Somos peregrinos

Data de publicação: 08/04/2019

Por, Juliene Barros.
A Jornada Mundial da Juventude, realizada na cidade do Panamá, país da América Central, pequeno em tamanho mas grande no amor e na acolhida aos peregrinos
Foram dias intensos. O calor da acolhida e da cidade do Panamá recebeu os milhares de jovens peregrinos que se reuniram para a XXXIV Jornada Mundial da Juventude (JMJ), durante os dias 22 a 27 de janeiro. Esse tão pequeno país da América Central mostrou-se grande ao abraçar esse importante evento mundial que transforma a vida de habitantes e peregrinos. Com o tema “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38), essa jornada de fé e alegria convocou os jovens a serem como Maria, disponíveis a sair e a ir ao encontro do próximo.
O arcebispo do Panamá e presidente do Comitê Organizador Local da JMJ, Dom José Domingo Ulloa, recepcionou os peregrinos com emoção e entusiasmo na missa de abertura do evento e, ainda, ao falar sobre o sim corajoso de Maria ao plano de Deus, convidou os jovens a viverem a santidade, a exemplo dos santos patronos e intercessores da JMJ (São Martinho de Porres, Santa Rosa de Lima, São Juan Diego, São José Sánchez del Rio, São João Bosco, a Beata María Romero Menezes, São Óscar Romero, São João Paulo II). Disse ele à multidão de mais de 75 mil pessoas: “Não tenham medo, queridos jovens, tenham a coragem de ser santos no mundo de hoje. Não renunciem a sua juventude ou a sua alegria. Pelo contrário, mostrem ao mundo que é possível ser feliz com muito pouco, porque Jesus Cristo, a razão da nossa alegria, já nos conquistou a vida eterna com a sua ressurreição”.
Os dias da JMJ seguiram vigorosos e vibrantes, com a “invasão” dos peregrinos por todos os lados. Bandeiras de diversos países e carismas deixaram a cidade mais colorida e animada entre os grupos que interagiam uns com os outros pelas ruas, igrejas e espaços culturais. Um dos momentos importantes de toda a Jornada Mundial é o encontro dos bispos com as juventudes nas catequeses. Divididas por grupos linguísticos, as catequeses abrangem um momento de formação com os bispos, no qual os jovens podem interagir com perguntas e, ao final, celebra-se a Santa Missa, o ponto alto da JMJ, com o encontro com Jesus Eucarístico. Os Festivais da Juventude proporcionam um momento de diversão e santidade através da música e da dança.
Durante os dias da JMJ também aconteceu, no Parque Recreativo Omar, a Feira Vocacional, que nesta edição recebeu o nome de “Segue-me”, onde os jovens puderam conhecer os diversos carismas, congregações e também refletir sobre o discernimento vocacional e participar dos momentos de adoração ao Santíssimo Sacramento, ao lado da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, que acompanhou a JMJ. Nesse mesmo parque os jovens foram convidados a se reconciliarem com Deus através do sacramento da Confissão. O chamado “Parque do Perdão” contou com 250 confessionários construídos por presidiários do Panamá, um sinal de fé e esperança realizado por aqueles que, por algum motivo, se desviaram do caminho de Deus, mas que puderam contribuir com a misericórdia de Deus para que os jovens fossem reconciliados.
Nesse chamado para a santidade, a jovem da Comunidade Católica Manain, Julianne Luiza da Silva, de 24 anos, saiu de Caruaru (PE) para a sua primeira JMJ. Seu tempo de preparação para a JMJ foi curto, apenas 6 meses, mas de muito engajamento, a fim de que conseguisse arrecadar os fundos necessários para a viagem. Além do mais, encontros com outros jovens que participaram de outras Jornadas Mundiais foram fundamentais para que ela e seu grupo pudessem aproveitar o máximo possível o evento. “O que mais me marcou na JMJ foi a vivência da unidade do corpo de Cristo materializado nos povos de várias nações, culturas, línguas, costumes; todos ‘sonhando o mesmo sonho: Jesus’, como disse o Papa Francisco. Nesse encontro de diferenças, percebi, a olhos nus, como a Palavra de Deus é viva e verdadeira, pois pode ser vivida no hoje através de cada pessoa, não como algo ilusório, apenas sonhado; mas como algo concreto, real.”
E não somente os jovens fizeram uma experiência profunda na cultura e no acolhimento. Dom Vilsom Basso, bispo da Diocese de Imperatriz (MA) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que foi um dos bispos catequistas, ele ficou hospedado na casa da família de Dona Josefina, de 84 anos, uma colombiana que vive há dois anos no Panamá. “Viver e ser acolhido na casa de uma família foi uma experiência única, onde pudemos sentir de muito perto a realidade, a cultura, as comidas e, acima de tudo, a bondade e generosidade do povo que vive no Panamá.”
Dom Vilsom, que também foi um dos delegados do Sínodo dos Bispos, realizado em outubro de 2018, com o tema: “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”, ressaltou que, por meio da JMJ, o Papa Francisco e a Igreja também declaram a sua fé na juventude através do investimento de tempo, energias e recursos financeiros, conforme o artigo 119 do Documento Final do Sínodo. “Um papa que convocou o Sínodo e que põe muita esperança e muita fé na força evangelizadora e transformadora da juventude para a Igreja, para a sociedade e para o cuidado da casa comum”, complementou Dom Vilsom.
Acolher Francisco – Um dos momentos mais esperados pelos jovens, durante a JMJ, é a acolhida do papa. Ao recordar o “sim” de Maria ao projeto de Deus, os jovens foram motivados a confiar nos planos de Deus para cada um. Durante a via-sacra, ao recordar aqueles que sofrem em suas realidades, também Nossa Senhora foi colocada como modelo de mulher forte, que busca o bem comum e a transformação. “Em Maria, aprendemos a força para dizer ‘sim’ àqueles que não se calaram nem calam perante a cultura dos maus-tratos e do abuso, do descrédito e da agressão, e que trabalham para proporcionar oportunidades e condições de segurança e proteção”, disse o papa aos jovens.
Já na vigília, além de apontar Maria como “influencer” de Deus, por ser ativa e protagonista na história, as palavras de Francisco fizeram os jovens refletir sobre a importância de acolher com amor as diversas realidades, especialmente daqueles que sofrem: “Porque só o que se ama, pode ser salvo. Só o que se abraça, pode ser transformado. O amor do Senhor é maior que todas as nossas contradições, que todas as nossas fragilidades e que todas as nossas mesquinharias, mas é precisamente através das nossas contradições, fragilidades e mesquinharias que ele quer escrever esta história de amor”.
Um olhar para a casa comum – Precedendo a JMJ, aconteceu também, entre os dias 17 a 21 de janeiro, o chamado “Dia nas Dioceses”. Dioceses do Panamá e da Costa Rica acolheram jovens para experiências missionárias e reflexão, como o Fórum de Jovens Africanos e o Primeiro Encontro Mundial de Jovens Indígenas (EMJI), na Diocese de David, em Soloy, também no Panamá. O encontro, com o tema: “Assumimos a memória de nosso passado para construir o futuro com coragem”, incentivou jovens de origem indígena a caminharem para o futuro a partir de suas raízes. “Volte para as culturas de origem. Cuide das raízes, porque das raízes vem a força que as fará crescer, florescer e dar frutos. Além disso, deve ser uma maneira de mostrar a face indígena de nossa Igreja no ambiente da JMJ e de afirmar nosso compromisso de proteger a casa comum e colaborar na construção de outro mundo possível, mais justo e mais humano”, incentivou o Papa Francisco.
A Jornada continua – A missa de envio no Panamá reuniu mais de 600 mil pessoas no Campo São João Paulo II – Metro Park e foi celebrada pelo Papa Francisco que, em sua homilia, ressaltou que os jovens são o “agora de Deus”, e não o futuro; é preciso que os jovens sejam protagonistas e missionários do presente. E, ao dar a sua bênção final, Francisco ainda incentivou os jovens a testemunharem com vibração tudo o que cada um viveu durante a JMJ, já na expectativa para a próxima Jornada Mundial, em 2022, em Lisboa, Portugal.
Julianne conclui: “Podemos viver esse pós-JMJ no nosso dia a dia, primeiramente, não esquecendo tudo que foi experimentado ali Jornada Mundial, fazendo memória das vivências, do que foi aprendido, do que foi dito pelo Papa Francisco, tudo vale como uma forma de não deixar esfriar essa experiência. Outra coisa é continuar dizendo todos os dias: ‘Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim, segundo a tua palavra’, e isso pode concretizar-se em atos simples do nosso cotidiano, em nossa casa, no nosso trabalho, em nossos estudos, com nossos amigos, enfim. A terceira coisa é abraçar a missão e permanecer no caminho, seja na comunidade, no grupo de oração, na paróquia, ou seja, onde o Senhor nos colocar; permanecer fiel àquilo que ele nos confiar”.




*Juliene Barros, designer, é colaboradora de Paulinas COMEP e tem participado de encontros internacionais de Igreja e Juventude por ser jovem engajada na vida eclesia.l




Fonte: Revista Família Cristã, edição 999, Março de 2019
Postado por: Família Cristã




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