Uma atração do Cerrado

Data de publicação: 24/09/2018


Por, Josiane Moreira, fsp

 A Chapada dos Guimarães abandonou o diamante para acolher e preservar o seu principal patrimônio, a natureza


Em Mato Grosso (MT), uma das paisagens mais bonitas da região, situada no Cerrado brasileiro, é a Chapada dos Guimarães, localizada a 70 quilômetros de Cuiabá. Já foi considerado um dos maiores municípios brasileiros. A cidade, que se chamava Sant’Ana de Chapada, mais tarde o nome foi alterado para Chapada de Cuiabá, e entre outros nomes, foi somente em 1953 que a cidade passa a se chamar Chapada dos Guimarães.
Numa extensa área de planalto, o relevo da Chapada apresenta grandes encostas e escarpas de arenito vermelho que vão de 600 a mais de 850 metros de altitude. Estudos indicam que cerca de 500 milhões de anos atrás o lugar estava coberto de gelo, depois virou mar, e com o tempo, a água escoou totalmente e deu lugar a um deserto. Há 64 milhões de anos foi a vez de uma densa vegetação que servia de alimentos para os dinossauros e diversos animais atualmente extintos. Mais recentemente uma modificação marcante, o afundamento de uma imensa placa tectônica que deu origem a Chapada dos Guimarães.

Natureza e beleza – Não há como negar que esse nome está no topo da lista das belezas naturais do Cerrado. Para qualquer lado que se olhe, um capricho da natureza na paisagem, de onde também se pode observar as marcas deixadas no arenito e encontrar fósseis de conchas do mar, ossos de dinossauros e até dunas do antigo deserto. Também o encanto das mais de 400 cachoeiras, inúmeras nascentes, e das manifestações culturais e tradições cultivadas pelo povo mato-grossense desse lugar.
A biodiversidade da Chapada é visível na sua flora e fauna. Segundo pesquisas, em toda a Chapada, 400 espécies de aves já foram descobertas, e cerca de 40 sítios arqueológicos cultivam histórias, com suas pinturas rupestres, cerâmicas, artefatos de caça e demais utensílios. A gastronomia e o artesanato também são outros atrativos da região.
A Chapada é um lugar que a cada dia se torna mais conhecido por atrair turistas, ambientalistas e místicos do mundo inteiro. Contudo, por curiosidades científicas ou simples lazer, não importa o motivo da viagem, a natureza surpreende, encanta e exibe sua beleza, no coração da América do Sul, entre os oceanos Pacífico e Atlântico.
As descobertas das jazidas de diamante, um lado pouco conhecido, principalmente pelos visitantes, atraíram muitos exploradores de vários pontos do Brasil. Cerca de 3 mil garimpeiros trabalharam na região e foram os primeiros a chegar à localidade à procura de ouro e de diamantes. Alguns bairros da cidade são de origem dessa época e guardam marcas e memória do auge e decadência do garimpo, que, aos poucos, vai sendo escondido pela vegetação, no meio da mata. Contudo, a Chapada abandonou o diamante para acolher e preservar o seu principal patrimônio, a natureza.

Pontos turísticos – Um grande número de belezas naturais, o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, criado em 1989, fica a 11 quilômetros da cidade e possui uma área total de 33 mil hectares. Administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a unidade de conservação abriga dezenas de cachoeiras, mirantes, formações rochosas, pinturas rupestres e trilhas em meio à vegetação típica do cerrado. Quem passa pela Chapada diz que é impossível visitar o parque sem conhecer alguns pontos muito particulares por suas belezas naturais.

Cachoeira Véu de Noiva – Formada pelo Rio Coxipó, é conhecida como cartão-postal da cidade, a mais famosa do parque, e tem 86 metros de altura. Pode ser vista a quilômetros de distância.
Circuito das Cachoeiras – Uma sequência de sete quedas, primeiro com uma caminhada até a Cachoeira Sete de Setembro, depois, Cachoeira do Pulo, a Prainha, Degraus, Andorinhas e piscinas naturais. O percurso é de 7 quilômetros (ida e volta).







Cidade de Pedra – Um lugar fantástico. Com paredões impressionantes e uma paisagem inesquecível, as formações rochosas são esculpidas pelo vento e pela chuva e lembram ruínas de uma cidade, por isso ganhou o nome de cidade de pedras.







Morro de São Jerônimo – No meio das serras, o morro, ponto mais alto do parque, tem 836 metros de altitude. Ele oferece uma bela vista panorâmica da região. Porém, para chegar até o topo, é necessária uma caminhada de 12 quilômetros, que deve ser acompanhada por um guia.







Caverna Aroe Jari – Ou Morada das Almas, significado do nome. Maior caverna de arenito do Brasil, com uma enorme boca de 50 metros de largura e mais de 10 metros de altura e 1 quilômetro de galerias.








Caverna da Lagoa Azul – Uma gruta fascinante por sua imensa beleza. A luz refletida no fundo da areia é a responsável pela cor que dá nome à caverna, revelando essa tonalidade azul. Esse efeito só ocorre durante meia hora no dia, horário em que os raios de sol encontram espaço entre os galhos das árvores e as fendas na rocha.














Morro do Cambambe – Local conhecido por importantes achados fossilíferos. Pesquisadores encontraram o fóssil do maior dinossauro brasileiro, um abelissauro. Nesse morro, surgiu também uma dança típica do estado de Mato Grosso, a dança do siriri, e faz parte das festas tradicionais e festejos religiosos.







Igreja de Nossa Senhora de Santana – É a construção mais antiga da cidade. Construída em 1779, conserva as imagens de Santa Ana do Santíssimo Sacramento, Santo Inácio de Loyola e São Francisco Xavier. Localiza-se na Praça Dom Wunibaldo, a principal da cidade.





Fonte: Fc edição 989, Maio de 2018
Postado por: Família Cristã




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