Violência ao idoso nunca mais!

Data de publicação: 05/07/2018


Por,  Roseane Welter

Atualmente no Brasil, a população vive uma profunda mudança em suas características demográficas, com destaque para o crescimento expressivo na idade populacional. Pesquisas recentes sinalizam que existem aproximadamente 20 milhões de pessoas idosas no País, o que representa 11% da população, como aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). 
Em 2015, o Governo Federal, por intermédio do Disque 100, recebeu 62.563 denúncias de violência à pessoa idosa, o que representa um aumento de 15,8% se comparado a 2014.
Diariamente, são aproximadamente 171 notificações de violação dos direitos dos idosos, 39% dessas denúncias se dão por negligência e omissão dos próprios familiares, seguidos de 26,1% de registros por violência psicológica, 20% por abuso financeiro e 13,8% por violência física (confira o quadro). Esses números enfatizam o quanto é necessário informação e prevenção para evitar que a violência continue a crescer. Ciente dessa realidade crescente da violência contra a pessoa idosa, a Organização Mundial da Saúde (OMS) instituiu o dia 15 de junho como a data de conscientização e combate à violência contra idosos, com o objetivo de proporcionar a todos eles o envelhecimento de forma saudável, tranquila e digna, garantindo assim a integridade dos seus direitos humanos.

Formas de violência – Diariamente são relatadas e presenciadas cenas de violência contra a pessoa idosa. As mais frequentes são: a violência física, que inclui abusos e maus-tratos; a negligência e o abandono, familiares e instituições responsáveis omitem os cuidados básicos que garantem o desenvolvimento físico, emocional e social da pessoa idosa; a violência sexual, que consiste no uso do poder, força física, intimidação ou influência psicológica, como uso desses elementos alguém obriga o idoso a presenciar ou participar de interações sexuais.  Existe também a econômico-financeira e patrimonial e essa acaba incidindo bastante, pois consiste no uso impróprio dos bens dos idosos; a violência psicológica, que corresponde às várias formas de desprezo, preconceito e discriminação, e esta acaba sendo bem frequente no dia a dia, através de agressões verbais ou gestuais com o intuito de humilhar e restringir a liberdade, fazendo com que a pessoa idosa se isole do convívio social; a violência emocional e social, que se refere à agressão verbal crônica, caracterizada pela falta de respeito aos desejos, à intimidade, negação do acesso aos amigos, desatenção a necessidades sociais e de saúde. Esses e outros exemplos de violência à pessoa idosa podem ser encontrados na cartilha Violência contra idosos – O avesso do respeito à experiência e à sabedoria, da Secretaria Especial de Direitos Humanos, do Ministério da Justiça. São situações de violência que precisam ser eliminadas da nossa convivência, pois todos, crianças, jovens, adultos e idosos, têm os mesmos direitos e deveres; e estes devem ser respeitados para juntos construir uma sociedade mais justa e igualitária. Denunciar é um ato de coragem, mas nem sempre isso acontece porque os idosos têm medo e vergonha, principalmente quando a agressão ou os maus-tratos acontecem dentro de casa. Muitos continuam sofrendo em silêncio, e esse é um compromisso público e social para criar uma cultura de conscientização da não violência aos idosos, garantindo sua dignidade e a defesa de seus direitos. Independentemente de quem seja, a agressão deve ser denunciada à Secretaria Especial de Direitos Humanos.

Lutar pelos direitos – Mahatma Gandhi, líder pacifista indiano, afirmava que “o método da não violência pode parecer demorado, muito demorado, mas eu estou convencido de que é o mais rápido”. Conscientizar é prevenir e evitar muitas formas de agressão e negligência em nosso momento atual de sociedade. Nely Therezinha, 62 anos, mora em São Paulo, capital, e frequentemente vê pessoas idosas sendo vítimas de violência, na rua, no ônibus, no supermercado. “São cenas que dão vontade de chorar de tristeza de imaginar como chegamos a esse ponto de maltratar o nosso próximo.” E ressalta: “Antigamente as pessoas mais jovens respeitavam e valorizavam os idosos em consideração aos anos já vividos e ao progresso que representavam para a história da família e do País”.
Lutar pelos direitos é uma constante da qual não podemos abrir mão. “Fico muito triste quando vejo os assentos de ônibus ocupados por jovens e o idoso em pé, para mim fica evidente que estamos errando na educação” enfatiza Nely.
A idade não é empecilho para Vera Schefer, 59 anos, que diariamente acorda cedo para cumprir sua jornada de trabalho na clínica onde é massoterapeuta e afirma trabalhar por amor à profissão e por necessidade financeira. Mas, quando se trata deste tema delicado, é enfática: “o idoso, por conta da idade, já está vulnerável, não consegue fazer o que fazia quando era jovem, e usar isso para humilhá-lo, é lamentável”, desabafa com lágrimas nos olhos. As pessoas da terceira idade, em vez de serem vítimas de violência, deveriam viver sua vida agora em paz, aproveitando cada minuto para serem feliz escurtindo a família que, com esforço, construíram, amando e sendo amadas e cuidadas por todos com atenção.


















Fonte: fc edição 978, junho de 2017
Postado por: Família Cristã




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