Eles querem o fim da corrupção

Data de publicação: 10/10/2018



Por, Juliana Borga       
   
Pesquisa mostra que os jovens brasileiros querem acabar com atitudes preconceituosas e a corrupção. Por isso eles refletem sobre a importância do voto consciente nas próximas eleições

Com o fim da Copa do Mundo todas as atenções se concentram nas eleições presidenciais deste ano. O primeiro turno acontece no dia 7 de outubro, quando o eleitor escolherá um deputado federal, um estadual, dois senadores por estado, governador e presidente da República. Esta será a primeira eleição após os impactos da Operação Lava-Jato, e há um paradoxo no ar: de um lado a vontade de renovação do quadro político por grande parte da população, de outro a necessidade de proteção dos poderosos no poder.
As denúncias e investigações policiais relacionam diariamente duas palavras: “política” e “corrupção”. E é justamente este o resultado apontado por uma pesquisa realizada pelo Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube) com jovens de 15 a 26 anos.
Mais de 5 mil jovens de todo o Brasil responderam à pergunta: “Se você pudesse acabar com algo no mundo, o que seria?”. O resultado mostrou a vontade dos jovens de eliminar atitudes preconceituosas e intolerantes. Com 46,02% a opção “corrupção” foi a mais apontada. Mas, para extinguir este mal, os jovens precisam estar atentos ao que acontece no Brasil e na vida pública dos políticos e candidatos a cargos eleitorais.
Fazer bom uso do voto e ter uma atuação consciente e crítica enquanto cidadão também depende de constantes discussões sobre políticas públicas, sociais, educacionais e sobre medidas governamentais que já estão em vigor ou que deveriam ser empregadas. “Deve-se exigir o cumprimento de propostas estabelecidas em campanhas eleitorais pelos candidatos eleitos. Dessa forma, esses jovens poderão exercer a cidadania de modo consciente e crítico, questionando e avaliando o comportamento das pessoas que os representam na política”, avalia a psicóloga analista do comportamento Mariana Mercaldi.
Exigir atitude ética e cumprimento das leis não pode depender apenas da conduta de membros da vida pública, mas também de cada cidadão. Nada de ser conivente com condutas inapropriadas: aceitar ou praticar subornos, sonegação de impostos, burlar as leis. Se os jovens querem mudanças, precisam começar mudando a si próprios e os que estão à sua volta. Quem não dá o exemplo não tem espaço para exigir dos outros, não é mesmo? Para a psicóloga, é necessário pensar nos cidadãos que estamos formando para o futuro: “Esses jovens que hoje querem mudar o mundo serão os pais de amanhã, portanto, serão os responsáveis pelos cidadãos das próximas gerações. Quais os exemplos e o direcionamento que os jovens de hoje darão aos seus filhos?”, indaga Mariana Mercaldi.

Preconceito social – A pesquisa mostra que na visão de 17,13% dos jovens brasileiros, o “preconceito social” deveria deixar de existir. Para lidar com essa realidade, é fundamental não ser conivente, aceitar e ou reproduzir práticas com raízes hostis, mesmos as aparentemente inofensivas, como certos dizeres populares. Quando falamos em preconceito, podemos incluir o racismo, a homofobia e a intolerância religiosa. Todas essas práticas falam de uma intolerância às diferenças e à diversidade. “Apesar de essas atitudes configurarem crimes, elas são muito praticadas em nosso meio, ainda que de forma discreta, velada e até mesmo despercebida. Para vivermos de forma pacífica, fica mais fácil entender as diferenças se levarmos em conta que é justamente a diversidade que garante a manutenção da vida. Isso porque ela possibilita que os organismos de uma mesma espécie se adaptem a um ambiente em constante mudança, como é o caso do ambiente que nos cerca”, afirma a psicóloga.
É comum vermos jovens querendo mudar o mundo, afinal há muito a ser melhorado para vivermos em uma sociedade mais justa, livre de preconceitos e que tenha nas diferenças e na diversidade uma fonte de aprendizado e crescimento. Porém a tarefa não é das mais fáceis: mudar hábitos há tempos incorporados na história e na cultura do País requer uma avaliação crítica e cuidadosa. E leva tempo. Para os que acreditam que o voto consciente é capaz de mudar a realidade política do Brasil (veja boxe à pág...) as eleições deste ano representam mais uma chance de fazer valer aquilo que se quer para o Brasil.

Se você pudesse acabar com algo no mundo, o que seria?
Corrupção - 46,02%
Racismo - 22,48%
Preconceito social - 17,13%
Homofobia - 7,05%
Intolerância religiosa - 5,93%
A presença do chefe - 1,4%

O voto consciente é capaz de mudar a política no País?

“Luto pelo fim do preconceito social. É algo que faz com que as pessoas sejam menosprezadas, não se sintam capacitadas, causa distúrbios comportamentais, psicológicos e pode levar até a tragédias. Vejo pessoas brilhantes ao meu redor que não têm oportunidade de demonstrar suas qualidades em função de sua cor ou classe social. Vejo pessoas sendo assediadas no ambiente de trabalho sem poder recorrer por ser sua única fonte de renda e por medo. Pretendo pesquisar muito bem antes de dar meu voto nestas eleições, saber sobre os projetos dos candidatos, seu histórico. Desta forma acredito que é possível fazer a diferença.”
Camila A. Pereira, 21 anos




“Acho que a corrupção está encravada na nossa sociedade. Sendo assim, as pequenas corrupções deveriam acabar como a compra de documento falso, dinheiro pago para ser liberado da blitz, compra de pontos para não estourar a carteira de habilitação. Acredito que o voto consciente seja um passo importante para mudar a situação atual. Porém, um novo modelo político é necessário, além da importância de lembrar e cobrar dos candidatos das suas promessas.”
Marina Dias Reis, 23 anos






“O preconceito social é uma das questões que mais afetam a minha vida. Porque ele está presente nas notícias, nos transportes, no acesso a serviços de qualidade e nos meus estudos. O preconceito social funciona como alavanca para a segregação e o medo. Ele gera maiores concentrações de renda e acesso, fazendo com que cada vez mais pessoas sejam prejudicadas social e economicamente. Em ano de eleição, colaborar com o fim da corrupção é participar, ser ativo, entender a importância do voto e conscientizar parentes e amigos, além de conhecer os candidatos minimamente. Por isso, o voto consciente é uma das maiores armas da sociedade civil, ele pode mudar a realidade política. É necessário entender que o seu voto significa a sua confiança depositada em um representante que fará não apenas por um indivíduo, mas por uma nação inteira.”
Victor Aranha, 24 anos




Fonte: Fc edição 991, Julho de 2018
Postado por: Família Cristã




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