RELIGIÃO

Data de publicação: 31/01/2019

Deus segundo os novos púlpitos / Pe. Zezinho, scj

Eu nunca vi Deus, portanto só posso falar do Deus que me mostraram ou que me ensinaram a imaginar. Judeus, cristãos e muçulmanos imaginam como é o único Deus que há. Budistas têm outro conceito da divindade, e ateus ou analistas das histórias de Deus não conseguem escapar aos conceitos que aprenderam ou formaram sobre sua existência. Mas não há imagens ou rostos satisfatórios de Deus.
Concluir que Deus existe ou não existe não é a mesma coisa que ter um retrato nítido de quem Ele é! Mas alguns pregadores andam dizendo que Deus lhes revelou coisas que não revelou aos outros. O bispo Marcelo, um dos que discutiam sobre o Cristo, dizia que Jesus era o Filho “semelhante” ao Pai, mas não era “igual” ao Pai.  O padre Ário, um negro bonito, sacerdote com pinta de artista, grande comunicador, teólogo e cantor naqueles dias, dizia que Jesus era uma criatura do Pai, que lhe dera a divindade de presente, mas que Jesus não era divino por natureza. E o bispo Atanásio, magrinho, asceta, negro, grande teólogo, sustentava que, quando Jesus disse que Ele e o Pai eram um só, estava dizendo que Ele era da mesma natureza do Pai.
Jesus seria o divino que se tornou humano para nos salvar. Ário dizia que Jesus era um humano que Deus divinizou.  Isto foi por volta do século 4º, primeiras décadas dos anos 300. Hoje há bispos e pastores de novas Igrejas pentecostais que, dispondo de poderosos instrumentos de comunicação, como rádio e televisão, portanto com púlpitos ampliados, pregam a milhões de fiéis que aderiram a seus púlpitos que o Espírito Santo está falando por meio deles. E que eles estão certos, certíssimos. Deus se revela a eles.
Teologia da prosperidade – Desenvolveram suas “teologias e suas pedagogias de resultado” e de direitos humanos perante Deus, assim como Deus tem direitos divinos sobre os humanos.  É toma lá dá cá! Nada é gratuito! Tudo deve ser pesado e medido, e a retribuição é tarefa do humano, mas também é tarefa de Deus. Por isso, chegam ao extremo de exigir de Deus o que Deus exige dos humanos.
E muitos deles esposam as mesmas teorias dos começos do século 4º. Desenvolveram sua teologia particular. Anunciam uma teologia da prosperidade, de um Deus que tem obrigação de nos ouvir, já que o fiel fez o que Deus mandou e agora ele pode exigir coerência de Deus. Deus tem que ser fiel às suas promessas.
Dizem que Deus tem um compromisso com as criaturas que Ele criou porque não as criou para o sofrimento. Se o fiel cumpriu, orou, pagou o dízimo, este fiel tem o direito de cobrar coerência de Deus. Tudo vem do conceito que fazem de Deus e das suas traduções da Bíblia. Alguns dizem abertamente que não estudaram nem o aramaico, nem o hebraico, nem o grego, nem o latim. Alguém traduziu a Bíblia do inglês para o português. O resto eles interpretam de acordo com o que sentem ou acham o Espírito lhes sopra.
Crê quem quer, duvide quem quiser! Mas sua televisão, seus rádios e seus templos completam a nova escola de profecia e de milagres; tudo na certeza de que o Espírito Santo os escolheu para revelar os novos tempos bíblicos.  Se você vivesse naquele tempo, seguiria Marcelo, Ário ou Atanásio? E hoje, quem são os seus catequistas e mestres? Os que brilham na televisão ou na internet, ou o papa e os bispos fiéis ao papa?    
 
Jesus disse que Ele e o Pai eram um só, estava dizendo que Ele era da mesma natureza do Pai. Jesus seria o divino que se tornou humano para nos salvar






Fonte: Revista FC - ed. 992 / Ago-18
Postado por: Família Cristã




Comentários


Comente





Compartilhe este conteúdo:


Veja Também

Marias, a fé no feminino
O primeiro longa-documentário da diretora Joana Mariani é um poema visual sobre a Mãe de Deus
Celibato e casamento
Não peçamos a Deus que nos tire os instintos ou que seque o rio que passa dentro de nós.
Liturgia da Palavra
Reflexão da Liturgia deste domingo, 12 de fevereiro de 2017 -6º Domingo do Tempo Comum, Ano A
Cardeal da Esperança
Dom Paulo Evaristo Arns parte, mas deixa um legado e exemplo de defesa de direitos humanos
Terra, teto e trabalho a todos
Uma mesma sede de justiça e um mesmo clamor: “terra, teto e trabalho para todos”.
Início Anterior 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 Próximo Final

Termos mais pesquisados

Busca avançada
Copyright © Pia Sociedade Filhas de São Paulo - Brasil - Direitos Reservados