A geração tatuada

Data de publicação: 26/10/2018



A geração tatuada

Quando passo pelas lojas de tatuagem ou vejo nas ruas, nos jornais, nas revistas e na televisão orelhas, narizes, braços, pernas, costas e ombros tatuados, tento compreender o que levou estas pessoas, na maioria jovens, a assinalar seus corpos. Tento compreender sem julgar, porque há tribos, países e civilizações que consideram o sinal no rosto e na pele um rito religioso ou um costume milenar.

Mas jovens em questão não nasceram nesses países nem nessas tribos. Eles aderiram a elas. E aí residem alguns porquês dos últimos 20 anos.  Foi a mídia? Gente famosa? Televisão? Revistas?  Por que razão foram a um tatuador para marcar alguma área do corpo, até mesmo nas partes íntimas, às vezes com o nome do namorado ou da mulher dos seus sonhos?  É mais do que um anel e uma aliança? É declaração de amor por alguém ou por si mesmo? Ou seria um grito de liberdade de fazer o que quiserem com o seu corpo ao escreverem que se pertencem e o que fazem com seu corpo é assunto pessoal e os motivos ficam com eles e com elas?

“Tatuei porque quis”. “Meus pais me geraram, mas depois de alguns anos o que faço com meu corpo é assunto meu.” “Se meus pais me forçassem, isso quando eu era criança, o erro seria deles.” Ninguém nasce com tatuagem, embora nasça com algum sinal característico e indelével que nem os melhores cirurgiões conseguem mudar. Mas quem se tatua porque quis está dizendo alguma coisa, além de se proclamar dono de seu corpo.

Bíblia e a tatuagem – “E disse Deus: ‘Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos’” (Gn nesis 1,14-15).
“Toma, pois, esta vara na tua mão, com que farás os sinais” (Ex 4,17).
“E eis que lhe imputou coisas escandalosas, dizendo que não achou virgem a minha filha. E o pai dirá: ‘Eis os sinais da virgindade de minha filha’. E estenderão a roupa diante dos anciãos da cidade” (Dt 22,17).
“E ouvi o número dos assinalados, e eram cento e quarenta e quatro mil assinalados, de todas as tribos dos filhos de Israel (Ap 7, 4).
Da tribo de Simeão, doze mil assinalados; da tribo de Levi, doze mil assinalados; da tribo de Issacar, doze mil assinalados (Ap 7,7).

Na Bíblia, os sinais lembravam que Deus era o dono de Israel. Mas quem estampa sinais que ele mesmo decidiu como seus próprios sinais declarou que é dono de si mesmo e que ninguém manda no seu corpo. Quem foi assinalado por um senhor é escravo deste senhor que o tatuou para dizer que tem posse sobre ele. Mas quem se tatuou está dizendo que ninguém é seu dono.

Precisamente o que tem acontecido no mundo nestes últimos anos? Escolha consciente dos jovens ou gregarismo e sinal de pertença a um grupo ou a uma geração? Os jovens que conheço e que dialogam comigo tiveram suas razões para marcar sua pele.  Alguns rapazes e meninas são sinceros ao dizer que não havia nenhuma razão especial. “Fiz porque deu vontade.” Nem sempre é um conceito de liberdade.

Arrependida pela tatuagem em lugar discreto e secreto, depois que o namorado a deixou por outra, foi um martírio apagar aquele nome numa região que um futuro namorado jamais aceitaria. Seis anos depois daquele idílio, restou a amarga lembrança da traição dele. Ele também teve que apagar o nome dela na virilha. E ela mesma disse: “Foi coisa de jovem. Hoje eu não faria daquele jeito. Nem depois de um casamento”.  Mas cada caso é um caso. Parece que, para muitos, a tatuagem é sinal de liberdade, até porque se fosse sinal de escravidão seria uma tragédia sem conserto.  



       

   




Fonte: Fc edição 991, Julho de 2018
Postado por: Família Cristã




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