Uma fé humana!

Data de publicação: 11/10/2018


Uma fé humana!

Sinceramente, depois de um certo tempo, e da enxurrada de informações que recebemos a todo momento, muitas vezes sem o prazo hábil para filtrá-las, vamos ficando um pouco anestesiados. Mas só um pouco! No meu caso, creio que no caso da maioria de nós, basta a notícia de um fato mais doloroso com uma família ou um acontecimento mais impactante com um país (nosso ou não), que já se acende em nós aquela chama de indignação ou solidariedade! Somos humanos, em alguns momentos insensíveis, para mantermos a lida da vida, por defesa, por decepção, por estratégia de sobrevivência, por descuido, por ruindade mesmo, ou sem nenhuma das alternativas citadas (ou “desculpas”), mas somos humanos!
Nossa humanidade às vezes se torna o adjetivo para nossas fragilidades mais profundas, como se o fato de sermos humanos nos permitisse errar e errar feio! “Ah! Sabe como é! Sou humano!”. Sim! O fato de sermos humanos e portanto passíveis de erro pode ser usado como justificativa de muitas fragilidades. E, no caso da espiritualidade, pode ser a explicação para o pecado, devido à nossa natureza pecadora e frágil, sujeita à tentação, e assim por diante! Mas dar a permissão da justificativa não nos dá a concessão do comodismo ou da estagnação no pecado. Isso não é nada cristão e muito menos humano! Estamos em tempo de Copa do Mundo, em que vemos os jogadores se esforçarem para dar o melhor de si, e, passando a Copa, virão outras competições e outras circunstâncias em que o ser humano sempre será desafiado a mostrar o melhor de si para o mundo ver – ou apenas para si mesmo! Não há estagnação num ser humano vivo, ou ele não estará vivo!!!

Fé e compromisso social – Da mesma forma, se somos humanos nutrindo uma espiritualidade e uma fé comprometida com nossa forma de viver, é natural que não nos estagnemos! E se há um processo de conversão autêntico acontecendo e não apenas uma casca superficial de vida cristã, é perfeitamente normal que aconteça um crescimento humano real e integral, que pode ser chamado de “crescimento interior”, mas que jamais estará limitado a uma vivência solitária e individualista da fé! Essa vivência de fé será levada, sem grandes esforços ou planejamento prévio, para uma vida comunitária e social, que se comprometa com quem está perto ou longe e que se sensibilize com a dor do outro. Jesus, quando viu a multidão sofrendo e meio perdida, sentiu grande compaixão, pois entendeu que as pessoas estavam aflitas e desamparadas como ovelhas sem pastor (cf.Mt 9,36) Aquele jovem pregador olhou além das aparências, compreendeu além das palavras e sentiu além dos julgamentos.
Nesse sentido é que disse, desde o início, somos humanos, e mesmo que em algum momento aconteça certa insensibilidade em nós, provavelmente em outros momentos gritará em nós nossa humanidade, nos pedirá indignação diante de injustiças, nos suscitará solidariedade diante de sofrimentos, nos gerará sensibilidade diante da dor e nos levará ao amor para com aqueles que dele precisarem. Esta é uma fé cristã que gerará frutos e fará a diferença! Ao contrário de uma fé superficial e estagnada, que pode até ser fé, mas que corre o risco de ajudar a mostrar o caminho da salvação aos outros e não ao portador dela. Precisamos de jovens pregadores com a sensibilidade de Jesus! Homens e mulheres que, no seu ambiente de estudo e trabalho, na sua família e no seu lazer, sejam sensíveis às multidões e às pessoas em meio às multidões, para que a fé seja humana de fato e santifique nossa humanidade!

                       
A vivência de fé será levada, sem grandes esforços ou planejamento prévio, para uma vida comunitária e social




Fonte: Fc edição 991, Julho de 2018
Postado por: Família Cristã




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