Esperar com fé

Data de publicação: 09/11/2018


Por, André Kawahala e Rita Massarico Kawahala
Esperar com fé

Assim, a esperança no casamento está em crer que a outra pessoa pode se tornar melhor a cada dia, na mesma medida como se acredita em si mesmo(a)

Há quem espera muito de tudo e de todos. Espera-se desde um dia sem problemas, até ganhar na loteria. E deposita-se toda a fé na mudança de vida e na solução dos problemas, nas soluções perfeitas geradas pela vontade. E assim também acontece com o relacionamento a dois. Da idealização do par perfeito à construção do cotidiano conjugal ideal, em geral são criadas muitas expectativas baseadas somente nas qualidades da outra pessoa, ignorando, muitas vezes quase completamente, que ela é falha e possui defeitos em quantidade, talvez acima do que se poderia aceitar ou suportar. Dessa forma, no decorrer da vida conjugal, o Matrimônio será colocado em risco todas as vezes que o esperado superar a realidade durante as crises que normalmente acontecem na vida do casal. Mas que tipo de esperança pode construir um relacionamento forte e que possa durar para toda a vida?

O que somos e queremos – A vida pessoal é cheia de contratempos. Desde o nascimento, enfrentam-se problemas e dificuldades. Alguns parecem tão desproporcionais à força física, mental e emocional da pessoa. Em um mundo regido pelo egoísmo, pelo individualismo, pela competição e pelo consumo, nada é mais frustrante que buscar e não encontrar, desejar e não conseguir, sofrer sem motivo aparente e, pior, “chegar lá” e não ter recompensa que satisfaça. Antes de pensar no relacionamento a dois, é preciso perceber que a caminhada enfrentada sozinho(a) tem dificuldades. Preparar-se para ela é uma exigência de nossos dias. Saber quais são as próprias forças e fraquezas de maneira consciente, sem enganações e dissimulações, ajuda a crescer e vencer os obstáculos.
Nesse processo é primordial também saber quais objetivos se tem e que planos alternativos poderão ser adotados, caso algo não saia como pensado. E, imprescindível, é contar com o metafísico, ou seja, com a força além das forças. E, nesse caso, é sem igual a presença de Deus através da fé. Muitos renegam o imprescindível e caminham. Uma quantidade maior conta com Ele e caminha da mesma forma. Porém, há que se dizer: com a fé em Deus, aceitar o inaceitável não faz perder a esperança, mas fortalece e abre novos caminhos. “Alegres na esperança, perseverantes na aflição, assíduos na oração”, disse Paulo apóstolo aos romanos, capítulos 12, versículo 12.

A alegria na esperança – “Por outro lado, é perceptível que um desafio da Pastoral Familiar é ajudar a descobrir que o Matrimônio não se pode entender como algo acabado. (...) O olhar volta-se para o futuro, que é preciso construir dia a dia com a graça de Deus e, por isso mesmo, não se pretende do cônjuge que seja perfeito. É preciso pôr de lado as ilusões e aceitá-lo como é: inacabado, chamado a crescer, em caminho” (cf. Amoris Laetitia, 21) com essas palavras, papa Francisco oferece um valioso conselho. Se se consegue encontrar a esperança na vida pessoal, ainda que o cônjuge seja incompleto, imperfeito, ao fazer um pacto de vida com uma outra pessoa, que é importante e para quem se dirige o amor, é preciso vê-la com os mesmos olhos com que se fez a auto-observação. Não se pode usar uma medida para si e outra para o outro! Assim, a esperança no casamento está em crer que a outra pessoa pode se tornar melhor a cada dia, na mesma medida como se acredita em si mesmo(a). Ainda nesse mesmo parágrafo, o papa diz: “Quando o olhar sobre o cônjuge é constantemente crítico, isto indica que o Matrimônio não foi assumido também como um projeto a construir juntos, com paciência, compreensão, tolerância e generosidade”. Uma verdade incontestável!
O caminho a dois deve ser construído na alegria de ver o outro como aquela pessoa que tem muitas possibilidades e potenciais. Entrar na intimidade do outro não quer dizer somente o conhecimento sexual, significado que a sociedade aliou a esse conceito, mas quer dizer perscrutar interiormente o outro e, com amor e ternura, extrair dele seus desejos e sonhos mais profundos, conhecer seus medos e fraquezas, para, então, oferecer o que se pode e esperar o que se deve. E a dinâmica do relacionamento não para por aí: ao oferecer-se espera a reciprocidade. O outro deve ser grato e feliz pelo que recebe e deve desejar dar em dobro. Nisso é válido o que ensinou Jesus: “Portanto, tudo aquilo que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles” (Mt 7,12a).
Há em cada pessoa um desejo de Céu. Essa é a esperança pessoal que deve, no conjugal, levar a um engrandecimento da outra pessoa. Grandeza essa que não significa fazer dela a pessoa mais importante do casamento, mas em fazer com que ela compreenda quão grande é a contribuição dela para o apogeu do casal. E esse apogeu é chegar juntos à meta do Céu.
E sobre isso também orientou o papa Francisco na Amoris Laetitia, 117: “Aquela pessoa, com todas as suas fraquezas, é chamada à plenitude do Céu: lá, completamente transformada pela ressurreição de Cristo, cessarão de existir as suas fraquezas, trevas e patologias; lá, o verdadeiro ser daquela pessoa resplandecerá com toda a sua potência de bem e beleza”. Se se espera que Deus possa nos reconhecer dignos da Vida Eterna, então se espera que Ele reconheça também o cônjuge com a mesma dignidade. E, então, a esperança terrena se tornará Vida sem fim, alimentada sempre pela esperança de uma eternidade juntos, no amor de Deus. E, se você crê neste Deus, tem a força para alcançar essa esperança.







Fonte: Fc edição 985, janeiro de 2018
Postado por: Família Cristã




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