Reconhecer e aceitar os erros

Data de publicação: 04/12/2018



Por, Edson Kretle dos Santos*
Reconhecer e aceitar os erros

Sabemos que a existência humana é repleta de escolhas porque somos seres livres, seres de infinitas possibilidades. Algumas vezes não conseguimos agir com o bom-senso para acertar sempre em todos os nossos atos e decisões e, por isso, existem momentos em que erramos prejudicando os semelhantes, a quem amamos e a nós mesmos. Porém, mais importante do que se isolar no remorso e no sofrimento das nossas hipóteses do “como seria se...”, é repensar nos erros do ontem e recomeçar hoje na caminhada de se tornar uma pessoa melhor a cada dia.
A sociedade exige que tenhamos um comportamento automático e, equivocadamente, julga ter a capacidade de formular um padrão de condutas para cada situação. É necessário lembrarmos que não temos os mesmos vícios e as mesmas virtudes, por essa razão é normal e nos torna seres humanos cometer erros. Nisso consiste a profunda sabedoria que muitas vezes se perde no conhecido clichê: “Errar é humano”. Diante disso, deve brotar em nós a certeza de que “errar é igualar-se e considerar que, se um errou, pertence à minha espécie. O fato de eu não cometer aquele erro particular, apenas torna o erro alheio distinto dos meus, não me torna melhor” (historiador Leandro Karnal).
Algumas vezes, intencionados ou não, erramos ou presenciamos erros alheios. O arrependimento apenas nasce nos corações quando percebemos que poderíamos ter agido de outra forma naquela determinada ocasião. Mas esse sentimento não pode nos estagnar e sim ser um aprendizado radical na vida daqueles que anseiam em ser luz num mundo onde o sol do amor está nublado por trevas. Diferentemente da postura do discípulo que deseja evoluir humanamente, temos a figura do “mestre” arrogante. A última postura é muito grave e comum nos dias de hoje, pois, quando não reconhecemos nossos equívocos e não buscamos mudar, nesse momento precisamos refletir urgentemente, porque “não corrigir nossas falhas é o mesmo que cometer novos erros” (filósofo Confúcio).

Receber e pedir perdão – O remédio para lidarmos com menos sofrimentos com os nossos desacertos é aprender a receber e a pedir perdão. Segundo a filósofa Hannah Arendt (1906-1975), se não fôssemos perdoados e libertados das nossas falhas, ficaríamos paralisados e isolados do mundo. Seríamos semelhantes ao aprendiz de feiticeiro sem a fórmula mágica para desfazer o feitiço. Porém, a faculdade de perdoar apenas faz sentido na mesma proporção que a capacidade de prometer e, acima de tudo, de cumprir promessas é constante, ou seja, somente perseguindo o ideal de não repetir o mesmo erro, uma vez que, cometer o mesmo erro duas vezes, na segunda vez já não é um erro e sim uma escolha.
Como não somos perfeitos, mas filhos do Perfeito, precisamos extrair do vivido dos nossos erros sempre uma possibilidade de que aquilo que nos feriu ou ao próximo possa ser a semente de virtudes. Vale advertir que a beleza do jardim do nosso ser depende do solo no qual está fincada nossa alma. Estercos (os nossos erros) são realidades precárias para reconhecer, mas são justamente eles que, guiados pela busca do sentido da nossa vida, potencializam as plantações e fazem florir nosso espírito. Assim, que nossos erros sejam experiências e lições que impulsionem o crescimento das rosas da liberdade, do perdão, do amor e da compreensão nas paisagens áridas deste mundo.
Nossas escolhas são como sementes, e a qualidade dos frutos do amanhã dependerá do que semeamos hoje. Por fim, da sabedoria do Divino Mestre expressada no Evangelho de São Lucas, capítulo 23, versículo 34: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem”, nos nasce a certeza de que Deus perdoa os nossos erros e os dos nossos semelhantes, porque somente Ele compreende a imensidão da ignorância humana.


Que nossos erros sejam experiências e lições que impulsionem o crescimento das rosas da liberdade, do perdão, do amor e da compreensão nas paisagens áridas deste mundo





Fonte: FC edição 987, Março de 2018
Postado por: Família Cristã




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