Um livro tão antigo e tão novo

Data de publicação: 20/07/2018



Por, Renan de Souza

 
Mesmo sendo escrita há milhares de anos, a Bíblia ainda tem espaço no meio da juventude, que encontra em suas palavras ensinamentos para as novas gerações

Uma coletânea de livros onde boa parte foi escrita há milhares de anos. Algumas histórias são bem reais e, outras, totalmente fantasiosas. A Bíblia continua a ser, desde a invenção da imprensa por Johannes Gutenberg, por volta de 1439, o livro mais vendido do mundo, traduzida para mais de 2 mil idiomas e dialetos. Mas esse livro ainda tem importância para os jovens de hoje? Padre José Tolentino Mendonça, um dos maiores especialista do mundo no assunto, defende que sim. Ele aborda, com rigor, criatividade e simplicidade, esse texto profundo, universal, e afirma que, mais que um texto religioso, a Bíblia é destinada a todos, cristãos ou não, sobretudo ao coração humano. “Sendo Palavra de Deus para o homem e a mulher de todos os tempos, aquela é uma Palavra aberta, capaz de transmitir a inspiração de Deus, mas capaz também de inspirar infinitamente a História. Nesse sentido, a Bíblia nunca está completamente lida. Cada geração é chamada a aproximar-se do texto como se fosse a primeira vez, acolhendo dele os desafios de quem se deixa tocar e transformar por uma Palavra que é a síntese do amor que Deus tem pela História.”
Um dos sites na internet que ajudam nesse itinerário do jovem pela Bíblia é o Lectionautas, que completa 10 anos no Brasil. Padre Antônio Ramos Prado, assessor nacional da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), explica que a ideia veio do México e adapta a Leitura Orante, prática antiga na Igreja, à linguagem jovem. “A Pastoral Juvenil vem desenvolvendo esse projeto com o desejo de contribuir com adolescentes e jovens de uma forma atraente de fazer a Leitura Orante, utilizando as novas tecnologias com a criatividade que somente os adolescentes e os jovens costumam apresentar.” Sobre a Leitura Orante, o texto conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, o famoso Documento de Aparecida, nº 249, afirma: “Entre as muitas formas de se aproximar da Sagrada Escritura existe uma privilegiada à qual todos somos convidados: a Lectio divina ou exercício de leitura orante da Sagrada Escritura. Essa leitura orante, bem praticada, conduz ao encontro com Jesus-Mestre, ao conhecimento do mistério de Jesus-Messias, à comunhão com Jesus-Filho de Deus e ao testemunho de Jesus-Senhor do universo”.
O projeto Lectionautas não está restrito ao site. “Através de oficinas pelo Brasil, capacitamos os adolescentes e jovens”. “Estes, por sua vez, criam células capacitando outros jovens em diversos espaços, grupos escolares, paróquias, centros juvenis etc. Através de um blog ou Facebook, compartilham a leitura da Bíblia e dão testemunhos da mesma todos os dias”, explica padre Antônio Prado.
Experiência maravilhosa – Para Marcelo Camillo Stempinhaki, jovem participante da oficina no Setor Juventude da Diocese de Rio do Sul (SC), esse momento de interiorização e ajudou a perceber que existem várias maneiras de interpretar a Bíblia e que podem ser trazidas para o próprio cotidiano. O jovem Gabriel Goméz, participante do Encontro de Leitura Orante e Acompanhamento de Jovens, realizado em Manaus (AM), afirmou: “Foi uma experiência maravilhosa, partilhar o Evangelho e compartilhar com aqueles que ainda não conhecem”. Do mesmo encontro, Bruno Santos confirma o despertar do interesse pela Bíblia: “Com um encontro riquíssimo como este, eu sinto um grande e ardente desejo do conhecimento da Palavra de Deus”.
Outra iniciativa para aproximar esse livro milenar do jovem é a recém-lançada Bíblia Jovem, pertencente à série YOUCAT, dirigida especialmente aos jovens e um presente do então papa Bento XVI para a Jornada Mundial da Juventude de Madri (Espanha), em 2011. De lá para cá, a série aumentou e já ganhou livros de Crisma, de auxílio para a confissão, uma agenda, um livro de orações e, recentemente, pelas mãos do papa Francisco, o DOCAt, que contém a Doutrina Social da Igreja Católica para os jovens. A Bíblia Jovem é uma coletânea dos trechos bíblicos mais significativos que ajudam os jovens a se inspirarem na Palavra de Deus. Cada livro bíblico é precedido por uma breve introdução, contextualizando o texto.
Semelhante aos demais livros da coleção, nas margens das páginas o leitor pode encontrar frases de grandes santos e pensadores da humanidade, que atuam como chaves de leitura do capítulo bíblico correspondente. Inclui ainda imagens da Terra Santa, fotos de algumas das paisagens bíblicas, indicações para o Catecismo da Igreja Católica e o YOUCAT, as perguntas dos jovens e, claro, os famosos bonequinhos Stickman, que se tornaram marca registrada do YOUCAT. O livro foi preparado durante três anos, por uma equipe de especialistas. No prefácio, o papa Francisco convida todos os jovens a perseverarem na leitura diária da Sagrada Escritura, para que ela não permaneça relegada a mero enfeite em uma estante. E ainda dá várias sugestões aos jovens em como usá-la e ao mesmo tempo confidencia como lê a sua “velha Bíblia”.

Mudança de vida – Como afirma padre José Tolentino, a capacidade de se transformar pela leitura da Bíblia é tanta que alguns santos mudaram de vida simplesmente devido ao fato de a lerem. Um exemplo clássico é o de Santo Agostinho. Como ele mesmo conta em seu famoso livro Confissões, vivendo uma vida desregrada, acabou um dia abrindo a Bíblia numa página que o atingiu em cheio. A passagem da Carta aos Romanos, capítulo 13, versículos 13 e 14, dizia: “Andemos honestamente, como em pleno dia: nada de glutonerias e bebedeiras, nada de orgias e imoralidades, nem de contendas e rivalidades. Pelo contrário revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e atendais aos desejos e paixões da vida carnal”.
Patrícia Decarli possui uma página no Facebook chamada Quero Iluminar, destinada à evangelização, e conta como lê a Bíblia: “Às vezes eu leio buscando uma resposta. Faço uma oração e abro espontaneamente. Por causa da minha página no Facebook, leio também para pesquisa, porque as pessoas me mandam muitas perguntas”. Ela comenta que uma das dúvidas mais frequentes é sobre a idolatria de imagens. “Tive que começar a pesquisar os idiomas da época porque o que atrapalha são as traduções. Sabemos, por exemplo, que Deus não condena as imagens, mas os ídolos. Em algumas traduções ‘ídolo’ está como ‘imagem’. A outra questão mais recorrente é se os mortos podem ou não interceder, porque pedimos a intercessão de Maria e dos santos. Eles estão mortos fisicamente, mas o corpo ressuscita. Aí tive que estudar mais a questão de Moisés, pois ele morre no Antigo Testamento, mas, em Mateus, no capítulo 17, Moisés aparece para Jesus. Então a própria Bíblia prova que existe ressurreição. Muitas pessoas nunca leem essas passagens.” E conta sobre seus livros preferidos da Bíblia: “Gosto muito do Evangelho de Lucas e do de João. Eu brinco dizendo que o de João, se fosse na época de hoje, de redes sociais, ele seria aquelas pessoas que escrevem ‘textão’, porque tem muito mais detalhes. E o de Lucas, porque é o que mais fala de Maria”, explica a devota Patrícia.




Fonte: Fc edição 981, Setembro se 2017
Postado por: Família Cristã




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