Esperar no amor

Data de publicação: 04/10/2018


Por: André Kawahala e Rita Massarico Kawahala

A fé e a esperança alimentam uma atitude misericordiosa em relação ao cônjuge e nos fazem despertar nele confiança para oferecer perdão

“Creio em Deus Pai todo-poderoso (...) e em Jesus Cristo, seu único Filho, Nosso Senhor (...) creio no Espírito Santo, na santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na Vida Eterna. Amém” Eis a nossa fé! Os casais, unidos em Matrimônio, que são a base da Igreja doméstica (cf. Familiaris Consortio, 21), também devem professar essa mesma fé, fazendo de sua casa um lugar onde habita a esperança em Deus e no Reino que virá. Mas como fazer crescer tal esperança, nesses dias tão tensos e desesperados?

Vida Eterna, vida em espera – Professamos o Credo com incomparável naturalidade. Tanto que não percebemos que ali está contido o centro da esperança, quando dizemos crer “na ressurreição da carne, na Vida Eterna”. Essas duas últimas expressões apontam para o mistério da vida que continua porque Cristo Ressuscitou e venceu a morte para si e para todos nós. Todo o mistério da encarnação do Filho de Deus tem por finalidade uma nova vida em Deus, que significa, no hoje, viver no amor, para, amanhã, alcançarmos uma dimensão maior e definitiva de vida, para além da morte. Viveremos no lugar que o Senhor Jesus foi preparar para todos (cf. Jo 14,1-3).
Todo casal que se une por amor, no amor e para amar deve buscar compreender esse mistério da fé e vivê-lo da melhor maneira possível no dia a dia. Se o casal celebrou o Sacramento do Matrimônio, essa é uma exigência. Professar que existe uma vida para além dos portais da morte, para onde vamos se amarmos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos (cf. Lc 10,27; Mt 22,39; Mc 12,33) é, ao mesmo tempo, espera dinâmica e esperança oferecida aos que convivem com aquele casal.

Atitudes e palavras – A espera dinâmica da Vida Eterna supõe ter a certeza de que todo o bem realizado nos coloca aptos à misericórdia de Deus. Deus, que ama a humanidade, deseja que a amemos também. Mas o amor ao próximo é um esforço que pode se tornar uma verdadeira cruz. Mas isso também faz parte da dinâmica da vida em Deus: doarmo-nos de forma intensa, buscando a totalidade da oferta de nós mesmos, como fez Cristo até o fim. Isso é algo que o mundo considera loucura. E precisamos mostrar que não é assim. Temos que crer que não é em vão a nossa doação ao cônjuge, que nem sempre retribuirá na mesma medida; a entrega da vitalidade aos filhos, que nem sempre entendem esse amor e são gratos por ele; a dedicação aos amigos, que nem sempre são verdadeiros; o tratamento amável às pessoas do nosso convívio, mesmo que tendam a ser egoístas; o tratamento fraterno dado às pessoas estranhas, que ocasionalmente encontramos, que tendem a agir com indiferença ou como se fôssemos um obstáculo. Claro que ainda há boas e bons samaritanos no mundo, graças ao amor de Deus, e também corremos o risco de não os perceber se não tivermos esperança em Deus e no mundo. A esperança deve nos mover para o bem.

Tudo começa em casa – É preciso crer e esperar que o cônjuge possa ser um pouco diferente a cada dia e que, ao longo dos anos, possa ser melhor, principalmente quando se professa a dois aquela esperança de Vida Eterna. “Aqui aparece a esperança no seu sentido pleno, porque inclui a certeza duma vida para além da morte. Aquela pessoa, com todas as suas fraquezas, é chamada à plenitude do Céu (...) Isto permite-nos, no meio das moléstias desta terra, contemplar aquela pessoa com um olhar sobrenatural, à luz da esperança, e aguardar aquela plenitude que, embora hoje não seja visível, há de receber um dia no Reino celeste” (Amoris Laetitia,117).  A fé e a esperança alimentam uma atitude misericordiosa em relação ao cônjuge e nos fazem depositar nele confiança suficiente para oferecer perdão. Esse testemunho forte de esperança educa e anima os filhos a agirem eles também nessa caridosa convivência. E assim estaremos, através deles, transformando um pouco mais a sociedade.

A família, esperança da sociedade – Dito dessa forma, muitos poderão pensar: “Imagina! Onde isso?” ou algo assim. E é bastante difícil não dar a eles certa razão. O problema está exatamente na forma como os casais, ao longo de cinco ou seis décadas, começaram a vivenciar sua união. Foram tantas as influências que os casais sofreram e que, sem nenhum preparo ou cuidado, acabaram abraçando costumes e atitudes que foram aos poucos desmantelando a fé e a esperança vividas no núcleo da família. Como a sorrateira e esperta serpente do Éden (cf.Gn 3,1-5), os autores das modernas tentações apresentaram várias possibilidades para que o olhar humano, que antes era para a Vida Eterna, se tornasse apenas para as coisas terrenas e passageiras. Por isso, superando a si mesmos e aos desejos mais egoístas, os cônjuges podem e devem buscar novamente o caminho do bem maior em Deus. Propõe-se descobrir em profundidade a mensagem do Evangelho, atualizando sua Palavra de Vida Plena. São João Paulo II disse que as famílias do nosso tempo precisavam ganhar altura e seguir o Cristo (cf. Familiaris Consortio, conclusão). Esse seguimento deve ser uma atualização da mensagem evangélica para que se faça da vida conjugal uma canção de esperança, onde haja constantemente amor, misericórdia e perdão que mudam o cenário de trevas dentro e fora de casa. Como nos diz o papa Francisco: “Com o testemunho e também com a palavra, as famílias falam de Jesus aos outros, transmitem a fé, despertam o desejo de Deus e mostram a beleza do Evangelho e do estilo de vida que nos propõe. Assim os esposos cristãos pintam o cinzento do espaço público, colorindo-o de fraternidade, sensibilidade social, defesa das pessoas frágeis, fé luminosa, esperança ativa. A sua fecundidade alarga-se, traduzindo-se em mil e uma maneiras de tornar o amor de Deus presente na sociedade” (Amoris Laetitia,184).






Fonte: Fc edição 990, Junho de 2018
Postado por: Família Cristã




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