Jovens protagonistas em ação

Data de publicação: 13/09/2018


Por, Juliene Barros *

É preciso estar atento àqueles jovens protagonistas nas ações políticas, sociais e humanitárias, que até mesmo de fora da Igreja buscam ações concretas para o bem de todos

Durante os dias 19 a 24 de março, cerca de 300 jovens de todo o mundo, rapazes e moças representando os cinco continentes, estiveram em Roma, na Itália, atendendo ao chamado do Santo Padre, o Papa Francisco, para participar da Reunião Pré-Sinodal. Foi uma alegria e uma imensa responsabilidade participar desse encontro, que não foi um encontro qualquer, mas um grande encontro de realidades, de histórias e também de crenças, pois além de jovens católicos, foram também convidados jovens de outras denominações religiosas e também ateus. O objetivo deste momento foi dar a palavra a nós jovens como protagonistas da caminhada rumo ao Sínodo dos Bispos, que acontecerá entre os dias 3 e 28 de outubro, também em Roma, com o tema Os jovens, a fé e o discernimento vocacional, e apresentar aos bispos sinodais um documento com as nossas perspectivas, realidades, ideias e propostas. E, além dos jovens reunidos presencialmente, mais de 15 mil se uniram a estes momentos através de uma participação ativa e interativa nos grupos da Reunião Pré-Sinodal no Facebook.
Já no primeiro dia, sentimos o quão intenso seria aquela semana! Na abertura do encontro, o papa Francisco nos convocou novamente a sermos protagonistas deste sínodo, e nos lembrou da necessidade da aproximação da Igreja junto aos jovens, da necessidade de levá-los a sério e não somente na Igreja, mas também na sociedade, onde por diversas vezes um jovem sofre as consequências por não conseguir um emprego, enfrentam situações de violência, falta de perspectiva, entre outras. “Os jovens devem ser levados a sério! Parece-me que estamos circundados por uma cultura que, se por um lado idolatra a juventude procurando nunca a fazer passar, por outro impede que muitos jovens sejam protagonistas”, reforçou o papa Francisco.

Compartilhar, escutar e avançar – A partir das temáticas propostas para a reunião, trabalhamos em grupos linguísticos de inglês, espanhol, italiano e francês, buscando no primeiro momento exprimir e partilhar sobre os “Desafios e oportunidades dos jovens no mundo de hoje”, para compreender a atual situação dos jovens. Foi o momento de falar sobre a formação da nossa personalidade, o relacionamento com os outros e com a tecnologia, sobre o que esperamos para o futuro e a busca pelo sentido da vida. “uma das coisas mais importantes da Reunião Pré-Sinodal foi a partilha, isto é, cada jovem trouxe consigo a sua vida e com ela a sua experiência, as alegrias, as tristezas, os anseios, os desafios... cada jovem vindo de todas as partes do mundo, trouxe consigo a vida e o bonito é que não ‘deixou na mala’, mas partilhou... Falou ‘sem filtro’”, afirma Evanderson Luiz, representante dos Religiosos da América Latina.
Já no segundo momento a abordagem foi sobre a “Fé e vocação, discernimento e acompanhamento”, buscando compreender, a partir do jovem, como ele vê Jesus, o seu entendimento sobre a fé e dos termos de vocação e discernimento, que são as palavras-chave do próximo sínodo. “A Igreja está atenta à necessidade dos jovens e quer ajudá-los nas suas escolhas, se preocupa em dar uma solução para seus problemas e quer a sua contribuição na solução dos problemas da sociedade. O jovem pode ser protagonista nas suas decisões, mas não sozinhos, mas num percurso de unidade e colaboração”, destaca irmã Nilda da Silva, da congregação das Pequenas Missionárias de Maria Imaculada e representante das formadoras da vida religiosa, recordando sobre a importância e do bom preparo dos acompanhantes vocacionais e líderes de juventude.
O terceiro momento de partilha nos grupos, refletimos “A ação educativa e pastoral da Igreja”, momento em que tivemos a oportunidade de mais uma vez sermos protagonistas, apontando propostas concretas para a Igreja. Leon Patrick, representante da Cáritas Internacional, também vê o protagonismo juvenil nesse processo sinodal como um “reconhecimento dos jovens no centro da Igreja, como sujeitos que podem ajudá-la e que podem dizer junto a ela aquilo que é importante, ajudando nas decisões com a hierarquia da Igreja, com os bispos e com os padres”. Assim, com essa colaboração entre os jovens e a Igreja, além das ações dentro das preparatórias para o Sínodo, os jovens sentem forte esse apelo se tornarem protagonistas e líderes efetivos e ativos dentro da Igreja, proporcionando uma Igreja mais autêntica, acolhedora, comunicativa e transparente. Além do mais, é preciso estar atento àqueles jovens protagonistas nas ações políticas, sociais e humanitárias, que até mesmo de fora da Igreja buscam ações concretas para o bem de todos. Para os jovens, é preciso que a Igreja também esteja presente em lugares onde nos encontramos “intelectualmente, emocionalmente, espiritualmente, social e fisicamente”, reforçaram os jovens no documento síntese da reunião.

Quando muitos entram em ação – Após as conversas e partilhas, a missão dos jovens na Reunião Pré-Sinodal foi sintetizar todas as falas e todos os comentários partilhados nos grupos do Facebook em um único documento. Lucas Galhardo, representante internacional do Movimento de Schoenstatt, durante a reunião, também fez parte do grupo de jovens que ajudaram a sintetizar e a elaborar o documento final. “Eu enxergava que todo aquele conteúdo que tínhamos para sintetizar em um documento de poucas páginas é uma riqueza extraordinária, porque representa a realidade e os anseios de jovens de diversas partes do mundo, diferentes culturas, carismas, crenças, opiniões. Por isso o grande desafio: sintetizar tudo isso em um documento que represente a todos.”
Saulo Maia Dantas, jovem da Comunidade Católica Shalom, foi voluntário na Reunião Pré-Sinodal participando da equipe de moderação do grupo de língua portuguesa no Facebook. “Nós precisamos fazer uma síntese de 150 páginas e sintetizar em apenas três, mas também tivemos que estar atentos às inspirações originais que de fato poderiam contribuir com a Igreja. Os jovens participaram intensamente e se mostraram interessados em contribuir de forma decisiva.”
Filipe Domingues, doutorado em Ciências Sociais, que foi indicado pela Pontifícia Universidade Gregoriana para participar da reunião representando a Congregação para a Educação Católica, também esteve à frente deste comitê do documento final do encontro. “É muito importante lembrar que este é um documento de trabalho. Não é a Sagrada Escritura e nem parte do Magistério. É um relatório que visa a orientar a elaboração do Instrumentum Laboris e os bispos durante o Sínodo. Acho que todas as pessoas que trabalham com jovens devem ler esse documento, especialmente na Igreja. O documento não dá respostas definitivas, porque foi feito por pessoas muito diferentes, de todas as partes do mundo. Mas é um raio-x com algumas das principais preocupações que passam na cabeça dos jovens atualmente. Mesmo que imperfeito, eu ficaria feliz se as pessoas lessem e discutissem com os jovens esse documento.”

Dos jovens, ao papa e aos bispos – A entrega do documento final da Reunião Pré-Sinodal foi feita pelo jovem Yithzak Yerel González Murgas, do Panamá, durante a Missa do Domingo de Ramos, data na qual a Igreja também celebra a Jornada Mundial da Juventude a nível diocesano. “Neste documento, mais do que palavras, lhe entregamos a nossa vida e os desejos mais profundos de nosso coração”, acrescentou Yithzak, ao entregar o documento ao papa Francisco. Matheus Vinicius de Oliveira Santos, seminarista da Arquidiocese de Brasília (DF), representando os seminaristas da América Latina, conclui “a expectativa, em relação à leitura dos bispos e ao documento, é de que essas percepções apresentadas pelos jovens sejam realmente levadas em consideração. O Santo Padre, na abertura da Reunião Pré-Sinodal, pediu que a falássemos sem filtros, sem medo. Da mesma forma, acredito que seja o desejo de nós jovens de que os bispos também possam falar a nós, a partir daquilo que entregamos no documento final, sem filtros e sem medo”.






Fonte: Fc edição 989, Maio de 2018
Postado por: Família Cristã




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