Doação de Leite Humano

Data de publicação: 13/09/2018


Por, Carmen Maria Pulga

O leite materno humano é o mais complexo entre todos os mamíferos, diz recente pesquisa publicada na revista científica Trends in Biochemical Sciences

O estudo mostrou que a matriz humana do primeiro alimento dos bebês tem mais de 200 moléculas de diferentes tipos de açúcares. De acordo com os pesquisadores, as crianças nascem estéreis de qualquer bactéria em suas entranhas. Porém, em poucos dias adquirem milhões e, após uma semana, bilhões. Os açúcares que vêm do leite da mãe são geralmente os primeiros compostos que essas – boas – bactérias têm de mastigar.
O papel de cada um desses açúcares ainda é um enigma, dizem os cientistas, mas provável que tenham ação no sistema imunológico infantil e no desenvolvimento intestinal. O leite materno é, frequentemente, a primeira refeição de uma criança, mas muitas das moléculas de açúcar no leite não são destinadas a alimentar o bebê, mas colaborar como fertilizante e estabelecer as bases para o sistema imunológico do recém-nascido. Além disso, já há comprovações de que o leite materno reduz claramente a mortalidade infantil e diminui significativamente o risco de um recém-nascido sofrer com infecções intestinais e das vias respiratórias.
Hoje, sabe-se que os benefícios do aleitamento materno vão muito além de proteger as crianças da diarreia. Pesquisadores e nutricionistas são unânimes em pensar na amamentação como um conjunto de agentes protetores biologicamente ativos, dentro de uma rede de interações socioafetivas que também fornece um especial suporte nutricional, e não apenas um alimento que contém anticorpos.

Benefícios da amamentação – A importância do aleitamento materno não é novidade. Estamos “carecas” de saber que o melhor alimento para qualquer bebê é o leite materno da própria mãe, principalmente se for oferecido diretamente ao seio. O Ministério da Saúde recomenda a amamentação até os dois anos de idade ou mais, e que, nos primeiros seis meses, o bebê receba somente leite materno, sem necessidade de sucos, chás, água e outros alimentos. Quanto mais tempo o bebê mamar no peito, melhor para ele e para a mãe. Depois dos seis meses, a amamentação deve ser complementada com outros alimentos saudáveis e de hábitos da família.
Se há algo de “novo” neste campo, atualmente, é a riqueza de informações, recursos e cuidados que a sociedade dispõe para auxiliar mães que não podem amamentar ou bebês que, por razões várias, não têm acesso ao leite materno. A princípio toda mulher é capaz de amamentar. Contudo, há sempre exceções e, infelizmente, algumas mães podem enfrentar dificuldades no início da amamentação e, nesses casos, é preciso recorrer, o quanto antes, aos profissionais de saúde capacitados, que devem orientá-las sobre o que fazer.
Uma prática comum no passado, a de uma mãe amamentar diretamente o filho de outra mulher – com as amas de leite –, hoje é desaconselhada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pois pode trazer riscos para o bebê. Muitas doenças contagiosas são transmitidas pelo leite materno, e o bebê tem o sistema imune muito frágil. A mãe produz anticorpos específicos que protegem o seu filho, mas eles não proporcionam a mesma proteção para outros bebês.
Para beneficiar outras crianças com a doação do leite materno, deve-se procurar um Banco de Leite Humano (BLH), onde a mãe receberá todas as orientações necessárias. Neste banco, a doação do leite materno passa por um processo de pasteurização, garantindo a eliminação de microorganismos que podem causar doenças.

Bancos de leite – Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil possui a maior rede de Bancos de Leite Humano do mundo. O primeiro foi inaugurado em 1943 e, em 1998, uma parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz e o Ministério da Saúde resultou na Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, que só em 2014 coletou mais de 185 mil litros de leite materno.
Talvez falte informação sobre esse processo, simples e acessível, em nossos dias. Qualquer mulher saudável que esteja amamentando e produza mais leite do que o necessário para o seu bebê pode se tornar uma doadora. Basta entrar em contato com o banco de leite mais próximo, que você encontra no site da rede http://www.redeblh.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?tpl=home, e manifestar o desejo de doar. Depois é só preencher um cadastro dando informações sobre o pré-natal e a sua situação atual, informando se toma algum medicamento, fuma ou se tem algum problema de saúde. Uma vez considerada apta, você será orientada a coletar em casa, se preferir, ou então será encaminhada para fazer a doação direto no banco de leite.
O aleitamento materno não só garante a saúde dos bebês, mas é também responsável por criar um vínculo afetivo insubstituível entre mãe e filho.



























Fonte: Fc edição 989, Maio de 2018
Postado por: Família Cristã




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