comunidades, congregações religiosas e uma tenda especial que trazia como referência o aniversário de 10 anos do livro Documentos da CNBB nº85 – sobre a Evangelização da Juventude e o Projeto Rota 300, que, de 2015 a 2017, levou a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida para as mais diversas Dioceses do Brasil, animando e ajudando os grupos na preparação para a celebração dos 300 anos do dia em que os pescadores encontram a pequena imagem no Rio Paraíba do Sul.

Testemunhos – A irmã Suzane Apolinária, Irmã Paulina, que realiza sua missão na animação vocacional e assessoria para grupos de jovens em Curitiba (PR), vê na romaria uma oportunidade de formar e capacitar a juventude: “Participar da Romaria Nacional da Juventude no contexto do Rota 300, da celebração dos 10 anos do Documento 85 e da preparação do sínodo sobre “os jovens, a fé e o discernimento vocacional” é, sem dúvida, uma experiência ímpar. Esse momento histórico coloca a juventude no centro da reflexão da Igreja e faz com que o jovem se sinta participante das decisões e propostas que a eles se referem. Além do mais, o encontro com pessoas de diferentes expressões, advindas de diversas regiões do Brasil, revela a diversidade de carismas e ao mesmo tempo a unidade no seguimento a Jesus Mestre. Somos caminheiros da fé, peregrinos que sonham, acreditam e buscam viver e anunciar o Reino de Deus”.
O Documento 85 e o Projeto Rota 300 estão aproximando os jovens brasileiros do verdadeiro sentido da devoção mariana: reunir, partilhar a vida, agradecer a Deus pelo que ele faz por nós. E com Maria quer reafirmar o que significa ser Igreja e seguir Jesus. Não por menor motivo, o tema da romaria foi: Maria e a Doutrina Social da Igreja.
As tendas espalhadas no subsolo do santuário eram como pequenos templos, ambientes preparados para dar voz aos peregrinos, que, como Jesus, queriam mais, queriam respostas, queriam aprender.
Voltemos para a experiência de Jesus no Templo e imaginemos os sábios a quem ele quis fazer companhia. Imagine os nossos bispos rodeados por olhares atentos falando de Maria: “A jovem que assumiu o projeto de Deus e confiou no chamado recebido”.
O interessante das catequeses com os bispos era a interação, vez ou outra tendo a sua fala acrescentada por experiências concretas vividas pelos jovens em suas dioceses, dificuldades, esperanças e, principalmente, narrativas de como é encontrar em Maria a mesma experiência de ser jovem chamado a dar um sim que pode mudar os rumos da vida para sempre.
Sim, essa romaria é diferente das outras, pois dá ao romeiro a oportunidade de vir à Casa da Mãe para, literalmente, aprender e ensinar. Afinal, as catequeses não contavam exclusivamente com a fala dos bispos, mas os próprios jovens compunham mesas-redondas, apresentavam, animavam, debatiam temas e davam suas contribuições assumindo o papel de protagonistas também da romaria que levava o seu nome: a da Juventude.
Jovens do Instituto São José, de São José dos Campos (SP), contam um pouco do que significaram aqueles momentos que, para alguns, era a primeira experiência: “Estar na romaria, com certeza, foi inesquecível, desde o momento em que a gente chegou aqui, e ter feito a experiência de acampar, o que foi muito diferente para mim, eu nunca tinha feito isso antes. Vivemos momentos incríveis, cada um com seu significado. Um em especial que vou levar para minha vida foi quando nos reunimos como Grupos de Pastorais da Juventude para falar sobre Nossa Senhora Aparecida e a mulher negra na atualidade. Foi chocante e sensacional. Quem esteve aqui, nesta romaria, pôde vivenciá-la, todo mundo conseguiu entender o propósito. Foi inesquecível!”, Ana Gabriela Guerreiro, da Pastoral da Juventude Estudantil.
Para Davi Ribeiro Arantes, da mesma pastoral, foi uma experiência de verdadeira unidade: “Aqui a gente conseguiu encontrar pessoas que até eram do mesmo grupo que a gente, mas que vieram de outras cidades e estados, o que gerou uma comunicação bem legal entre a gente, criamos laços. Além do mais, entramos em contato com outros carismas de jovens do Brasil todo! E isso foi bom para podermos ter um conhecimento mais amplo da nossa realidade como juventude. As catequeses com os bispos, os temas, foi tudo muito bem abordado. É claro, eu pretendo voltar no ano que vem!”.

Alegria e fé – Fora dos espaços das tendas, fora do santuário, havia música, tudo era motivo de reunir-se ao redor de um violão e cantar. Não havia diferenças, mas comunhão, a gente olhava, sentia a acolhida, entrava na roda, sorria e seguia em frente. É evidente, a romaria em sua programação não trazia somente o aspecto formativo, mas estava envolvida do sentido de ser romeiro.
Na noite do sábado, um show animou a juventude do lado de fora do santuário, e, mesmo com a ameaça de chuva e no frio, todos seguiram firmes ao som de bandas e cantores católicos, entre eles aquele que embalou gerações com seus cantos proféticos, verdadeiros e extremamente catequéticos, o padre Zezinho, scj. Dando exemplo de eterna juventude, o sacerdote deixou clara a importância de não esquecer que vamos à Casa da Mãe para adorar o Filho, Jesus Cristo. Naquela mesma noite, todos permaneceram até certo momento em vigília, rezando pelos jovens de todo o Brasil, pelas famílias, pelas vocações e pelo povo.
Portanto, a Romaria Nacional é um sinal de luz na vida de quem participou fisicamente e de quem participou de longe. Esse é só o começo de um trajeto feito pela CNBB, pela reitoria do Santuário Nacional e pelas expressões juvenis da nossa Igreja, representadas no Setor Juventude, presentes nas dioceses como esse espaço de comunhão, unidade e alegria de ser jovens católicos, devotos de Nossa Senhora Aparecida e seguidores de Jesus de Nazaré, o jovem e fiel na acolhida e resposta ao projeto do Pai.






Fonte: fc edição 978, junho de 2017
Postado por: Família Cristã




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