Evangelização, sim!

Data de publicação: 08/11/2019

Por: Moisés Sbardelotto


Para Francisco, a evangelização não pode confundir-se com o clericalismo nem com o proselitismo, que anuncia um Evangelho que não conhece a pobreza. “A evangelização liberta”

 

Durante a sua viagem a Moçambique, Madagáscar e Ilhas Maurício, em setembro passado, o papa Francisco se encontrou com alguns jesuítas moçambicanos para um momento de conversa informal, livre e fraterna. No diálogo, o pontífice reiterou o que é evangelizar em uma “Igreja em saída”, segundo ele. E diferenciou a evangelização de duas degenerações que afetam a Igreja em sua relação com o mundo e no seu próprio interior – respectivamente, o proselitismo e o clericalismo.


Na conversa com os jesuítas de Moçambique, o Papa respondeu a uma pergunta sobre as Igrejas cristãs que se usam da promessa de riqueza e prosperidade para conquistar adeptos. Em sua resposta, Francisco afirmou que existem seitas que realmente não podem ser definidas como cristãs. “Elas pregam a Cristo, sim, mas a sua mensagem não é cristã. Não tem nada a ver com a pregação de um luterano ou de outro cristão evangélico sério. Esses chamados ‘evangélicos’ pregam a prosperidade, prometem um Evangelho que não conhece a pobreza, mas buscam simplesmente fazer prosélitos. É justamente aquilo que Jesus condena nos fariseus do seu tempo. Eu já disse várias vezes: o proselitismo não é cristão.”


Ao contrário, para o pontífice, “a evangelização liberta”. O proselitismo, ao invés disso, provoca a perda da liberdade, pois “é incapaz de criar um caminho religioso na liberdade”, assujeitando as pessoas. “Na evangelização, o protagonista é Deus, e, no proselitismo, é o ‘eu’”, sintetizou o Papa. O evangelizador nunca viola a consciência do outro: ele “anuncia, semeia e ajuda a crescer”, ilustrou o Papa. Por outro lado, quem faz proselitismo viola a consciência das pessoas, não as torna livres, mas dependentes.

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