A perda do olfato ou anosmia

Data de publicação: 29/06/2018



Por, Roseane Welter

Anosmia, o que é? Trata-se da perda total do olfato. É uma doença bem delicada, pois a pessoa perde a percepção de cheiros e do gosto dos alimentos, ou identifica cheiros estranhos e gostos atípicos, e isso merece a nossa atenção. É uma situação potencialmente perigosa, uma vez que o indivíduo perde a capacidade de captar os odores do meio externo, ou seja, não sente o cheiro de nada à sua volta. Se, por exemplo, acontecer algum incidente, por simples que seja, como identificar uma comida estragada ou o vazamento de gás, a pessoa com anosmia será a última a perceber. É uma doença que afeta, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 30% da população mundial. Número relativamente alto para uma doença ainda, talvez, pouco conhecida.

Afeta idosos e negros – A capacidade de sentir os aromas pelo olfato é elemento inerente à condição humana, o que identifica e orienta o ser humano no caminho do prazer, das sensações e até de segurança. Se essa capacidade de sentir os aromas tiver diminuído é bom dar uma conferida no que está acontecendo. E ainda aquele famoso ditado “isso não está me cheirando bem” vale para pensar e agir quando algo não está bem com o nosso olfato. É sempre importante dar atenção ao todo do funcionamento do nosso corpo, inclusive das vias olfativas.
A anosmia tem como causa, segundo a médica otorrinolaringologista, otoneurologista e chefe do Grupo de Pesquisa em Zumbido no Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Jeanne Oiticica, uma série de fatores. Pode “estar relacionada com a lesão do nervo do olfato ou obstrução à passagem de ar pelas fossas nasais, incluindo trauma, pólipos nasais, rinite alérgica, sinusite, resfriados, gripes, sequela de infecções virais, inalação de produtos químicos tóxicos, tumores, uso de determinados medicamentos tóxicos ao olfato, diabetes, doença de Alzheimer, doença de Parkinson, radioterapia, quimioterapia, desnutrição, esclerose múltipla, deficiência vitamínica, tabagismo, envelhecimento, herança genética, Acidente Vascular Cerebral (AVC) entre outros”, afirma a médica.
A anosmia afeta principalmente os homens, é mais prevalente nos idosos e cerca de três vezes mais frequente em negros do que em caucasianos. É importante estar sempre atento.
Os sintomas podem ser considerados agudo ou crônico. “É agudo nos casos de rinite alérgica, sinusite, resfriados, gripes; é crônico nos casos que persistem por mais de três semanas”, afirma dra. Jeane

Sempre em alerta – Em relação ao tratamento, a profissional explica que quando há obstrução à passagem de ar pelas fossas nasais o uso de descongestionantes, anti-histamínicos, sprays nasais, anti-inflamatórios costuma resolver o problema. “Nos casos de sinusite, o tratamento se faz com antibióticos. Quando a causa é gerada pelo tabagismo, a indicação é largar o vício. No caso de pólipo nasal o tratamento requer cirurgia e desobstrução da via nasal interditada”, destaca a médica.
E ainda acontece que o tratamento é diversificado e varia de acordo com a causa de cada paciente. Portanto, o requer um acompanhamento personalizado, onde se avalia caso a caso, de acordo com a causa e origem.
A anosmia é o grau mais alto da doença, pois afeta a perda total do olfato. Em alguns casos há a perda parcial, ou seja a hiposmia; e existe a percepção distorcida dos cheiros, chamada de parosmia. É bom estar sempre em alerta para identificar o grau em que se encontra e tomar as providências para não se agravar quando ainda há solução.
“Os portadores de anosmia relatam a dificuldade em manter atividades domésticas, bem como cozinhar e até limitação em manter uma higiene pessoal. O que gera insegurança e dificuldades para manter uma vida social saudável, pois acabam se isolando e desenvolvendo sintomas depressivos, alto grau de agressividade, ansiedade”, destaca dra. Jeanne.

Como em todos os casos, a melhor solução sempre é a prevenção. Visitar periodicamente o seu médico, beber bastante líquidos, cuidar da respiração, alimentação saudável, exercícios físicos e assim por diante. Deve-se ter cuidado com a automedicação por vias nasais, pois há produtos que podem ser prejudiciais à sua saúde. Se surgir algo estranho em seu olfato, procure uma orientação médica, jamais procure automedicação em farmácias ou internet. É importante investigar e acompanhar desde o início os sintomas da doença, para evitar complicações, até para eliminar, segundo a doutora, “a possibilidade de que seja o anúncio de doenças sérias, como Alzheimer e Parkinson.”






Fonte: Fc edição 982, Outubro de 2017
Postado por: Família Cristã




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