Curar com as mãos

Data de publicação: 02/01/2019

Por,  Nathan Xavier


Levar em consideração o corpo inteiro e tratar diretamente a causa do problema são as principais armas da osteopatia
Dores de cabeça que não passavam; hérnias de disco que seriam tratadas somente com cirurgia; dores nas costas, aparentemente, sem explicação; bebês com refluxo, e tudo isso sendo tratado de forma eficaz somente com as mãos e sem remédios. Parece algo sobrenatural, mas é totalmente científico e racional. A osteopatia é ainda pouco conhecida no Brasil, mas aos poucos diversos pacientes conseguem se livrar de suas doenças com essa especialidade fisioterapêutica.
O sistema é tão complexo que, em certos países, como Estados Unidos e Russia, é considerado uma especialidade médica, e, na Inglaterra, ainda defendem como uma profissão independente da medicina. No Brasil, a Escuela de Osteopatia de Madrid (EOM), filial da escola espanhola, e uma das referências mundiais sobre o assunto, defende que a especialidade seja realizada por um fisioterapeuta, por isso, no País, a profissão é regulada pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Coffito), e o caminho é longo: para tornar-se um osteopata é preciso passar pelos quatro anos da faculdade de fisioterapia antes de encarar cinco anos de estudos no curso de pós-graduação da EOM. Ao final, o profissional estará apto a atender pacientes.
Para obter o título de especialista, tem de prestar um exame elaborado pelo Coffito, e se ele quiser ser reconhecido no mundo todo como Diplomado em Osteopatia (identificado pela sigla D.O.) precisa defender uma tese aprovada por uma banca internacional. No total, são necessários 11 ou 12 anos de intensos estudos para que o profissional se torne um fisioterapeuta osteopata reconhecido internacionalmente.

Cuidado global − Rafael Corrêa, D.O., explica que mais que uma técnica, a osteopatia é um sistema de avaliação global do organismo: “Ela tem uma visão muito particular do corpo humano, em que este é uma máquina única e indivisível”. O profissional cita que nem sempre uma dor nas costas costuma ter relação com aquele exato ponto, mas pode ser reflexo de problema em outro lugar. “Quando falamos em tratamento holístico, ou global, da pessoa, não estamos falando de tratar a perna porque o indivíduo tem problema no joelho, mas de tratar realmente por completo. Eventualmente levar em consideração até mesmo se a pessoa está passando por um problema particular, pois isso pode causar toda uma reação orgânica que influirá na pessoa. Então a osteopatia não pode ser resumida como uma técnica de tratamento, mas como um sistema de cuidados com o objetivo de restabelecer e reequilibrar todo o organismo.” Ele ressalta que a osteopatia não visa a substituir tratamentos médicos convencionais, mas ser um complemento para uma recuperação mais rápida, ou até mesmo evitando uma cirurgia ou uso de medicamentos, mas sempre em trabalho colaborativo com um médico. Porém, na França, por exemplo, a profissão é tão arraigada na cultura daquele país que os recém-nascidos são levados para uma primeira avaliação com um osteopata e não com um pediatra ou médico, algo que só ocorre se o profissional observar algum problema no bebê que não pode ser tratado com a osteopatia. A Suíça é outro país onde existem “osteopatas da família”, em que o profissional acompanha a pessoa e é ele que faz todas as avaliações e tratamentos, eventualmente em trabalho conjunto com o médico.
No Brasil, ainda são poucos os profissionais, mesmo fisioterapeutas, que conhecem a osteopatia. A tese que Rafael defendeu sobre o refluxo gastroesofágico, doença que atinge boa parte da população e causa diversos incômodos como queimação, azia e mal-estar, deixou os médicos que acompanhavam a banca surpresos, pois não conheciam a osteopatia e muito menos uma alternativa ao tratamento médico. A medicina convencional trata o refluxo com medicamentos e, em certos casos, cirurgia. Porém, a osteopatia consegue os mesmos resultados sem precisar de nenhum desses dois elementos. “Por isso é importante os profissionais trabalharem em conjunto”, afirma. Além disso, o médico pode solicitar exames de laboratório, como raio-x, de sangue, entre outros, que também são importantes para a avaliação a ser feita pelo osteopata. Logo, se a pessoa tiver algum problema, “é importante ir ao médico para a avaliação clínica e, se ela desejar, ir a um osteopata, levando todos os exames, para uma avaliação funcional”. Com profissionais trabalhando em conjunto, o paciente só tem a ganhar.


















Fonte: Revista Família Cristã, edição 951, Março de 2015
Postado por: Família Cristã




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