Convivência intergeracional

Data de publicação: 11/10/2018



Por, Alvício Thewes e Cleusa Thewes                                                                                                                                                                                                                                                                                           

Bruno, 2 anos – Nasceu cheio de energia e vitalidade. Sua chegada desinstalou de suas vidas pacatas pais, avós, tios e até a bisavó.  Agora, aos 2 anos de idade, ele se revela inteligente, ativo, perceptivo, observador, já forma frases, canta e faz adormecer seu bichinho de pelúcia. Pedala a motoca pela casa, desenha no quadro verde, pinta com canetas coloridas, joga bola e empurra seu caminhão.
No maternal, interage bem com os coleguinhas, mostrando particular interesse por brincadeiras no pátio, em especial pelo parque. Já conhece os alimentos e manifesta sua preferência. O macarrão é seu prato preferido, acompanhado de suco natural de laranja.  Também manifesta outros desejos claramente, pois aprendeu a usar os advérbios sim e não. 
Criado em apartamento, gosta de frequentar a casa dos avós maternos, onde desbrava o pátio. Perguntado por sua mãe sobre o que tem de tão bonito na casa do vovô para ele gostar tanto, o pequeno respondeu: “Pátio, rua e vião (avião), lá em cima”, disse, apontando o dedinho para o céu.
Bruno encanta-se com livros infantis coloridos. Aliás, tudo o encanta e alegra em sua tenra idade. E ele sinaliza a todos a descoberta de viver. No desfralde, fazer xixi no peniquinho é uma grande conquista, festejada com calorosa salva de palmas.
A família dele se renovou com sua chegada. Sua educação é motivacional, com muito amor e conduzida para a formação de hábitos saudáveis e valores morais. O menino tornou o cotidiano familiar mais intenso e despertou em todos os envolvidos com ele a alegria do nascer de uma nova vida.

Diva, 92 anos – Ela é a bisavó materna de Bruno. Os bisavôs paternos estão ambos falecidos. A bisavó agora viúva, e o bisneto vivem realidades distintas, porém integradas. Ela se renova no convívio com o bisneto, e este também vibra, observa-a atentamente e, às vezes, assim do nada, fala da vovó, do andador e pede permissão para vê-la. Cuidada em sua própria casa, Diva dá muito trabalho. Mas sua família nunca pensou em segregá-la, colocá-la num lar de idosos.
No plano físico, Bruno tem muita vitalidade, movimenta-se o dia inteiro, num corre-corre constante, e está em crescimento, enquanto Diva tem dificuldades de locomoção – caminha pouco e com uso de andador –, diminuiu de tamanho e de peso. Na cabeça, surgiram os cabelos tons de neve; no rosto plissado, as rugas e o olhar distante; na fala, o silêncio; nos lábios, um sorriso pálido que emite uma tênue luz. Ao tomar consciência dos limites de suas forças, a presença da incontinência urinária, o coração num tique-taque lento e ofegante, as dores passeando no seu corpo fraco, a manifestação da depressão senil, ela soluça alto. Chorando, diz: “Meu Deus, eu nunca me imaginei assim, numa situação de nada poder fazer. Eu me sinto desistindo da vida, nada mais tenho a fazer aqui. E aos prantos aninha sua tristeza na cama, enquanto a filha, cumprindo seu papel, conforta sua velhice com palavras sagradas e a acaricia. Neste lento e nostálgico momento, Diva sinaliza à família o crepúsculo da vida.

Opostos do ciclo da vida – A vida tem o curso que Deus lhe deu. Enquanto uns nascem e crescem para a vida terrena, outros envelhecem e partem para a vida eterna. Os opostos do ciclo da vida ocorrem num uníssono instante no espaço familiar. Ali o nascimento e a senilidade se confrontam. O jogo da vida propõe a compreensão dos contrários, e o quebra-cabeça dos opostos solicita adequação familiar, formação de clãs e a convivência intergeracional. É no clã familiar que os ascendentes e descendentes vivem intensamente a órbita vital dos diferentes ciclos da imutável dinâmica do nascer, viver e morrer. E esta mutação de tempo, espaço, ida e vinda, de nascimento e morte, faz-nos recordar o verso de uma canção:  “Um dia a gente chega e no outro vai embora”.
O profundo e maravilhoso é crer que quem nasce em Deus está ou quem morre nele ficará, e a vida se eternizará. Somos como o sol, que se esconde no crepúsculo, mas no céu permanece a iluminar; ou como as estrelas, que de dia dormitam, mas lá no céu continuam a cintilar.
O sábio Mestre disse: “Eu vim para que todos tenham vida eternamente”.
Na sociedade atual, geralmente as crianças vivem em ambientes bastante segmentados papéis bem definidos. As famílias devem acolhê-las com gratidão e integrar os ciclos de vida terrena, juntando os que iniciam com os que terminam, sempre acreditando na continuação da vida depois da morte física. Crianças interagindo com idosos e vice-versa.
Essa troca de afetividade, associada às experiências transmitidas pelos idosos, encanta as crianças e conserva nos idosos sentimentos de valia e ressuscita a magia da vida. Eis aqui o segredo intrínseco que contagia e entrelaça crianças e idosos na doçura da empatia. A bisavó não vive mais sem o bisneto, e este não vive mais sem aquela. Diva e Bruno, que Deus os abençoe.


A vida tem o curso que Deus lhe deu. Enquanto uns nascem e crescem para a vida terrena, outros envelhecem e partem para a vida eterna




Fonte: Fc edição 991, Julho de 2018
Postado por: Família Cristã




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