Navegue com segurança

Data de publicação: 06/06/2019

Por, Fernando Genorazzo*

Viver no ambiente digital abre novos horizontes e possibilidades, mas requer cuidados e muita responsabilidade

Não há dúvidas de que a internet agora faz parte da vida diária de muitas pessoas. Falando em termos gerais, é impossível voltar a uma época livre da chamada cultura digital.

Os estudiosos da comunicação classificam essa realidade como um novo contexto existencial ou mesmo como uma nova era da história da humanidade que avança em uma velocidade incomparável. E para viver ou, muitas vezes, até sobreviver nesse novo mundo, é preciso ter consciência de que este não é um mundo “virtual”, como em um grande jogo de simulação da realidade.

A rede, com suas relações e interações, é uma experiência real, e, como em tal, possui suas belezas e riscos reais. Por isso, é importante conhecer os cuidados necessários para uma vida saudável e segura no ambiente digital.

Livro aberto – Certamente, você já teve a sensação de estar sendo “espionado” na internet. Por exemplo, depois de navegar por alguns sites, pesquisando determinado produto, quase que imediatamente começa a ser perseguido por anúncios de produtos relacionados ao que procurou, especialmente em banners de redes sociais. Ou até depois de trocar e-mails com um contato sobre uma viagem e imediatamente seu provedor de e-mails começar a lhe mostrar anúncios de passagens aéreas, hotéis.

É assim que as empresas desenvolvedoras dessas plataformas digitais se mantêm, com a comercialização de informações dos usuários para as empresas de publicidade. Tudo isso é feito por meio dos famosos algoritmos, um sistema que delineia o perfil do usuário a partir dos assuntos de interesse, publicações e hábitos da pessoa na internet. Desse modo, o sistema automaticamente direciona para cada usuário aquilo que mais lhe interessa.

E o mais interessante, tudo isso foi permitido pelo próprio usuário. Sim! Ao se cadastrar em uma rede social, aplicativo ou serviço de e-mail, a pessoa precisa aceitar os famosos “termos de uso” ou “políticas de privacidade”, que são aquelas letrinhas miúdas que aparecem antes de concluir o cadastro e que a maioria dos internautas não leem.

Limite ético – No entanto, já existem casos de empresas que extrapolaram esses limites, como o Facebook que, em 2016, teria vazado dados de cinquenta milhões de usuários para empresas que prestavam consultorias para a campanha presidencial dos Estados Unidos.

O vazamento dos dados teve origem em um teste virtual feito pelos usuários no site da rede social com perguntas sobre a personalidade, que permitiam construir um perfil dos internautas. Na época, o site foi acusado de violar os direitos de privacidade dos cidadãos, gerando uma discussão ética a esse respeito.

Por essas razões, diversos países têm buscado regulamentar a segurança dos dados dos seus cidadãos na internet. No Brasil, em 2018, foi sancionada pela presidência da República a Lei Geral de Proteção de Dados. O texto garante maior controle dos cidadãos sobre suas informações pessoais, exigindo consentimento explícito para coleta e uso dos dados, e, também, obriga que se ofereçam opções para o usuário visualizar, corrigir e excluir esses dados.

Orientações – O Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT.br), do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), desenvolveu a “Cartilha de Segurança para a Internet”, com recomendações e dicas sobre como o usuário de internet deve se comportar para aumentar a sua segurança e se proteger de possíveis ameaças.

O subsídio apresenta o significado de diversos termos e conceitos utilizados na rede, aborda riscos do uso dessa tecnologia e fornece uma série de dicas e cuidados a serem tomados pelos usuários.

Golpes – São vários os golpes na internet. Um deles é o furto de identidade, que é o ato pelo qual uma pessoa tenta se passar por outra, atribuindo-se uma falsa identidade, com o objetivo de vantagens indevidas.

Quanto mais informações o usuário disponibiliza sobre a sua vida e rotina, mais fácil se torna para um golpista furtar a sua identidade, pois mais dados ele tem disponíveis e mais convincente ele pode ser. O perfil também pode ser invadido por meio de ataques de força bruta, do acesso a páginas falsas ou do uso de computadores infectados.

Também são muitas as fraudes. Nesses casos, golpistas tentam obter dados pessoais e financeiros de um usuário por meio de algum meio eletrônico. O maior exemplo disso são e-mails ou mensagens por celular de suposto comércio eletrônico ou internet banking que tentam induzi-lo a clicar em um link. Ao fazer isso, você é direcionado para uma página da web falsa, semelhante ao site que você realmente deseja acessar, onde são solicitados os seus dados pessoais e financeiros.

Ataques – São muitos os tipos de ataques que podem acontecer por diversas motivações, visando a diferentes alvos e usando variadas técnicas. Qualquer serviço, computador ou rede que sejam acessíveis via internet podem ser alvo de um ataque, assim como qualquer computador com acesso à internet pode participar de um ataque.

Em junho de 2016, o jornalista paulistano Daniel Gomes estava trabalhando em casa, quando teve o seu notebook invadido. Bastou alguns minutos longe do computador para pegar um café e, quando retornou, todos os seus arquivos estavam criptografados, isto é, não podiam ser acessados.

“Busquei informações com um amigo da área de Tecnologia da Informação e ele me alertou que talvez meus dados tinham sido roubados. Seria uma espécie de ‘sequestro de dados’”, relatou.

No dia seguinte, Daniel foi à Polícia Civil em busca do departamento de investigação de roubos na internet. Não foi fácil. Depois de ser aconselhado a procurar a Polícia Militar, o jornalista peregrinou por delegacias até que conseguiu registrar um boletim de ocorrência em uma delegacia no centro de São Paulo. “Fui informando de que, em algumas semanas e no máximo em alguns meses, seria chamado para abrir um inquérito”, disse a vítima que até hoje, passados três anos, não foi contatado.

Nesses casos, os criminosos costumam enviar um código eletrônico por meio do qual a vítima acessa um pedido de resgate dos dados. Como Daniel não acessou o código, por medo de conter algum vírus que danificasse mais ainda seu computador, ele não obteve contato com os criminosos, muito menos seus dados de volta.

O notebook de Daniel continua em casa, sem acesso aos dados. “Perdi a maioria dos arquivos de pesquisas que havia feito para o meu trabalho”, lamentou. Por precaução, Daniel não formatou seu notebook para não perder as evidências do crime, apesar de não ter encontrado solução.

Cuidados – Os especialistas sempre alertam sobre a necessidade de ter consciência de que o ambiente digital é uma praça pública e, como tal, requer prudência e cuidado.

Um dos grandes problemas dos habitantes da rede é a perda do limite entre o público e o privado, fazendo com que, em alguns casos, o usuário se exponha demasiadamente.

A divulgação excessiva de informações como rotina e localização podem ser usadas por criminosos para a tentativa de sequestros ou mesmo para o famoso golpe do sequestro, quando um criminoso telefona para alguém simulando o sequestro de um parente e tenta extorquir dinheiro de um suposto resgate. De igual modo, a divulgação dessas informações pode ser útil para criminosos saberem os horários em que a residência do usuário está vazia para assaltos.

É importante saber usar adequadamente essas ferramentas para não cair em outras ameaças golpes, ataques, códigos maliciosos, vírus e outros males que podem colocar em risco a integridade moral, financeira e até física do usuário, bem como de seus familiares.


Previna-se

– Desconfie sempre de ofertas de recompensas financeiras muito fáceis, que solicitem dados confidenciais, que apresentem palavras como “urgente” e “confidencial” no campo do assunto e, principalmente, quando pedem que seja feito algum pagamento.

– Ao receber uma mensagem suspeita, através de contato telefônico ou por outro meio oficial com uma instituição conhecida, confirme se essa mensagem é verdadeira.

– Observe se as mensagens contêm erros gramaticais e de ortografia.

– Observe se o endereço do link indicado corresponde realmente ao site mencionado na mensagem.

– Existem mecanismos de segurança nos serviços de e-mail, rede sociais e nos próprios dispositivos que ajudam a identificar links ou arquivos maliciosos.

– Atualize com frequência suas senhas de acesso a serviços de internet. Evite senhas fáceis, com dados como data de nascimento ou informações de conhecimento público. E, em hipótese nenhuma, forneça sua senha a estranhos.

(Fonte: CERT.br)

Proteja seus filhos

– Conscientize-os dos riscos e cuidados envolvidos no uso das redes sociais.

– Respeite os limites de idade estipulados pelos sites.

– Oriente-os a não se relacionarem com estranhos e nunca fornecerem informações pessoais, sobre eles próprios ou sobre outros membros da família, assim como sobre hábitos familiares, e muito menos sobre sua localização.

– Oriente-os a jamais marcarem encontros com pessoas estranhas.

– Oriente-os sobre os riscos de uso da webcam ou de videochamadas e, ainda, que eles nunca devem utilizá-las para se comunicar com estranhos.

– Procure deixar o computador usado por seus filhos em um local público da casa, para observar o que eles estão acessando e verificar seu comportamento. Também existem aplicativos para monitorar as atividades dos smartphones dos filhos.

(Fonte: CERT.br)

 

 





Fonte: Revista Família Cristã, edição 1002, junho de 2019
Postado por: Família Cristã




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