Fibromialgia

Data de publicação: 13/06/2018


Por, Carmen Maria Pulga

Para alguns estudiosos, a fibromialgia é, ainda, um dos maiores mistérios da medicina

“Dormi mal, acordei cansada e com o corpo todo dolorido.” Frequentemente ouvimos essa queixa, sobretudo de mulheres, e não as levamos muito a sério. No entanto, tais sintomas podem esconder uma doença chamada fibromialgia.
Mais comum entre as mulheres a fibromialgia é uma doença crônica bem frequente. Trata-se de uma síndrome dolorosa não inflamatória, caracterizada por dores musculares, fadiga, distúrbios de sono e dor em pontos específicos do corpo.
Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), a fibromialgia é classificada como uma forma de reumatismo associada à sensibilidade do indivíduo frente a um estímulo doloroso. O paciente tem múltiplas dores pelo corpo e se sente constantemente exaurido, mesmo apresentando aspecto saudável e resultados normais em seus exames laboratoriais ou físicos. Sem acarretar deformidade, ou outros tipos de sequela, a fibromialgia, no entanto, pode prejudicar a qualidade de vida e o desempenho das atividades cotidianas normais.
Pesquisadores e cientistas ainda estão debruçados sobre as causas, o diagnóstico e a cura, um problema de saúde que começou a ser estudado a partir da década de 1980.  Para  alguns estudiosos, a fibromialgia é, ainda, um dos maiores mistérios da medicina, pois ela começa no cérebro e desperta sofrimento pelo corpo. Os estudos teóricos sugerem uma alteração nas áreas cerebrais responsáveis pela percepção da dor, o que significa que estímulos indolores para a maioria das pessoas são interpretados como dor intensa pelo cérebro do paciente com fibromialgia. Por isso a difícil tarefa de detectar suas causas e, sem elas, mais difícil, ainda, são o diagnóstico e a cura.

Possíveis causas  - Pontuar definitivamente a causa da fibromialgia ainda não foi possível. A princípio, os profissionais da saúde afirmam ser muito comum que pacientes com depressão e distúrbios de ansiedade desenvolvam essa síndrome ao longo da vida. O grande desafio para o profissional da saúde é quando as manifestações ocorrem juntamente com outras doenças que também causam dores difusas, cansaço, distúrbios do sono e outros. Nesses casos, o diagnóstico de fibromialgia é muito difícil de ser estabelecido. Portanto, se uma pessoa apresentar queixas de dor muscular por um período maior que três meses consecutivos, aconselha-se que procure um médico para que o diagnóstico correto seja estabelecido.
Pesquisadores acreditam que são vários os fatores associados a essa síndrome. Um primeiro indicador a ser pesquisado é o histórico familiar, pois é muito recorrente a fibromialgia em pessoas da mesma família. Infecções por vírus e doenças autoimunes podem estar envolvidas nas causas da patologia, incluindo distúrbios do sono, estresse, ansiedade, traumas emocionais e físicos.

Como diagnosticar? - De acordo com o que é padronizado pelo Colégio Americano de Reumatologia (ACR, na sigla em inglês), o diagnóstico baseia-se na pesquisa de pontos de dor. Assim, é necessária a presença de queixas dolorosas na vigência de 11 dos 18 pontos padronizados, que são pesquisados por meio de digitopressão (veja figura. ao lado). Os pontos dolorosos correspondem a inserções de tendões ao osso ou a músculos, e o diagnóstico deve ser feito por um médico após ouvir o histórico, os sintomas e as dores. Geralmente é o reumatologista o responsável pela conclusão, o qual deve ter o cuidado de excluir outras enfermidades com características parecidas. Alguns hospitais do Brasil usam uma técnica chamada de termometria, que, através de uma câmera registra o calor do corpo, e as pessoas com a doença manifestam alterações na temperatura. Mas a Sociedade Brasileira de Rematologia esclarece que esse exame é apenas complementar e não um diagnóstico definitivo.
Tem cura? - Infelizmente, ainda não, afirma o reumatologista Eduardo S. Paiva, do Ambulatório de Fibromialgia do Hospital de Clínica (HC), da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A medicina séria e científica não esconderia este fato do público, e sim trabalharia para ampliar o acesso a tratamento tão desejado por profissionais e pacientes.
Mas, se os estudos científicos ainda não comprovam especificamente como curar a fibromialgia, há experiências mostrando como atenuar os sintomas dolorosos para evitar que o quadro piore. A medicina já dispõe de uma gama de medicamentos para atenuar os sintomas, entre eles estão os tratamentos alternativos e hábitos saudáveis, bem como:
•    Atividade física e alongamentos. Nada é pior para os sintomas da fibromialgia do que o sedentarismo. Exercícios físicos aeróbicos e musculação melhoram a qualidade de vida e diminuem a intensidade das dores e a sensação de cansaço. O paciente deve ser encorajado a sair da inércia e vencer a indisposição inicial.
•     Meditação, ioga, relaxamento. Adquirindo o hábito de relaxar a pessoa se torna mais calma; descontrai a musculatura, reduz o estresse e melhora a qualidade do sono.
•    Bons hábitos, evitando álcool, cigarros e cafeína.
É importante saber que, se por um lado a fibromialgia não acarreta risco de morte ou causa deformidades, por outro, os sintomas podem ser incapacitantes. No entanto, embora ela predomine nas mulheres, não isenta homens, crianças e jovens.
Outra opção é o acompanhamento com profissionais que ajudem o paciente a lidar com a dor física e a não aumentar o sofrimento causado pela sua iminência. Um trabalho pessoal de observação do que a nossa mente pode criar a partir dessas manifestações tem se mostrado muito eficiente. Há um ditado que diz: “A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional”. O sofrimento pode sim, ser aliviado, pois, muitas vezes, ele é apenas fruto de nossa mente.





Fonte: Fc edição 980, Agosto de 2017
Postado por: Família Cristã




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