SAÚDE

Data de publicação: 31/01/2019

Bioética e o futuro pós-humano (2)


A tecnociência, bem como a biotecnologia em si mesma, não é má, e de fato tem sido causa de muito bem, mas também quando utilizada sem critérios, de danos. É uma ferramenta e como tal deve ser cuidadosamente examinada e utilizada à luz dos valores humanos éticos fundamentais.  A ideologia do pós-humanismo quer nos transformar em ferramentas na esperança de se conquistar imortalidade, não deixa de ser uma ilusão. Embora seja difícil conseguir um consenso em termos de tecnologias de aperfeiçoamento, a humanidade deve dialogar a respeito dessas tecnologias que visam o não apenas dominar a natureza física e biofísica, mas o próprio corpo humano, ou melhor, a condição humana, sem cair ingenuamente prisioneira de utopias científicas escravizadoras, que entregam nosso futuro às forças cegas do mercado.
    Diferentemente do que ocorreu com outras transformações técnicas e científicas do passado, hoje as expectativas diante das inovações tecnológicas já não são atitudes de acolhida e sentimentos otimistas, mas cultiva-se um considerável grau de ceticismo saudável!  A humanidade aprendeu muito com as enormes tragédias coletivas do século 20, em grande parte alimentadas por utopias tecnocientíficas.  Estamos vivendo hoje numa sociedade de risco, em que cada novo passo adiante no domínio da técnica implica não apenas prudência, mas também precaução. Mais monitorização e vigilância entre pares, bem como, mais escrutínio público e monitoramento de comissões nacionais e bioética se fazem necessários, para assessorar os poderes públicos.   

Compaixão e evolução tecnológica – É urgente cultivar, junto com a ousadia científica, a sempre necessária prudência ética.  Quais seriam as chamadas “qualidades humanas fundamentais” que não deveríamos nunca alterar?  Além disso, com a questão ambiental, tivemos como legado o aprendizado da humildade e respeito frente à natureza, que também deve ser aplicado aqui. Perguntamo-nos, se no futuro, a compaixão, a solidariedade, o cuidado não serão preteridos, em favor da busca biotecnológica de músculos mais fortes, maior longevidade, disposições de felicidade e beleza permanentes, ou seriam estas virtudes “o último aperfeiçoamento humano” desejável?
    Portanto estamos frente a uma gangorra entre ameaças e esperanças, ideologia e utopia! Necessitamos de referenciais éticos seguros e prudentes para discernirmos entre as transformações propostas que são salutares, e neste caso devemos e podemos incentivar, daquelas que inevitavelmente precisamos evitar e que são destrutivas e comprometem a vida ou a dignidade do ser humano, bem como o futuro da vida no planeta.
O ser humano não tem como fugir nesta hora crítica de nossa história, ele tem que assumir a responsabilidade de fazer uma escolha sapiente, ou então correr o sério risco de simplesmente desaparecer. Novos conhecimentos geraram novos poderes ao ser humano, e este pode orgulhosamente querer ser “Deus”. O que antes era atribuído ao acaso ou ao não conhecimento, ou mesmo como ação dos “deuses”, hoje tem a marca indelével da intervenção humana.  É por isso que esta é a hora da ética, da consciência crítica, do assumir com liberdade a responsabilidade pelo futuro da vida humana. Nessa perspectiva, avanço científico significa esperança e não medo ou temor do pior! Prudência, precaução e responsabilidade são referenciais bioéticos imprescindíveis neste cenário.



É urgente cultivar, junto com a ousadia científica, a sempre necessária prudência ética.  Quais seriam as chamadas “qualidades humanas fundamentais” que não deveríamos nunca alterar? 





Fonte: Revista FC - ed. 992 / Ago-18
Postado por: Família Cristã




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