Santos, beatos e mártires

Data de publicação: 04/12/2018



Por, Fernando Altemeyer Junior
Santos, beatos e mártires leigos
 
 Quanto mais leigos protagonistas, mais conhecido e amado será o Nosso Senhor Jesus Cristo

Deus Espírito Santo oferece o amor do Deus-Trino em favor da Igreja peregrina, ao assumir-se como esposa do Cordeiro. A irrupção dos santos é uma das marcas fortes desse amor. Particularmente em meio aos batizados, os leigos e as leigas da Igreja. Depois do Concílio Vaticano II, celebrado entre 1962 e 1965 em Roma, as Igrejas particulares viram crescer o número de santos, beatos e mártires entre os seus fiéis. Pessoas que assumiam com entusiasmo e humildade o Evangelho de Cristo dando testemunho luminoso do Salvador. Muitos, na oração, no sacrifício e na pregação, outros na prisão, na tortura e na entrega da vida diante das forças da morte, não tiveram “medo de dar a vida pelas suas ovelhas” (Lumen Gentium, 41). 

Um sopro do Espírito Santo – Assim, nos últimos 50 anos, ganhamos um presente do Espírito Santo, que impulsionou imensa nuvem de cristãs e cristãos, reconhecidos na lista oficial de santos e santas. Alguns estão com processos de canonização em curso nas dioceses ou no Vaticano. São santos comuns para os tempos comuns. Assim dizia a mística cristã Madeleine Delbrêl: “A fé verdadeira não encontra em nossos dias uma acolhida favorável. Mas, se nós nos contentarmos com a fé, se nós nada lhe acrescentarmos, se nada tirarmos, poderemos ser questionados, postos em questão, com a fé, e a mesma fé nos fará viver por ela, agir por ela, falar por ela, qualquer que seja o tempo onde vivamos, mesmo se este tempo for o de hoje”. 
Neste Ano do Laicato, promovido pela Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no Brasil, é obrigatório recordar e proclamar os nomes de eminentes leigos e leigas da Igreja, tais como o Santo Louis Martin e sua esposa, Santa Marie-Azélie Guérin (pais de Santa Teresinha do Menino Jesus, que foram canonizados pelo papa Francisco em 18/10/2015, durante o Sínodo da Família), August Vanistendael, Paul Claudel, Alceu de Amoroso Lima, Jean Guiton, François Mauriac, Charles Péguy, Frederic Ozanam, Simone Weil, Jacques Maritain, Raissa Maritain, Claudio Pastro, Gilbert Keith Chesterton, Robert Schumann, Albert Schweitzer, Marcel Callo, Antônio Vicente Mendes Maciel, Bem-aventurada Madeleine Delbrêl, Ariano Suassuna, Zilda Arns Neumann e Plínio de Arruda Sampaio.
Entre esses exemplos destaco três pilares: o da dra. Zilda Arns Neumann, médica pediatra e sanitarista que revolucionou o cuidado das crianças em toda a América Latina e Caribe. Morreu durante o terremoto ocorrido no Haiti, em 12 de janeiro de 2010, deixando saudades pungentes em nosso coração e a certeza de que ela plantou a semente do Evangelho nas famílias brasileiras. O casal Martin, pais da Santa Teresinha do Menino Jesus, o primeiro casal canonizado junto na Igreja, dando a certeza de que é possível ser santo dentro de casa. Esses três santos leigos demonstram que as famílias são lugar de santidade se cultivarem a fé diariamente.

Santos de nossos dias – A lista dos mártires cristãos leigos não para de crescer em nossas dioceses brasileiras. Eis alguns nomes exemplares para nossa memória e celebração diante dos altares de Deus: Alexandre Vannucchi Leme, estudante de geologia, assassinado pela repressão militar em 17/03/1973; Dorcelina de Oliveira Folador, prefeita e líder de movimento social, 30/10/1999; Eloy Ferreira da Silva, 16/12/1984; Eugênio Lyra Silva, leigo, advogado cristão, 22/09/1977; Expedito Ribeiro de Souza, líder sindical, 02/02/1991; Francisco (Chico) Mendes, líder ecologista mundialmente conhecido na defesa da Amazônia, 22/12/1988; Francisco Domingos Ramos, 05/02/1988; Franz de Castro Holzwarth; leigo, advogado, 14/02/1981; Galdino Jesus dos Santos, leigo indígena, assassinado no DÍ em 21/04/1997; João Canuto; leigo, 18/12/1985; João Ventinha, 23/10/1987; Marçal de Souza Tupã-i, líder indígena, que falou diretamente ao papa São João Paulo II e depois foi assassinado em 25/11/1983; Margarida Maria Alves, líder camponesa, 12/08/1983; Raimundo Ferreira Lima, o Gringo, 29/05/1980; Roseli Correa da Silva, 31/03/1987; Santo Dias da Silva, líder do movimento operário, ministro da Eucaristia, 30/10/1979; Sebastião Rosa Paz, líder sindical e cantor popular, 29/08/1984; Sebastião Vidal dos Santos, 03/05/1988; Vilmar José de Castro, catequista das comunidades de Goiás, 23/10/1986.
Essa entrega no seguimento de Jesus deve ser celebrada em nossas paróquias e famílias e cultivada e animada pelos padres, bispos e religiosas que atuam nos meios populares. É indiscutível que o apoio dos bispos brasileiros àqueles que estão engajados na vida pública e nas pastorais e movimentos laicais é o grande amor de que necessitam os leigos. É o afeto paternal dos bispos que fortalecem a presença transformadora dos leigos no meio dos ambientes de trabalho e família. Quanto mais leigos protagonistas, mais conhecido e amado será o Nosso Senhor Jesus Cristo em terras brasileiras, levando a alegria do seu Evangelho pela misericórdia do Pai.
* Fernando Altemeyer Junior é mestre em Teologia e Ciências da Religião, doutor em Ciências Sociais e chefe do Departamento de Ciência da Religião, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (SP).




Fonte: FC edição 988, Abril de 2018
Postado por: Família Cristã




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