Viver é mais que likes

Data de publicação: 14/11/2018



Por, Paloma Dantas de Azevedo Monteiro, Psicóloga
Viver é mais que likes

No Facebook e no Instagram, duas das redes sociais mais acessadas da internet, usuários e seguidores acompanham em tempo, muitas vezes, real os acontecimentos da vida de amigos e contatos. Viagens, festas incríveis, praia, janela do avião, almoços, cafés, jantares, sessões de cinema, roupas da moda e incontáveis selfies na academia, mesmo que seja o primeiro dia, ou único.
Seu brilhante sistema de curtidas, conhecido como likes, garante tamanho sucesso. Os likes alimentam o nosso ego e fazem com que nossa cauda de pavão virtual se expanda em conformidade com quanto mais curtidas eu recebo. Bem diferente do que muitas vezes acontece na vida real, a rede social nos dá tempo de medir ou preparar o que vou postar, aumentando ainda mais a chance de agradar a plateia virtual. Viciante como uma droga: quanto mais likes recebemos, mais buscamos fazer postagens que alcancem feedbacks positivos.
Em muitos casos também a curtida em uma postagem acaba alimentando a autoestima e também alivia a solidão. Quando a pessoa posta uma selfie, além dos likes, espera receber comentários do quanto está bem ou bonita. Quando posta uma foto de uma viagem de férias, espera ler como é lindo o lugar que esteve. Assim também ocorre em uma publicação literária ou filosófica: “Nossa, como fulano é culto ou tem um gosto refinado.” (mesmo que não seja). O resultado final esperado é o mesmo: ser colocado em um patamar acima do daqueles que comentam.
Além disso, como vivemos em uma era de imediatismo, pode-se criar uma angústia ou ansiedade por esses likes ou comentários positivos. Muito mais que ego ou narcisismo, surge aí a necessidade de preencher a carência ou o vazio existencial. Ansiedade, inveja, alegria, raiva, arrogância, curiosidade e principalmente frustração acabam sendo desenvolvidas de maneira desproporcional.
Vivemos, de fato, na sociedade do espetáculo. Essa busca muitas vezes desenfreada e até mesmo desesperada pela aprovação alheia é um mecanismo de defesa. Esse mecanismo de defesa faz com que não se olhe para si mesmo com suas imperfeições. Imperfeições essas que todos nós temos, por mais que tentemos maquiar. Ninguém consegue ser feliz o tempo todo. Na maioria das vezes, a perfeição é construída, e quando os outros acreditam nesse mundo imaginário podem sofrer de ansiedade, angústia e depressão.
Por mais que seja uma ferramenta necessária, o que precisamos entender é que a internet não vai lhe proporcionar momentos vividos de maneira real, como presença, abraços, carinho, escuta, vivências reais e que ficaram para sempre registradas em sua memória e não somente em uma rede social.

Quando a diversão vira dependência:
Fica triste se não recebe mensagens ou ligações ao longo do dia.
Usa sempre a internet para evitar a solidão.
Sente-se inferior ou com baixa autoestima quando seus amigos recebem mais curtidas.
Checa mensagens no celular enquanto dirige.
Sente-se triste, deprimido, agitado ou nervoso quando não está conectada, e todos esses sintomas ou sensações desaparecem quando volta a se conectar.
Passa por brigas no relacionamento por passar muito tempo conectado.
Não interage com as pessoas, ignorando quem esta com você para ficar na internet.
Deixa de fazer atividades na vida real para ficar na internet.

Vivendo além da internet
 Ao viajar ou visitar a família, desconecte-se para que possa realmente vivenciar o momento presente.
Dedique-se a atividades que lhe façam bem e de preferência sem uso da internet, bem como caminhar, ler um bom livro, dançar, passear, meditar.
A tecnologia é um recurso que facilita a nossa vida por tudo que oferece, porém o que nos prejudica é o mau uso ou excesso dela.
Aproveite a vida ao invés de dar likes na rede social, curta os bons momentos off-line.

Vivemos, de fato, na sociedade do espetáculo. Ninguém consegue ser feliz o tempo todo




Fonte: FC edição 986 Fevereiro 2018
Postado por: Família Cristã




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