Uso correto das plantas

Data de publicação: 17/08/2018

Uso correto das plantas medicinais



Por,Linete Maria Menzenga Haraguchi e profª. dra. Sumie Yamashita Wadt *

A importância do cuidado necessário no uso de plantas medicinais: saber nomenclatura botânica, parte usada, padronização, forma de uso, indicação, ação terapêutica, dose diária, via de administração

As plantas contêm substâncias químicas que tanto podem ser responsáveis por seus efeitos terapêuticos quanto tóxicos e, portanto, não podem ser utilizadas indiscriminadamente. Enfatiza-se a importância de os usuários e, principalmente, os prescritores terem o conhecimento real das plantas que serão utilizadas, de modo especial as medicinais, quanto aos estudos que comprovem a eficácia e segurança. É necessário considerar a origem e a identificação da matéria vegetal para que, juntamente com as boas práticas agrícolas, seja possível assegurar produtos com qualidade.
Deve-se saber se é a planta correta e se está isenta de contaminação; não é recomendável coletar aquela encontrada nas beiras de rios, córregos poluídos e nas proximidades de esgotos, nem nas margens das estradas, que poderá estar contaminada por poluentes.
Os remédios caseiros só devem ser usados com as devidas orientações, uma vez que seu uso inadequado pode ocasionar intoxicações e queimaduras. Recomenda-se sempre procurar a orientação de um profissional de saúde habilitado. O usuário não deve suspender a medicação que esteja utilizando para substituí-la, por conta própria, por plantas medicinais. Nesse caso, recomenda-se procurar a orientação de um profissional de saúde. Mesmo quando indicadas corretamente, as plantas podem provocar efeitos indesejáveis se forem ingeridas em grandes quantidades.
Gestantes e lactentes não devem utilizá-las sem orientação médica. Recomenda-se enfaticamente, antes da utilização de qualquer planta medicinal ou fitoterápico, obter o diagnóstico correto da doença a ser tratada e a prescrição por um profissional de saúde especialista na área e habilitado para tal.
Não se deve usar plantas mofadas ou com pragas. Por isso, o armazenamento deve ser feito com os seguintes cuidados: evitar locais que promovam a contaminação por mofo ou insetos e exposição direta à luz solar e umidade. É necessário ter cuidado também quanto ao preparado de plantas medicinais, pois existem diferentes métodos, bem como, infusão, decocção etc. Procurar evitar o uso de recipientes de ferro, alumínio, cobre ou plástico; dando preferência aos de vidro (que possam ser levados ao fogo), porcelana ou barro.

Conhecer a planta ─ É necessário não só conhecê-la, mas também a quantidade certa para o preparo do chá ou fitoterápico, como também a parte ideal a ser utilizada. É importante atentar para a hora de usar as plantas, observando se a indicação é para uso interno (ingestão) ou uso local (tópico). Muitas delas, como o confrei (Symphytum officinale) e a arnica (Arnica montana), não devem ser ingeridas, somente usadas em aplicações de uso tópico. Em casos de reação de hipersensibilidade,  suspender o uso e procurar pronto atendimento.
Cuidado com o uso nos casos de doenças crônicas: para patologias de caráter crônico e nos casos de agravamentos das patologias, não é aconselhável o uso de fitoterapia. É de extrema importância o acompanhamento médico e laboratorial. O usuário deve saber que um fitoterápico, por estar baseado na alopatia, necessita de doses certas e controladas, pois algumas plantas ou fitoterápicos podem causar intoxicação, fotossensibilização, sinergismo, antagonismo, alteração dos efeitos, reações adversas e agravos à saúde.
É importante comprar ou adquirir plantas secas somente em locais confiáveis que atestem a procedência, tenham embalagem adequada, rótulo com identificação correta, nomenclatura botânica, indicação de uso (órgão e dose), data de validade, peso líquido, farmacêutico responsável.
As plantas medicinais devem ser utilizadas com muito critério, iniciando-se pela identificação real do problema, com a ajuda e orientação do médico para o diagnóstico correto da patologia e medidas técnicas
adequadas. Depois da doença ou “problema de saúde” identificado, é necessário saber quais plantas e suas partes (caule, raiz, folhas, flores) deverão ser usadas para liberar o princípio ativo, onde adquiri-las com segurança, a melhor forma de uso, as dosagens e prescrições.
Pontos importantes: nomenclatura botânica, parte usada, padronização, forma de uso, indicação, ação terapêutica, dose diária, via de administração, possíveis efeitos colaterais, interações medicamentosas, entre outros. Tire todas as suas dúvidas com o profissional de saúde especialista na área, assim você poderá obter o efeito terapêutico esperado com o uso de uma planta medicinal ou fitoterápico.

Arruda - Ruta graveolens L.
Originária do sul da Europa (Itália e Bálcãs), é cultivada no Brasil como planta medicinal e pela crença popular contra doenças. É um subarbusto perene, de caule lenhoso na parte inferior. Suas folhas são pinadas, com folíolos elípticos verde-azulados e fortemente aromáticos.

Família botânica: Rutaceae

Nomes populares: arruda-comum, arruda-doméstica, arruda-fedorenta, ruta, ruta-de-cheiro-forte, arruda-dos-jardins, erva-arruda etc.

Parte usada: toda a planta.

Principais componentes químicos: óleos essenciais (metilcetonas), glicosídeos flavonoides, rutina, derivados cumarínicos, saponina, alcaloides.

Algumas propriedades: o sumo obtido por expressão das folhas, em compressas e cataplasma, as possui ação analgésica, anti-inflamatória em reumatismos. Um preparado das folhas cozidas pode ser pulverizado em plantas como repelente de insetos, como os pulgões.

Precauções, toxicidade e contraindicação: devido à sua alta toxicidade, informações técnicas recentes desaconselham totalmente o uso da arruda na medicina caseira para uso interno (chá). Sua ingestão pode causar hemorragias graves e levar à morte. É considerada abortiva por conter princípios ativos que são tóxicos, em especial sobre o útero. Mesmo por via tópica, usar com cautela e sob orientação, por ser fotossensibilizante, podendo causar queimaduras na pele quando exposta ao sol. O uso não é indicado em gestantes, lactantes, crianças e pessoas com pele sensível.

Babosa, Áloe – Aloe spp.
Plantas herbáceas de folhas alongadas, grossas e suculentas, margeadas por espinhos e dispostas em roseta no caule. Quando as folhas são feridas, escoa um líquido viscoso, amarelado, malcheiroso e amargo (compostos antraquinônicos).

Família botânica: Asphodelaceae (anteriormente, Liliaceae)

Aloe vera (L.) Burm f. (sin.: Aloe barbadensis Mill.)
Originária de regiões de climas quentes e áridos, provavelmente da África, cresce espontaneamente em várias regiões do Brasil. Possui caule curto e flores amarelas
Nomes populares: aloe, babosa-grande, babosa-medicinal, erva-de-azebre, caraguatá, alóe-do-cabo, alóes.

Aloe arborescens Mill.
De folhas menores que a Aloe vera, essa espécie desenvolve, conforme o crescimento, um caule cilíndrico, coroado pelas folhas. Produz flores vermelhas.

Nomes populares: alóe, babosa.

Partes usadas: suco amarelo (antraquinonas, resinas) e polpa transparente (mucilagem ou gel de babosa).

Principais componentes químicos: antraquinonas glicosiladas, resina, mucilagens, ácidos orgânicos e enzimas.

Algumas propriedades: Ação cicatrizante e antisséptica (uso externo). Sumo fresco da polpa transparente das folhas (compressa): cicatrizante de queimaduras e ferimentos superficiais da pele, entorses e contusões.

Cosmética: tratamento dos cabelos.

Uso interno: deve ser orientado por profissionais de saúde.

Gel mucilaginoso: estimulante imunológico.

Resina com antraquinonas: laxativo e deve ser orientado por profissionais.

Precauções, toxicidade, contraindicação: o uso interno deve ser feito com cautela e sob orientação médica, não excedendo nunca às doses recomendadas de xaropes e outros remédios, pois podem causar nefrite aguda. Contraindicados para gestantes, crianças, lactantes e portadores de afecções uterinas, cistites, disenterias, colites e prostatites.

O cultivo
Arruda ─ No caso de vasos, crie um fundo drenante para não acumular água, evitando assim que as raízes apodreçam.  A seguir, faça uma composição com 1/3 de terra comum, 1/3 de adubo orgânico, que pode ser húmus de minhoca, e 1/3 de areia grossa. Plante a muda ou estaca, cobrindo bem com a terra preparada, mas sem atingir a altura das folhas.  Ao finalizar, regue para acomodar a terra do vaso e prevenir a criação de bolsas de ar que ficam perto das raízes, causando seu ressecamento.

Babosa ─ Não são exigentes quanto ao solo, desde que este seja drenado e permeável (arenoso e areno-argiloso), mas são sensíveis à acidez do solo. Solos com abundância de matéria orgânica devem ser equilibrados com boas doses de nutrientes minerais: potássio, cálcio, fósforo e magnésio o mais usado e prático são os do uso dos perfilhos que nascem ao redor da planta-mãe (A. vera), ao lado do tronco (A. arborescens) e os que afloram no solo pelos rizomas (A. saponaria). O uso de estacas de raízes não produz muitas mudas (só é empregado eventualmente), e as folhas raramente enraízam.


* Conteúdo cedido gentilmente pela Secretária Municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo (SP)





Fonte: Fc edição 963, Marco de 2016
Postado por: Família Cristã




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