Um companheiro indesejável

Data de publicação: 21/06/2018


Por, Carmen Maria Pulga

São os nossos ouvidos que nos mantêm ligados com o mundo, em fina sintonia com a fala

Zumbido no ouvido, o que é? Trata-se de um problema que pode afetar, e muito, a qualidade de vida. Algumas pessoas perdem o sono e a concentração, ficam mais irritadas, ansiosas, e quando o zumbido se torna contínuo e perturbador, podem até desenvolver depressão. Outras convivem com ele normalmente, sem nenhum problema. Esse companheiro irritante é mais incômodo à noite, no silêncio, porque durante o dia outros ruídos podem mascará-lo, razão pela qual muitas pessoas aguardam para buscar uma solução.
 A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que ele afeta cerca de 30 milhões de brasileiros. Para entender o zumbido – um som que não está ao nosso redor, mas dentro de nós –, é necessário entender sua origem. O otorrinolaringologista Jamal Azzam, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), explica que geralmente o zumbido é gerado em uma parte do ouvido chamada de cóclea. Essa parte auditiva é um tubo ósseo, em formato de caracol, onde a energia mecânica do som é convertida em sinal elétrico e transmitida para o cérebro em fragmentos de segundos. De acordo com o dr. Azzam, qualquer lesão na cóclea faz com que seja emitido um estímulo elétrico mesmo sem haver som exterior, gerando barulhos anormais, bem como zumbido, apito, chiado, cigarra ou pulsação.
Simplificando, pode-se dizer que a cóclea, parte auditiva do ouvido interno, é uma estrutura composta por células que vibram de acordo com o som, desde o agudo ao grave. Nela, as células nervosas são organizadas como as teclas de um piano; vibram de acordo com o som, organizadas numa sequência que vai do tom mais baixo para o mais alto.
Essa estrutura em forma de espiral contém inúmeros pelinhos banhados por um fluido. Os pelinhos ficam na parede interna da cóclea e têm a função de captar as vibrações e enviar o sinal ao nervo auditivo. A cóclea é fundamental para que uma pessoa consiga se equilibrar enquanto anda, corre e para que possa ouvir. Sem ela, não se consegue ouvir, por mais que os outros mecanismos do ouvido estejam funcionando normalmente.

Um alerta importante – Embora pareça normal, o zumbido é um primeiro alerta sinalizando que há um agressor em nosso ouvido. Ao longo do tempo, as células da cóclea podem ser agredidas por muitos fatores: poluição sonora, envelhecimento natural, bruxismo, disfunções da mandíbula, estresse, lesões, alergias, infecções, doenças como diabete, entre outras tantas causas.
O zumbido no ouvido, denominado também de tinnitus, hoje já tem tratamento, mas o diagnóstico exige muita paciência, justamente pela variável de causas que podem gerar esse barulho, um ladrão da tranquilidade de seu portador. Prevenção é a primeira atitude a ser tomada.
Procurar um profissional, o médico otorrino, que pode detectar a causa e tratar o incômodo. Evitar ouvir música muito alta porque isso força excessivamente a cóclea é o primeiro conselho. Incentivar a prática de medidas que melhoram a qualidade de vida: alimentação regrada, atividade física regular e controle da vida psíquica. Manter a calma, evitar o estresse, cuidado com a higiene do ouvido, especialmente ao usar cotonetes. O uso do cotonete pode causar um processo inflamatório que atinge a pele do canal auditivo externo, além de empurrar a cera para dentro, formando um tampão que costuma provocar uma sensação de eco ou até a perda temporária da audição. Por isso, os especialistas orientam que o ideal é limpar o ouvido com a ponta da toalha, só até onde o dedo alcançar – e esse dedo não deve ser o mindinho! 

Cuidado, frágil – A cera no ouvido existe para nos proteger. A finalidade desse cerume é manter o canal auditivo limpo, segundo o médico Douglas Backous, presidente do Comitê de Audição da Academia Americana de Otorrinolaringologia. A cera ajuda a afastar a poeira e a sujeira de nossos tímpanos e também exerce papéis antibacterianos e de lubrificação.
Nossos ouvidos se limpam, basicamente, sozinhos. Para o dr. Backous, quando a cera seca, cada movimento do maxilar ajuda a trazer a cera velha para fora pela abertura da orelha, como se ela estivesse andando numa escada rolante. Todo o procedimento dentro do ouvido deve ser realizado por profissionais.
O ouvido humano é um preciosíssimo e delicado mecanismo de precisão responsável pela percepção do mundo à nossa volta. Graças a essa sensível estrutura, descobrimos a beleza da fala, do vento, da música... São os ouvidos que nos mantêm ligados com o mundo, em fina sintonia com a fala. Sem essa pequena obra arquitetônica não só não ouviríamos, mas não ficaríamos em pé.
Portanto, não espere a perda da audição evoluir, valorize o zumbido como sinal precoce dessa evolução. A recomendação geral é evitar os maus hábitos, bem como o fumo, o excesso de álcool e todos os fatores estressantes. O segredo é não desistir, mas procurar ajuda profissional assim que esse companheiro indesejável se instalar e procurar se afastar dos ambientes barulhentos e poluídos.


 





Fonte: Fc edição 981, Setembro se 2017
Postado por: Família Cristã




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