Avós e netos, belas histórias

Data de publicação: 24/07/2018


Por, Cleusa e Alvício Thewes

Escutar com o coração e com todos os sentidos é uma arte afetiva a ser desenvolvida na criança. Narrar histórias e com elas transmitir ensinamentos é um dos caminhos desta arte

“É preciso que todos os homens permaneçam seres humanos durante todo o tempo em que estiverem vivos” Simone de Beauvoir.
Mel, 70 anos – O desejo da vovó Mel é deixar uma herança peculiar às netas, Clara e Carolina, de 8 e 6 anos, respectivamente. Trata-se de uma herança simples, inusitada, sem valor pecuniário, porém com grande valor afetivo, constituído, tão-somente, dos livros de histórias escritas por ela.
Mel escreve histórias infantis. Ela própria produz os seus livros, usando material reciclável. Os personagens de Mel são bonecas. As histórias dela sempre se transformam em peças teatrais para crianças, suas netas e outras, e idosos. Suas peças fazem sucesso, e a vovó Mel encanta a todos com criatividade e dinamismo.

Rangel, 78 anos – Vovô Rangel é engenheiro civil aposentado. Trabalhou muito, adoeceu e agora está fragilizado e debilitado. Mesmo assim conserva o bom humor, o prazer de viver e o amor pela família.
Vovô Rangel cultiva momentos gratificantes com o netinho, Vítor, de 8 anos. Vítor tem seu quarto na casa do vovô. Quando lá pernoita, ele e o vovô se deitam na penumbra e contam histórias. Vitor narra ao avô suas imaginações de bombeiro, marinheiro e aviador; o vovô entra nos sonhos do neto e juntos andam no enorme caminhão vermelho de sirenes estridentes, navegam no navio em alto-mar alimentando baleias e tubarões, voam para o alto atravessando temporais e nuvens até o avião tocar as asas no céu.
Aos sábados eles têm tarefas domésticas, bem como fazer o pão caseiro da semana seguinte. Vítor coloca os ingredientes na grande bacia: farinha de trigo, ovos, leite, fermento e açúcar. Depois amassam a quatro mãos até a massa ficar lisinha. Então enchem as formas, aguardam o crescimento dos pães e os levam ao forno. Finalmente o pão chega à mesa. Vítor corta uma fatia, deixa esfriar, degusta e exclama: “Show de bola, vovô”.
 Esta rotina doméstica e a invenção de histórias envolvem avô e neto. Ao escutar o neto e ao ensinar-lhe a fazer o pão, Rangel reconhece que entre eles há troca de afetos e aprendizados.

E mais histórias... – Os doces avós têm a habilidade de adoçar o convívio com os netos através da criatividade, da narração de histórias, da transmissão de conhecimentos. As histórias infantis ensinam valores, habilidades, atitudes, de forma lúdica, leve e determinada. Histórias fotografam vidas imaginárias e povoam a cabecinha das crianças com conteúdo sadio. Histórias oportunizam a aproximação de gerações, fazendo avós e netos mergulharem no tempo, na fantasia e, também, na realidade.
Contar histórias potencializa as habilidades de falar, olhar e escutar.  A pausa na escuta é como a chuvinha fina caindo e penetrando na terra, que a acolhe silenciosa. O espaço entre o falar, o ver e o escutar desenvolve a empatia, ou seja, sentir o outro e ser sentido por ele. Escutar com o coração e com todos os sentidos é uma arte afetiva a ser desenvolvida na criança. Narrar histórias e com elas transmitir ensinamentos é um dos caminhos desta arte.
Na sociedade atual, marcada pelo individualismo e por sentimentos pouco elaborados, as pessoas desenvolvem a inabilidade de tudo falar e nada ouvir; de tudo olhar e nada ver; de tudo receber e nada doar; de tudo ter e pouco ser. Daí a importância do convívio de avós e netos. Idosos e crianças experienciam a sinergia entre o falar, o olhar, o escutar, o dar e o ser. A saúde das emoções, o alívio da ansiedade e a alegria de viver transitam neste tranquilo sentir.
As histórias de bonecas da vovó Mel e os bombeiros, os aviadores, os marinheiros e o pãozinho do vovô Rangel comunicam sentimentos e com certeza vão virar ternas e eternas histórias na vida destes netos e avós.

Entrelaçando vínculos – Neste contexto, referimos-nos, unicamente, a vínculos familiares, a laços fortes de afeto, segurança e pertencimento que ligam e vinculam as pessoas.
A construção afetiva desses laços entre avós e netos é diferente dos vínculos criados entre as demais pessoas. Comunicando o sentido da vida aos netos, os avós, peregrinos vividos e experientes, mantêm-se humanos, ternos e vivos, pois enquanto lá fora o mundo grita, os avós cantam, angelicalmente, no lar; enquanto o mundo corre, os avós sentam; enquanto o mundo agride, os avós acolhem; enquanto o mundo dorme, os avós rezam. O coração e a vida dos avós é uma enorme casa/lar, onde filhos e netos encontram compreensão, cuidado e perdão. Ali histórias e pãezinhos sempre existirão. Aquelas nutrindo o espírito, e estes alimentando o corpo. Os benefícios dessa convivência são recíprocos e reconhecidos pela ciência.







Fonte: Fc edição 979, Julho de 2017
Postado por: Família Cristã




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