Eu tenho um sonho

Data de publicação: 19/11/2018



Por, Roseane Welter

 “Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados por sua personalidade, não pela cor de sua pele”, expressou Martin Luther King em seu discurso histórico, no dia 28 de agosto de 1963, diante uma multidão de aproximadamente 250 mil pessoas, em Washington, onde fez ecoar o seu maior sonho: de ver e viver numa sociedade onde todos seriam iguais sem distinção de raça ou cor. Uma voz forte que fez ressoar pelo mundo a luta pela igualdade entre negros e brancos. Um líder que representou e continua representando milhares de cidadãos que, em silêncio lutavam por seus direitos justos numa sociedade predominantemente racista e preconceituosa.

Jovem sonhador - Luther King nasceu em 15 de janeiro de 1929, na cidade de Atlanta nos Estados Unido. Estudou sociologia, doutorou-se em teologia sistemática. Seguiu os passos do pai e do avô e tornou-se também pastor da Igreja Batista. Foi na época do doutorado que conheceu sua esposa Coretta King com quem teve quatro filhos. Sempre nutriu o sonho de um mundo justo para todos. Fez deste sonho uma luta concreta ao longo de sua vida. Juntou-se a milhares de cidadãos norte-americanos que cansados numa luta que mobilizou o país em busca dos direitos dignos para todos.  A época, como sabemos, pelo contexto histórico, era marcada pela divisão das classes: brancos e negros, ricos e pobres.

Grande líder – O movimento negro norte americano serviu de inspiração para muitos movimentos sociais que aconteceram nos Estados Unidos, na década de sessenta, época em que começaram a surgir uma série de manifestações, reinvindicações e protestos. Uma década de grandes e significativas transformações políticas, culturais e comportamentais. Entra em ação a luta pela igualdade, a emancipação do negro na sociedade e o fim da segregação racial.
Marthin Luther King é considerado o grande líder que dedicou sua vida em busca da conscientização dos direitos iguais, da emancipação do negro na sociedade e do sentido pacifista da mobilização social. É considerado o principal militante da não-violência. Ativista do movimento, negro buscou sempre em seu itinerário mostrar com palavras e gestos que a paz e os direitos entre brancos e negros devem ser iguais. O que nos distingue uns dos outros não é a cor ou a condição social mas o caráter, a essência da pessoa.
Cabe ressaltar que, os negros norte-americanos não tinham direito a voto, eram desprezados, humilhados, seu trabalho não era devidamente remunerado, eram vítimas de constantes agressões, viviam em guetos distantes dos brancos e não podiam, em sua maior parte, usufruir dos bens e serviços públicos.
Luther King dentre suas ações em nome da paz e dos direitos iguais foi quem coordenou o boicote ao ônibus da cidade de Montgomery, no estado do Alabama (EUA) onde uma senhora negra foi presa após negar-se a ceder o seu lugar no ônibus a uma mulher branca. “Temos que levar nossa luta adiante, com dignidade e disciplina. Não podemos permitir que nosso protesto degenere em violência física”, advertia King. Assim, seguiram-se muitas marchas de protestos onde Luther King era seguido por milhares de pessoas que, assim como ele, estavam conscientes da divisão que havia entre brancos e negros e que estavam dispostos a mostrar que todos, de forma pacífica, são iguais e que todos devem usufruir dos mesmos direitos e deveres na sociedade.
Sua missão desafiadora e consciente despertou a sociedade para a auto-reflexão e para o sentido da igualdade, mas Luther King resgatou o valor da vida e da presença do negro na sociedade, fez políticos assumirem posturas mais éticas. Pagou um alto preço por mexer em questões delicadas em nível pessoal, político e social. Foi preso pela polícia em mais de 20 ocasiões, foi agredido fisicamente em pelo menos quatro vezes.

Discurso histórico – Em frente à Casa Branca, nas escadas do Monumento a Lincoln em Washington, um homem negro, 34 anos, vislumbrou com o olhar os 250 mil manifestantes presentes na marcha, diante de um forte esquema de segurança, audacioso e convicto proclama em alta voz “eu tenho um sonho” e na medida que suas palavras eram proferidas naquele 28 de agosto de 1963, expressou suas angustias, lutas, sonhos e esperanças. A paz, a justiça, a igualdade eram suas bandeiras de luta. Em silêncio todos ouviam seu inquietante discurso até que a cantora Mahalia Jackson o instigou “fale para eles sobre o sonho” e imediatamente o discurso tomou um rumo histórico que permanece vivo até hoje nos quatro cantos do mundo. O sonho que era de Martin Luther King era o sonho de todos os cidadãos negros da época e continua ainda, em nossos dias, a ser o sonho de milhares de pessoas que diariamente lutam para a extinção do preconceito e pela dignidade humana pautada em direitos iguais. 
Luther King foi brutalmente assassinado no dia 04 de abril de 1968, com um tiro, aos 39 anos de idade, quando se preparava para mais uma marcha civil na luta pela igualdade.
Neste ano de 2018 recorda-se os 50 anos da morte deste líder que conseguiu questionar e levantar a bandeira pela causa dos desfavorecidos em um contexto histórico onde os Estados Unidos eram considerados uma superpotência, reconhecido como o país modelo de democracia e liberdade, mas infelizmente a realidade de seus habitantes era marcada pela discriminação dos negros em todos os setores: na política, na economia e no aspecto social.
Cinquenta anos após a sua morte muitos passos foram dados mas, ainda hoje o negro continua a mercê do preconceito. Pesquisas apontam que o maior índice de mortes no Brasil e no mundo é de pessoas negras.


TRECHO DO DISCURSO DE MARTIN LUTHER KING

Meus amigos, apesar das dificuldades e frustações eu vos digo: eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.
Eu tenho um sonho que um dia essa nação levantar-se-á e viverá o verdadeiro significado da sua crença: “Consideramos essas verdades como auto-evidentes que todos os homens são criados iguais”.
Eu tenho um sonho que um dia, nas montanhas rubras da Geórgia, os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos descendentes de donos de escravos poderão sentar-se juntos à mesa da fraternidade.
Eu tenho um sonho que um dia o estado do Mississippi, um estado desértico sufocado pelo calor da injustiça, e sufocado pelo calor da opressão, será transformado num oásis de liberdade e justiça.
Eu tenho um sonho que meus quatro filhos pequenos um dia viverão em uma nação onde não serão julgados pela cor da pele, mas pelo conteúdo do seu caráter. Eu tenho um sonho hoje.
Eu tenho um sonho que um dia o estado do Alabama, com seus racistas cruéis cujo governador cospe palavras de “interposição” e “anulação”, um dia bem lá no Alabama meninos negros e meninas negras possam dar-se as mãos com meninos brancos e meninas brancas, como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje.
Eu tenho um sonho que um dia “todos os vales serão elevados, todas as montanhas e encostas serão niveladas; os lugares mais acidentados se tornarão planícies e os lugares tortuosos se tornarão retos e a glória do Senhor será revelada e todos os seres verão conjuntamente”
Essa é a nossa esperança...Que a liberdade ressoe...





Fonte: FC edição 988, Abril de 2018
Postado por: Família Cristã




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